Bruno Reis é alvo de pedido de impeachment na Câmara Municipal de Salvador
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), foi alvo de um pedido formal de impeachment protocolado nesta terça-feira (27) na Câmara Municipal de Salvador (CMS). A denúncia foi apresentada pelo advogado e professor José Mário Dias Soares Júnior, conhecido como Professor Marinho, após a crise no transporte público registrada durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O documento, composto por 50 páginas, solicita a abertura de um processo político-administrativo que poderá resultar na cassação do mandato do prefeito, caso as acusações sejam admitidas e posteriormente comprovadas.
A representação aponta suposta omissão de Bruno Reis diante da redução da frota de ônibus no domingo (25), quando eleitores relataram dificuldades para chegar aos locais de votação.
O episódio provocou a intervenção do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e levou à adoção de medidas judiciais para restabelecer a circulação dos veículos.
Professor Marinho acusa prefeito de omissão durante as eleições
Na denúncia apresentada ao Legislativo municipal, Professor Marinho sustenta que Bruno Reis tinha conhecimento dos problemas relacionados à circulação dos ônibus e não teria adotado as providências necessárias para garantir o transporte dos eleitores.
Segundo a representação, a atuação do prefeito deve ser investigada diante da responsabilidade da administração municipal pela organização e fiscalização do transporte coletivo.
O advogado argumenta que a redução da frota comprometeu um serviço essencial justamente no dia em que a população precisava se deslocar para exercer o direito ao voto.
As acusações integram o pedido de impeachment e ainda não representam uma conclusão oficial sobre a responsabilidade pessoal do prefeito.
Denúncia aponta três possíveis infrações político-administrativas
O pedido protocolado na Câmara Municipal identifica três possíveis infrações político-administrativas que, segundo o autor, justificariam a abertura de um processo contra Bruno Reis.
A primeira está relacionada à suposta omissão no cumprimento de deveres legais associados à prestação do transporte público.
A segunda envolve uma alegada negligência na defesa dos interesses do município e da população afetada pela redução do serviço.
Já a terceira diz respeito à possível prática de conduta incompatível com a dignidade e as responsabilidades do cargo de prefeito.
A caracterização dessas infrações dependerá da análise jurídica e política da Câmara, com observância dos procedimentos legais e do direito de defesa do gestor.
Centenas de ônibus ficaram nas garagens durante votação
A crise no transporte público de Salvador ganhou repercussão após relatos de eleitores sobre a baixa circulação de ônibus durante o segundo turno.
Uma fiscalização realizada pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA) identificou 544 ônibus estacionados em cinco garagens da capital durante o período eleitoral.
O número de veículos fora de circulação ampliou os questionamentos sobre a operação do sistema de transporte gratuito disponibilizado para o dia da votação.
A situação motivou denúncias e manifestações de insatisfação de moradores que afirmaram ter enfrentado dificuldades para chegar às seções eleitorais.
Os dados sobre a frota passaram a integrar as discussões judiciais e políticas relacionadas ao episódio.
Supervisor teria atribuído redução da frota a orientação da Semob
Um dos elementos destacados no pedido de impeachment é o depoimento de um supervisor que teria relacionado a retenção dos ônibus a uma orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
Segundo a denúncia, a declaração levanta dúvidas sobre a origem das determinações que afetaram o funcionamento do transporte coletivo.
Professor Marinho solicita que sejam esclarecidas as responsabilidades administrativas envolvidas na redução da frota.
Entre os pontos questionados estão a identificação de quem autorizou a retenção dos veículos, a justificativa utilizada para a decisão e as providências adotadas pela Prefeitura depois que os problemas foram constatados.
A versão atribuída ao supervisor deverá ser analisada juntamente com os demais documentos e informações disponíveis.
TRE-BA determinou restabelecimento dos ônibus sob multa milionária
Durante a crise, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou o restabelecimento da circulação dos ônibus em Salvador.
A decisão judicial estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da ordem.
A medida teve como objetivo assegurar a prestação do transporte público e evitar que a redução da frota prejudicasse o deslocamento dos eleitores.
O episódio também resultou na expedição de uma ordem de prisão em flagrante contra o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava fora do Brasil naquele momento.
