terça-feira, 25 agosto 2026

Filme sobre Bolsonaro obtém registro na Ancine em meio a investigações envolvendo produtora

Longa “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, recebeu registro inicial da Ancine, mas ainda precisa de novos certificados para ser lançado no Brasil.

Filme sobre Bolsonaro obtém registro na Ancine

O filme “Dark Horse”, longa de ficção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), obteve o Registro de Obra Estrangeira, conhecido como ROE, da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O registro foi concedido em 7 de agosto e representa o primeiro passo para que a obra possa ser lançada futuramente no Brasil.

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Longa ainda precisa de certificado para ser comercializado

Apesar do registro inicial, o filme ainda não está liberado para comercialização no país.

Para isso, será necessário obter o Certificado de Registro de Título, o CRT.

Segundo a Ancine, a Europa Filmes, distribuidora do longa, ainda não apresentou o pedido para emissão desse certificado.

Filme também dependerá de classificação indicativa

Depois da emissão do CRT, a obra ainda precisará passar pela classificação indicativa do Ministério da Justiça.

Essa etapa é necessária para que o filme possa ser exibido nos cinemas brasileiros.

O longa, que deve receber o título nacional “O Azarão”, tem uma hora e 40 minutos de duração.

Ainda não há previsão oficial de lançamento.

Pedido de registro foi feito em junho

O pedido de registro havia sido apresentado à Ancine em junho.

No mesmo período, foi aberto um processo administrativo envolvendo a produtora Go Up Entertainment.

O procedimento pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

Produtora pode ser multada por não comunicar filmagens

A possível sanção está relacionada ao fato de a produtora não ter comunicado à Ancine sobre as filmagens realizadas no Brasil.

A obra é falada em inglês e dirigida e estrelada por norte-americanos.

A comunicação à agência é uma exigência para produções estrangeiras realizadas em território nacional.

Go Up Entertainment foi alvo de operação policial

A Go Up Entertainment também esteve no centro de uma operação da Polícia Civil, deflagrada em junho.

A ação faz parte de um inquérito que apura possíveis irregularidades e desvios em um contrato municipal.

Uma das linhas de investigação busca saber se recursos públicos teriam sido destinados à equipe do longa.

Investigação mira contrato de R$ 108 milhões

A suspeita é de que os recursos tenham sido desviados de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).

O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment.

O contrato previa o fornecimento de wi-fi gratuito a comunidades carentes.

STF autoriza PF a acessar provas

Em paralelo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas coletadas no caso.

O objetivo é reforçar a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora.

A apuração busca verificar se houve irregularidades nos repasses e na aplicação dos recursos públicos.

Filme também gera desgaste na candidatura de Flávio Bolsonaro

O longa também está no centro de um desgaste envolvendo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios em que ele pede R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para finalizar a obra.

Emendas de deputados do PL são investigadas

Os aportes investigados pela Polícia Federal são de autoria de deputados do PL.

Entre os citados estão Mário Frias (SP), Bia Kicis (DF) e Marcos Pollon (MS).

Mário Frias é apontado como possível intermediário de Flávio Bolsonaro nos trâmites com Daniel Vorcaro.

Mário Frias nega relação dos repasses com o filme

O deputado Mário Frias nega que os repasses tenham relação com o longa.

Segundo ele, a verba era destinada a “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”.

Frias também afirmou que “não há um único centavo” de Vorcaro no filme.

Outra frente investiga repasses de Vorcaro

Os repasses de Daniel Vorcaro para o filme e as tratativas com Flávio Bolsonaro fazem parte de outra frente de investigação.

Esse procedimento está sob a relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal.

Registro não encerra apurações sobre a produtora

A concessão do Registro de Obra Estrangeira pela Ancine não encerra as investigações envolvendo a produtora e possíveis repasses relacionados ao filme.

O lançamento no Brasil ainda depende de novas etapas administrativas, incluindo o certificado de título e a classificação indicativa.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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