Mãe de Flávio Bolsonaro lamenta saída do filho para os Estados Unidos
Rogéria Bolsonaro, mãe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), publicou um vídeo emocionado nas redes sociais nesta quarta-feira (28), lamentando a saída do filho do Brasil após sua derrota nas eleições presidenciais de 2026.
Na gravação, ela afirmou que está sofrendo com a distância e classificou a viagem do senador para os Estados Unidos como consequência de supostas perseguições políticas.
“Meu coração sangra — graças a Deus, que é um coração forte — por mais um filho que se vê obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias”, declarou.
A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre a chegada de Flávio Bolsonaro e sua família à região de Miami, na Flórida.
O deslocamento ganhou repercussão porque o senador havia sido intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Rogéria Bolsonaro lamenta distância dos filhos e netos
Durante o pronunciamento, Rogéria destacou que Flávio é o segundo filho a deixar o Brasil e se estabelecer nos Estados Unidos.
A referência foi associada ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está no país norte-americano desde fevereiro de 2025.
A mãe dos parlamentares também lamentou a dificuldade de acompanhar o crescimento dos netos e participar de momentos importantes da família.
“Agora são quatro netos que estarei privada de acompanhar de perto o crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis”, afirmou.
Em seguida, Rogéria reforçou o vínculo afetivo com os filhos, apesar da distância.
“Eu repito sempre que meus filhos são a minha vida. Amo vocês demais da conta. A distância nos separa, porém o amor nos une”, declarou.
A publicação apresentou a saída de Flávio como um episódio doloroso para a família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após derrota eleitoral
Segundo as informações divulgadas, a aeronave que transportava Flávio Bolsonaro e sua família pousou nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28).
O desembarque ocorreu por volta das 10h23, no horário de Brasília, no Aeroporto Opa-locka Executive, localizado na região metropolitana de Miami, na Flórida.
A chegada marcou o fim de um deslocamento internacional realizado poucos dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25).
Flávio Bolsonaro foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um quarto mandato.
A viagem ocorreu em meio a medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito de uma investigação envolvendo o senador.
Trajeto teria começado pela fronteira com a Argentina
De acordo com a rota divulgada pela imprensa, Flávio Bolsonaro teria iniciado o deslocamento por via terrestre, atravessando a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina.
Na cidade argentina, o senador teria embarcado em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador.
O avião realizou uma escala técnica antes de seguir para os Estados Unidos.
O último trecho do percurso começou por volta das 6h22, no horário de Brasília, e terminou após aproximadamente quatro horas de voo, com a chegada à Flórida.
As informações sobre o itinerário foram divulgadas após notícias inicialmente contraditórias sobre a presença do senador na Argentina.
A confirmação independente de todos os detalhes do deslocamento dependerá dos registros oficiais e das apurações das autoridades competentes.
Moraes havia determinado entrega dos passaportes
Antes da viagem, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas.
A medida cautelar foi adotada após a derrota eleitoral do senador e no contexto de uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal.
Na segunda-feira (26), Flávio divulgou um vídeo afirmando que havia sido intimado por agentes federais quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
O parlamentar criticou a decisão e questionou a necessidade da restrição.
Posteriormente, surgiram informações de que os documentos não haviam sido apresentados dentro do prazo estabelecido pela Justiça.
A eventual saída do país em descumprimento de uma ordem judicial poderá ser objeto de análise pelo STF.
Declarações de Eduardo Bolsonaro antecederam decisão judicial
A determinação de entrega dos passaportes também foi relacionada a declarações públicas de Eduardo Bolsonaro.
Em entrevista concedida antes do segundo turno, o ex-deputado afirmou que defendia a saída de Flávio do Brasil caso o irmão fosse derrotado na disputa presidencial.
Eduardo também sustentou que o senador deveria contestar o resultado eleitoral se não conquistasse a Presidência.
As manifestações repercutiram em meio às investigações judiciais e passaram a integrar as discussões sobre a possibilidade de Flávio deixar o território brasileiro.
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde 2025 e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em junho de 2026, pelo crime de coação, conforme as informações divulgadas.
Advogado atribui viagem a suposta articulação de Marco Rubio
A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também foi acompanhada de especulações sobre uma possível articulação internacional.
O advogado mexicano Simón Levy, associado ao movimento político Make America Great Again (MAGA), afirmou nas redes sociais que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, teria participado da organização da viagem.
“O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio”, escreveu Levy em publicação na plataforma X.
A declaração, entretanto, não foi acompanhada de provas apresentadas no material divulgado.
Não há confirmação oficial de que Marco Rubio ou o governo dos Estados Unidos tenham participado do planejamento ou da execução do deslocamento do senador.
A afirmação deve, portanto, ser tratada como uma alegação de Simón Levy, e não como um fato comprovado.
Saída do Brasil amplia repercussão de medidas do STF
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de tensão política após a conclusão das eleições presidenciais de 2026.
Além de questionar o resultado da votação, o senador passou a enfrentar medidas judiciais relacionadas a uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal.
A determinação de entrega dos passaportes buscava restringir a possibilidade de deslocamento internacional durante a apuração.
Com as notícias sobre sua chegada aos Estados Unidos, surgem novos questionamentos sobre o cumprimento da decisão e as circunstâncias da viagem.
Caberá às autoridades competentes avaliar os registros migratórios, os documentos e os demais elementos disponíveis para determinar se houve descumprimento das medidas cautelares.
Rogéria Bolsonaro fala em perseguição e sofrimento familiar
No vídeo publicado nesta quarta-feira, Rogéria Bolsonaro concentrou sua manifestação no impacto familiar da saída de Flávio.
A mãe do senador afirmou considerar injustas as circunstâncias que teriam levado o filho a deixar o Brasil e demonstrou preocupação com a distância dos netos.
Sua declaração reforça a narrativa de perseguição defendida por integrantes da família Bolsonaro, mas essa interpretação não representa uma conclusão judicial sobre a legalidade das medidas adotadas contra o parlamentar.
O episódio marca um novo desdobramento da situação política e jurídica de Flávio Bolsonaro após a derrota presidencial.
Enquanto a família lamenta o afastamento, permanecem em discussão as circunstâncias da viagem e os possíveis efeitos jurídicos do descumprimento da determinação de entrega dos passaportes.