Posteriormente, a ordem de prisão foi revogada pelo TRE-BA, sem que isso representasse o encerramento das apurações relacionadas ao caso.
Bruno Reis atribuiu atrasos a adesivos de propaganda eleitoral
A justificativa apresentada pelo prefeito Bruno Reis para os problemas no transporte também é contestada na representação.
Segundo a explicação dada pelo gestor, a saída de parte dos ônibus teria sido prejudicada pela presença de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos.
O prefeito afirmou que a situação exigiu providências para evitar a circulação de ônibus com material político em desacordo com as regras aplicáveis ao período eleitoral.
Entretanto, o pedido de impeachment questiona a consistência dessa justificativa.
O documento destaca que a própria Prefeitura determinou posteriormente a liberação dos veículos, inclusive daqueles que ainda apresentavam adesivos.
Para o autor da denúncia, essa circunstância exige esclarecimentos sobre os motivos da retenção inicial e sobre o momento em que a administração decidiu normalizar o serviço.
Pedido cobra esclarecimentos sobre responsabilidade do prefeito
Além de solicitar a cassação do mandato, Professor Marinho pede que sejam examinadas as decisões administrativas tomadas durante o domingo eleitoral.
A representação questiona se Bruno Reis foi informado sobre a redução da frota, quais medidas adotou após tomar conhecimento dos problemas e se houve omissão diante das determinações da Justiça Eleitoral.
O documento também busca esclarecer a participação de integrantes da Secretaria Municipal de Mobilidade na organização do serviço.
A eventual responsabilização do prefeito dependerá da demonstração de condutas enquadráveis nas infrações político-administrativas previstas em lei.
Não basta, para esse fim, a existência de problemas na prestação do transporte público sem a devida apuração da responsabilidade atribuída ao gestor.
Câmara de Salvador decidirá se abre processo de impeachment
Com o protocolo da denúncia, caberá à Câmara Municipal de Salvador avaliar os requisitos legais para seu recebimento e eventual processamento.
Caso a representação seja admitida nos termos da legislação aplicável, poderá ser constituída uma comissão processante para examinar as acusações.
O procedimento deverá assegurar ao prefeito o direito de apresentar defesa e acompanhar a produção dos elementos necessários ao julgamento.
A eventual cassação do mandato depende do cumprimento das etapas previstas na legislação, incluindo a deliberação dos vereadores com o quórum legalmente exigido.
O simples protocolo da denúncia não afasta Bruno Reis do cargo nem significa que as infrações apontadas tenham sido comprovadas.
Crise dos ônibus amplia pressão política sobre gestão municipal
O pedido apresentado por Professor Marinho ocorre em meio à repercussão da redução do transporte público durante o segundo turno das eleições.
Na segunda-feira (26), um abaixo-assinado disponibilizado na plataforma Change.org ultrapassou 250 mil assinaturas e também passou a cobrar o impeachment de Bruno Reis.
Entidades estudantis convocaram manifestações contra a administração municipal, enquanto a Justiça Eleitoral determinou providências relacionadas à apuração da operação dos ônibus.
O protocolo da denúncia na Câmara representa um novo desdobramento, agora na esfera político-administrativa.
Embora a mobilização popular e os procedimentos judiciais tenham origens relacionadas, cada iniciativa possui requisitos e consequências legais próprios.
Prefeito poderá apresentar defesa caso denúncia avance
A eventual abertura de um processo de impeachment permitirá que Bruno Reis apresente sua versão dos fatos e conteste as acusações formuladas na representação.
A Câmara Municipal deverá avaliar as informações reunidas pelo autor da denúncia, as justificativas da Prefeitura e os demais elementos que forem produzidos durante o procedimento.
Entre os pontos centrais estão a origem das determinações relacionadas à frota, a efetiva disponibilidade dos ônibus e a atuação dos responsáveis pela gestão do transporte.
Até o momento, não há decisão da Câmara Municipal determinando a cassação ou o afastamento do prefeito.
O pedido apresentado nesta terça-feira formaliza a tentativa de responsabilização político-administrativa de Bruno Reis, mas seu avanço dependerá da análise e das deliberações do Legislativo de Salvador.