segunda-feira, 25 maio 2026
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PF intercepta mensagens que indicam suposta articulação entre chefe do CV e aliado de Flávio Bolsonaro

Relatórios da Polícia Federal apontam mensagens entre Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, apontado como liderança do Comando Vermelho, e interlocutores ligados ao empresário Gutemberg Fonseca, aliado de Flávio Bolsonaro.

PF identifica mensagens envolvendo liderança do Comando Vermelho

Relatórios da Polícia Federal (PF) apontam que Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão” e apontado como uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV), manteve interlocução frequente para tratar de encontros, troca de favores e cobrança de nomeações.

As conversas envolvem pessoas ligadas ao círculo de aliados do empresário Gutemberg Fonseca, ex-secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro.

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Gutemberg Fonseca foi indicado por Flávio Bolsonaro

Gutemberg Fonseca foi indicado ao cargo em 2023 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Ele permaneceu na Secretaria de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro até abril de 2026, quando deixou o posto para se lançar pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo PL.

aliado de Flávio Bolsonaro,chefe do CV e aliado de Flávio Bolsonaro

O caso foi revelado pelo portal Metrópoles.

Mensagens foram trocadas entre maio e agosto de 2025

Segundo as investigações da Polícia Federal, as trocas de mensagens ocorreram entre maio e agosto de 2025.

O intermediário das conversas com Índio do Lixão era Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como “Dudu”, então assessor do ex-deputado TH Joias.

Primeiro registro de aproximação ocorreu em maio

O primeiro registro de aproximação identificado pela PF data de 13 de maio de 2025.

Na ocasião, o suposto integrante do Comando Vermelho, que ainda não possuía mandado de prisão ativo contra si, enviou uma mensagem a Dudu demonstrando insatisfação com sua ausência.

“Cadê você? Assim eu vou ficar fraco. Tá geral aqui, Guto e todos. Cadê vocês?”.

De acordo com a Polícia Federal, “Guto” era a forma como o grupo se referia a Gutemberg Fonseca, aliado do pré-candidato Flávio Bolsonaro.

Ligação durou 39 minutos

No dia seguinte, Índio do Lixão e Dudu conversaram por chamada telefônica durante 39 minutos.

Logo após o fim da ligação, o suspeito do CV orientou o assessor a perguntar a Gutemberg o que ele havia achado de sua “atitude” para resolver um problema de forma rápida.

Vídeo institucional da secretaria foi enviado a assessor

Em junho de 2025, o traficante enviou a Dudu um vídeo institucional da Secretaria de Defesa do Consumidor.

O material detalhava uma reunião oficial com o Procon e a concessionária de energia Enel.

Junto ao vídeo, Índio escreveu: “Mérito que ganha quando eu resolvo algo. Aí, reunião Enel, Procon e Sedcon”.

O assessor Dudu respondeu em seguida afirmando ter enviado o registro para “Menezes”, sugerindo que teria sido positivo levar o traficante à reunião.

PF apura tentativas de nomeação no Procon

As investigações da Polícia Federal também detalham tentativas de nomeação de indicados pelo Comando Vermelho na estrutura do Procon estadual.

A autarquia era subordinada à secretaria chefiada por Gutemberg Fonseca.

Segundo a PF, o elo para essas movimentações seria Marcos José Menezes, ex-servidor municipal e do Procon, apontado como interlocutor frequente de Dudu.

Índio do Lixão cobrou andamento de cargo

Em julho de 2025, Índio do Lixão cobrou o andamento de uma nomeação.

“Pergunta da nomeação. Se ele não for, eu vou em outro caminho já certo”.

Pouco depois, Dudu solicitou os dados de identificação civil do criminoso para agilizar o processo de nomeação.

Traficante teria sugerido intercessão de secretário

Diante de supostas dificuldades de Menezes para concretizar a nomeação, Índio do Lixão sugeriu, em agosto de 2025, que o próprio secretário Gutemberg Fonseca intercedesse diretamente.

Dias depois, o assessor Dudu chegou a enviar ao traficante o endereço da sede do Procon para uma reunião agendada por Menezes, que contaria com a presença do secretário.

A Polícia Federal ressalta que, devido à falta de retorno telefônico de Menezes nos registros daquele dia, não foi possível confirmar se a reunião presencial realmente ocorreu.

Investigação também cita ex-subsecretário

As apurações apontam ainda que o chefe do Comando Vermelho possuía linha direta com o advogado Alessandro Pitombeira Carracena.

Carracena foi secretário de Esportes do Rio e ex-subsecretário de Defesa do Consumidor na gestão de Gutemberg Fonseca.

Ele foi preso em setembro de 2025, acusado de receber vantagens financeiras para atender demandas de lideranças da facção criminosa.

Carracena teria mantido contato mesmo após exoneração

Mesmo exonerado do cargo público desde janeiro de 2025, Carracena continuava recebendo valores e mantendo contato com Índio do Lixão, segundo as investigações.

Em maio de 2025, após a primeira reunião relatada pela PF, Índio enviou uma mensagem ao advogado afirmando que havia se reunido com Fonseca e oferecido apoio político.

De acordo com o relato do traficante, o secretário teria elogiado Carracena na conversa.

Vídeo da reunião com Enel também foi enviado a Carracena

Posteriormente, em junho, o traficante enviou o mesmo vídeo da reunião institucional com a Enel para Carracena.

Na mensagem, afirmou que a posição de Fonseca estava forte.

O advogado respondeu: “Muito é por causa de você”.

Índio do Lixão, porém, desabafou sobre a falta de contrapartida do secretário.

“Não vou mais incomodar ele não, doutor. Não posso ficar forçando ele a me ajudar se o coração dele não quer me ajudar […]. Se ele quisesse, já teria feito. Ainda mais depois do que eu fiz”.

Conforme a Polícia Federal, Gutemberg Fonseca aparentemente não atendeu às expectativas do traficante após as tratativas.

Gutemberg Fonseca nega ligação com Índio do Lixão

Procurado pela imprensa, Gutemberg Fonseca negou categoricamente qualquer ligação ou reunião com Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão.

O ex-secretário afirmou que, como homem público, conversa diariamente com diversas pessoas e ressaltou que, no período mencionado, o investigado não tinha mandados de prisão pendentes.

Pré-candidato diz não entender citação de seu nome

Gutemberg Fonseca declarou também não compreender por que seu nome foi citado nas conversas interceptadas.

Sobre a relação com Marcos José Menezes, Fonseca confirmou que mantém contato pessoal e profissional com o ex-servidor.

Menezes atuou como coordenador de sua campanha eleitoral em 2022 e exerce a mesma função nas eleições deste ano.

Fonseca afirma defender combate ao crime organizado

O pré-candidato do PL reafirmou que sua trajetória pública sempre foi pautada pelo combate sistemático ao crime organizado e pela defesa das instituições de segurança pública.

As investigações da Polícia Federal seguem apurando o alcance das conversas, os possíveis interesses envolvidos e se houve participação de outros nomes nas articulações mencionadas nos relatórios.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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