sexta-feira, 19 junho 2026
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Justiça aceita denúncia e Deolane Bezerra vira ré por lavagem de dinheiro do PCC

Advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra passa a responder como ré em processo que apura acusação de lavagem de dinheiro para o PCC. Defesa nega envolvimento com organização criminosa.

Deolane Bezerra vira ré em processo que apura lavagem de dinheiro ligada ao PCC; defesa nega acusações.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, sob acusação de lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Com a decisão, Deolane passa à condição de ré no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação. Ela está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

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Além de Deolane, Marcos Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como principal chefe do PCC, também passou a ser réu na ação.

O irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, também tiveram a denúncia aceita pela Justiça, conforme decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau.

A denúncia é um desdobramento da Operação Vérnix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do PCC.

A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza. Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.

A defesa de Deolane Bezerra afirmou nesta quinta-feira, 18, que o recebimento da denúncia não representa qualquer conclusão sobre os fatos investigados.

Em nota, os advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes disseram que a medida é apenas uma etapa inicial do processo e que a influenciadora irá se defender das acusações na Justiça.

Os advogados sustentam que Deolane é inocente e não possui qualquer vínculo com organizações criminosas.

A defesa também afirma que os rendimentos da influenciadora possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.

O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, o irmão dele e os dois sobrinhos, afirmou em nota divulgada nesta quinta-feira que contestará as acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro atribuídas aos denunciados.

Segundo o advogado, Marcola e Alejandro Camacho estão custodiados em presídios federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e submetidos a rígidas restrições de contato e comunicação.

A defesa sustenta que essa condição “torna inviável qualquer participação nos fatos investigados” e demonstraria um equívoco da acusação.

A nota também nega as acusações formuladas contra Leonardo e Paloma Camacho. De acordo com Ferullo, o simples vínculo familiar entre os denunciados não pode ser interpretado como prova de envolvimento em atividades criminosas.

A defesa afirma ser “inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude”.

Os advogados dos denunciados sustentam que irão apresentar suas respostas no processo e contestar os elementos apontados pelo Ministério Público.

Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, afirmou à reportagem que há uma relação direta e íntima entre a influenciadora e a família de Marcola.

Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa.

Um dos indícios apontados pelo promotor seria um aumento repentino do patrimônio de Deolane, com ganhos superiores a R$ 140 milhões entre 2020 e 2022.

“Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados”, diz.

O promotor afirmou considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.

A defesa da influenciadora, no entanto, nega qualquer irregularidade e afirma que os rendimentos foram declarados e têm origem lícita.

Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia ao afirmar que foi detida no exercício da advocacia.

“Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, afirmou.

Ela não informou na audiência quem seria o cliente mencionado.

Com o recebimento da denúncia, os acusados passam a responder formalmente ao processo criminal. A próxima etapa será a apresentação das respostas à acusação dentro do prazo legal.

Até decisão final, as acusações seguem em apuração judicial. O recebimento da denúncia não representa condenação, mas permite o avanço da ação penal para análise das provas, manifestações das defesas e julgamento do mérito.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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