PF realiza buscas em escritório de deputado federal durante investigação de contratos milionários
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma nova fase da Operação Castraio, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos públicos que somam aproximadamente R$ 200 milhões no estado do Rio de Janeiro.
Entre os alvos das buscas está o escritório de advocacia do deputado federal reeleito Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), além de pessoas ligadas ao parlamentar.
A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa no âmbito da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro.
Os contratos sob suspeita foram firmados para a prestação de serviços de castração e esterilização de animais.
Marcelo Queiroz ocupava o cargo de secretário estadual de Agricultura no período em que os acordos investigados foram celebrados.
Polícia Federal cumpre cinco mandados no Rio e em Niterói
Durante a operação, agentes federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do envolvimento de um parlamentar federal com prerrogativa de foro.
A ação busca reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer a estrutura e a atuação do grupo investigado.
O material recolhido deverá ser analisado para identificar possíveis vínculos entre os investigados e eventuais irregularidades na execução dos contratos.
Até o momento das informações divulgadas, não foram anunciadas prisões nesta etapa da operação.
Contratos de castração de animais chegam a R$ 200 milhões
O foco da investigação está em contratos firmados entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e uma empresa privada para a realização de procedimentos de castração e esterilização de animais.
Segundo a Polícia Federal, a soma dos acordos investigados alcança aproximadamente R$ 200 milhões.
Os investigadores apuram se os processos de contratação foram conduzidos de acordo com as exigências legais e se os valores envolvidos correspondem aos serviços contratados.
Entre as suspeitas estão direcionamento de contratos, fraude em procedimentos licitatórios e superfaturamento.
O valor de R$ 200 milhões corresponde ao montante dos contratos analisados e não representa, necessariamente, o valor de eventual desvio ou prejuízo aos cofres públicos.
Investigação aponta suspeitas de fraude e superfaturamento
A primeira fase da Operação Castraio identificou indícios de possíveis irregularidades nas contratações realizadas pela Secretaria estadual.
Uma das suspeitas é de que os procedimentos tenham sido direcionados para favorecer interesses privados, comprometendo a competitividade das licitações.
A Polícia Federal também investiga a possibilidade de superfaturamento, situação em que preços contratados podem superar os valores justificáveis para os serviços prestados.
Outra linha de apuração envolve a eventual participação de agentes públicos e particulares em práticas destinadas a fraudar os processos administrativos.
Essas hipóteses ainda dependem de comprovação e não significam que os investigados tenham sido considerados culpados.
Marcelo Queiroz comandava secretaria na época dos contratos
O deputado federal Marcelo Queiroz ocupava a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro durante o período relacionado às contratações investigadas.
A atuação anterior do parlamentar na pasta é um dos elementos considerados pela Polícia Federal na apuração.
A operação desta terça-feira incluiu buscas em seu escritório de advocacia e em endereços ligados a pessoas próximas ao deputado.
A presença de um imóvel entre os alvos de busca e apreensão não comprova, por si só, a participação de seu proprietário em uma atividade criminosa.
A eventual responsabilidade de Marcelo Queiroz dependerá da identificação de condutas específicas e da análise dos elementos reunidos pelos investigadores.
STF autorizou operação por envolver parlamentar federal
Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal porque a investigação envolve um deputado federal em exercício.
A Constituição estabelece hipóteses de competência do STF para processar e julgar determinadas autoridades, conforme a natureza dos fatos e as regras aplicáveis à prerrogativa de foro.
No caso da Operação Castraio, as medidas judiciais foram expedidas pelo Supremo para permitir o avanço das investigações.
A autorização das buscas indica que a Justiça considerou presentes os requisitos para a realização das diligências, mas não representa um julgamento antecipado sobre as suspeitas.
Nova fase foi motivada por provas obtidas anteriormente
A operação desta terça-feira representa a segunda etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal.
A primeira fase também ocorreu em 2026 e teve como foco a análise das irregularidades identificadas nos contratos de castração de animais.
Segundo a corporação, os materiais recolhidos durante as diligências anteriores forneceram novos elementos que justificaram o aprofundamento da apuração.
A partir dessas informações, os investigadores passaram a examinar possíveis conexões entre os envolvidos e a extensão das práticas suspeitas.
A nova fase busca identificar outros participantes e esclarecer como o suposto esquema teria funcionado.
PF apura possível organização criminosa dentro da estrutura estadual
Além das suspeitas relacionadas aos contratos, a Polícia Federal investiga a possibilidade de que as irregularidades tenham ocorrido de maneira organizada.
A apuração considera a hipótese de existência de um grupo estruturado para atuar em contratações públicas e obter vantagens indevidas.
Os investigadores deverão analisar a participação de agentes públicos, representantes de empresas e demais pessoas eventualmente envolvidas.
Para a caracterização de organização criminosa, será necessária a comprovação dos elementos previstos na legislação, incluindo a estrutura do grupo e sua finalidade.
A investigação ainda está em andamento, sem conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Operação busca esclarecer destino dos recursos públicos
Com o cumprimento dos novos mandados, a Polícia Federal pretende aprofundar a análise dos contratos e das informações obtidas nas duas fases da Operação Castraio.
Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a regularidade das licitações, a compatibilidade dos valores contratados e a possível existência de favorecimento de empresas.
A apuração também poderá identificar eventuais prejuízos financeiros e responsabilidades individuais, caso as suspeitas sejam confirmadas.
Até a divulgação das informações sobre a ação, não havia sido apresentada uma estimativa oficial de recursos efetivamente desviados.
O caso permanece sob investigação, e qualquer responsabilização criminal dependerá do avanço das diligências e das decisões da Justiça.