Abaixo-assinado pelo impeachment de Bruno Reis ultrapassa 250 mil assinaturas
Um abaixo-assinado que pede o impeachment do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ultrapassou a marca de 250 mil assinaturas nesta segunda-feira (26), aproximadamente 24 horas após sua criação.
A mobilização teve início depois de denúncias sobre a redução da circulação de ônibus na capital baiana durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
A petição foi disponibilizada na plataforma Change.org e solicita à Câmara Municipal de Salvador (CMS) a abertura de um processo para investigar a responsabilidade do prefeito pelos problemas registrados no transporte coletivo.
Os organizadores argumentam que a redução da frota teria prejudicado o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
O número expressivo de assinaturas demonstra a repercussão do episódio, embora a adesão à petição não represente, por si só, a abertura de um processo de impeachment.
Procon identifica 544 ônibus parados em garagens de Salvador
A controvérsia ganhou força após a divulgação de um relatório do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA).
Segundo o levantamento, 544 ônibus do sistema de transporte público estavam estacionados em cinco garagens de Salvador durante o horário de votação.
A quantidade de veículos fora de circulação ampliou os questionamentos sobre a oferta do serviço gratuito disponibilizado aos eleitores no domingo.
Relatos publicados nas redes sociais apontaram dificuldades para encontrar ônibus em diferentes regiões da capital baiana.
A situação provocou manifestações de eleitores e levou o caso à análise da Justiça Eleitoral.
Petição pede investigação e responsabilização do prefeito
O abaixo-assinado foi criado por um autor que não se identificou publicamente.
Na descrição, o responsável solicita que a Câmara Municipal investigue a atuação da Prefeitura de Salvador durante o segundo turno.
O documento pede a abertura de processo de impeachment de Bruno Reis, “com apuração de sua responsabilidade pelo comprometimento do transporte público no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026”.
Os denunciantes afirmam que os problemas na operação teriam persistido por várias horas.
Segundo o texto, “o comprometimento do transporte ultrapassou seis horas desde a abertura das garagens e alcançou mais de quatro horas após a abertura das seções eleitorais”.
A petição também solicita transparência sobre o ocorrido, esclarecimento das responsabilidades e a cassação do mandato do prefeito.
“Não podemos aceitar que um episódio dessa gravidade termine sem esclarecimento público e responsabilização”, afirma o documento.
Secretário de Mobilidade teve ordem de prisão revogada pelo TRE-BA
Os problemas no transporte público também provocaram desdobramentos na Justiça Eleitoral.
No domingo (25), foi expedida uma ordem de prisão em flagrante contra o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
O secretário estava em missão oficial na França quando a medida foi determinada.
Já nesta segunda-feira (26), a ordem foi revogada por decisão do presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman.
A revogação da ordem de prisão não significa o encerramento das apurações sobre as irregularidades denunciadas.
O caso permanece sujeito à análise das autoridades competentes, que deverão verificar as circunstâncias da redução da frota e eventuais responsabilidades.
Estudantes convocam manifestação pelo impeachment de Bruno Reis
A mobilização contra a gestão municipal também ganhou espaço fora das redes sociais.
A União dos Estudantes da Bahia convocou uma manifestação para esta segunda-feira (26), às 14h, em frente à sede da Prefeitura de Salvador.
O protesto foi anunciado com a participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
As entidades defendem a investigação da atuação do Executivo municipal e cobram explicações sobre a oferta de transporte público no dia da eleição.
Em uma publicação nas redes sociais, os organizadores criticaram a situação enfrentada pelos eleitores.
“No dia da eleição, a Prefeitura tem a obrigação de garantir o transporte público para que todo mundo possa exercer seu direito ao voto. A falta de ônibus é um ataque à democracia e, principalmente, à população trabalhadora e periférica de Salvador”, afirmaram.
A manifestação integra a mobilização de grupos que exigem esclarecimentos sobre o episódio.
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Câmara Municipal pode analisar pedido de impeachment?
A petição popular é direcionada à Câmara Municipal de Salvador, órgão responsável por exercer a fiscalização política e administrativa do Executivo municipal.
Entretanto, alcançar 250 mil assinaturas em uma plataforma digital não determina automaticamente a abertura de um processo de impeachment.
Para que uma denúncia dessa natureza avance, é necessário observar as exigências legais aplicáveis, incluindo os requisitos de admissibilidade e os procedimentos de análise pela Câmara.
A eventual responsabilização político-administrativa do prefeito dependerá da demonstração de condutas que possam configurar infrações previstas na legislação.
Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação de que um processo formal de cassação tivesse sido instaurado com base no abaixo-assinado.
Redução de ônibus durante eleição segue sob questionamento
A falta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou repercussão política e judicial em Salvador.
O registro de centenas de ônibus parados nas garagens, as denúncias apresentadas por eleitores e as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral colocaram a gestão municipal no centro da controvérsia.
A mobilização popular passou a cobrar não apenas esclarecimentos sobre os problemas operacionais, mas também a identificação de eventuais responsáveis pelas decisões que afetaram a circulação dos veículos.
Por enquanto, a petição pelo impeachment expressa uma reivindicação dos signatários, sem representar uma decisão judicial ou comprovação de responsabilidade pessoal do prefeito.
A continuidade das investigações e a eventual apresentação de uma denúncia formal à Câmara Municipal serão determinantes para os próximos desdobramentos do caso.
A petição pode ser consultada na plataforma Change.org:
https://www.change.org/p/impeachment-de-bruno-reis-pelo-direito-de-ir-vir-e-votar-em-salvador