Flávio Bolsonaro critica possível novo tarifaço contra o Brasil
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante uma audiência nos Estados Unidos, que a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros poderia beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o senador, este seria “o pior momento” para a implantação de uma nova medida tarifária contra o Brasil.
Durante a manifestação, Flávio também citou o caso do Banco Master, afirmou que um novo tarifaço poderia aproximar ainda mais o país da China e defendeu o Pix como uma solução importante para o sistema de pagamentos brasileiro.
Senador participou da audiência ao lado de Eduardo Bolsonaro
Flávio Bolsonaro compareceu à audiência acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado por coação a autoridades no Supremo Tribunal Federal (STF) e cassado pela Câmara dos Deputados.
A participação do senador ocorreu dentro da agenda de audiências promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que investiga o Brasil por supostas práticas comerciais desleais no âmbito da Seção 301.
USTR investiga Pix, big techs, corrupção e desmatamento
A investigação do USTR começou em julho do ano passado e analisou diferentes temas relacionados ao Brasil.
Entre os pontos avaliados estão os sistemas de pagamentos, como o Pix, o desmatamento ilegal, a atuação das big techs e questões relacionadas à corrupção.
No dia 1º de junho, o escritório anunciou a conclusão da investigação e sugeriu a adoção de uma nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros.
Flávio diz ter pedido a Trump que não taxe o Brasil
No início do discurso, Flávio Bolsonaro lembrou que esteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com integrantes do governo americano.
Entre os nomes citados estão o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
O senador afirmou ter pedido diretamente aos americanos que não aplicassem novas tarifas contra o Brasil.
Senador afirma que tarifas fortaleceriam governo Lula
Flávio argumentou que as tarifas adotadas no ano anterior não trouxeram benefícios para a economia brasileira e acabaram, segundo sua avaliação, fortalecendo politicamente o governo Lula.
“Impor tarifas agora criaria uma situação difícil de reverter. Isso premiaria os responsáveis pelas ações questionadas, ao mesmo tempo em que puniria aqueles que arcam com as consequências delas.”
Flávio divide manifestação em três pontos
Durante a audiência, o senador organizou sua fala em três eixos principais.
Um deles foi a defesa do Pix. Flávio afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos não deve ser tratado como um problema, mas como uma solução.
Segundo ele, o Pix foi criado durante o governo de Michel Temer (MDB), beneficia milhões de brasileiros e poderia inclusive gerar oportunidades para empresas americanas.
Pré-candidato defende o Pix em audiência nos EUA
Flávio Bolsonaro procurou afastar a ideia de que o Pix prejudica empresas privadas ou representa uma ameaça comercial direta aos Estados Unidos.
O senador afirmou que o sistema brasileiro ampliou o acesso a pagamentos rápidos e baratos e que sua existência não impede a atuação de empresas americanas no mercado nacional.
Senador trata de censura e responsabiliza STF e Executivo
Ao abordar as alegações de suposta censura mencionadas na investigação americana, Flávio afirmou que as decisões citadas partiram do Supremo Tribunal Federal e do Poder Executivo.
O senador não mencionou, no entanto, a Lei Magnitsky durante sua manifestação.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, têm defendido junto ao governo americano a retomada de sanções contra ministros do STF, principalmente Alexandre de Moraes.
Flávio cita INSS e Banco Master ao falar de corrupção
No trecho relacionado à corrupção, Flávio Bolsonaro citou os escândalos envolvendo o INSS e o Banco Master.
Assim como ocorreu nos comentários enviados por escrito ao órgão americano, o senador não mencionou seu próprio elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Senador já fez outras viagens aos Estados Unidos
Desde o início do ano, Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos em outras quatro oportunidades.
Entre as viagens estão a participação no CPAC, considerado o maior evento conservador do mundo, e uma visita a Washington no fim de maio.
Na ocasião, o senador se reuniu com membros do gabinete americano e com o presidente Donald Trump.
Viagem anterior teve foto com Trump no Salão Oval
Na visita anterior a Washington, Flávio deixou a capital americana em uma posição considerada positiva por seus aliados.
O senador obteve uma foto ao lado de Trump no Salão Oval e, pouco depois, o PCC e o CV foram designados organizações terroristas, pauta que Flávio havia defendido em reuniões com representantes do governo republicano.
Anúncio de tarifas gerou reação do governo petista
Na sequência, porém, os Estados Unidos anunciaram a conclusão da investigação sobre o Brasil e sinalizaram a possibilidade de uma tarifa de 25%.
A proximidade entre o anúncio e a viagem de Flávio fez com que integrantes do governo Lula atribuíssem ao senador responsabilidade política pelo aumento da pressão comercial americana.
Esta deve ser a última viagem de Flávio aos EUA no ano
Segundo aliados, esta deve ser a última viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos até o fim do ano.
A avaliação da equipe é de que o pré-candidato precisa agora concentrar sua agenda na campanha presidencial e em viagens pelo território brasileiro.
Passagem por Washington foi mais discreta
Ao contrário da viagem anterior à capital americana, desta vez Flávio optou por uma agenda mais reservada.
Na visita passada, o senador se reuniu com Trump, concedeu duas entrevistas e divulgou detalhes de seus encontros com membros do governo americano.
Na atual viagem, preferiu evitar entrevistas e reduzir a exposição pública.
Flávio assistiu jogo do Brasil ao lado de Eduardo
Segundo aliados, Flávio desembarcou em Washington no domingo e, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, assistiu em um bar ao jogo da Seleção Brasileira.
O Brasil foi derrotado pela Noruega.
Na segunda-feira, o senador continuou publicando vídeos relacionados à defesa do Pix e à tentativa de impedir a aplicação de novas tarifas contra o Brasil.
Pré-candidato acusa governo Lula de omissão
Flávio Bolsonaro tem insistido na tese de que o governo brasileiro foi omisso por não indicar um representante para falar na audiência.
O governo Lula, por outro lado, afirma que a sessão é direcionada principalmente ao setor privado, embora não haja limitação para participação de políticos.
Aliados temem impacto negativo se tarifa for aplicada
Apesar de Flávio tentar transformar a viagem aos Estados Unidos em uma vitrine política, aliados demonstram preocupação com a possibilidade de a visita gerar efeitos contrários aos pretendidos.
O receio é de que uma eventual aplicação das tarifas recomendadas pelo USTR enfraqueça politicamente o senador.
Esse temor ocorre porque o primeiro tarifaço contra produtos brasileiros foi associado ao lobby realizado por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Campanha tenta reforçar imagem de defesa dos interesses brasileiros
Com a audiência, Flávio Bolsonaro procura sustentar a narrativa de que foi a Washington para defender o Pix e evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A estratégia busca diferenciar sua atuação da postura atribuída ao governo Lula e reforçar a imagem do senador como interlocutor junto ao governo dos Estados Unidos.