CBF volta ao centro das polêmicas com acusação contra Samir Xaud e histórico de escândalos envolvendo ex-presidentes da entidade.
O presidente da CBF, Samir Xaud, foi citado em uma reportagem publicada nesta segunda-feira, 15, pelo jornalista Leo Dias. Segundo a publicação, o dirigente teria utilizado recursos ligados à entidade para custear viagem, hospedagem e outras despesas de duas mulheres durante a Copa do Mundo de 2026: sua esposa, Natália Lopes Xaud, que permaneceu no México, e a empresária Camila Cristina Andrade, apontada como sua suposta amante, que esteve em Nova York.
De acordo com a reportagem, Camila, natural de Roraima, ficou hospedada em Nova York entre os dias 2 e 10 de junho, em uma reserva vinculada a Xaud. A estadia teria ocorrido no Hyatt Regency Grand Central e custado R$ 59.424,81. Ainda conforme a publicação, a empresária foi vista ao lado do presidente da CBF em um jantar em Manhattan e teria usado o mesmo veículo alugado que atendia ao dirigente durante o período em que esteve na cidade.
Caso a acusação de traição seja confirmada, esta não seria a primeira vez que um presidente da CBF se vê envolvido em uma controvérsia pessoal ou em denúncias relacionadas à gestão da entidade. Ao longo das últimas décadas, a Confederação Brasileira de Futebol acumulou episódios envolvendo corrupção, disputas judiciais, relações extraconjugais e desgastes políticos que marcaram diferentes mandatos.
Ricardo Teixeira presidiu a CBF entre 1989 e 2012, período em que a Seleção Brasileira conquistou duas Copas do Mundo, cinco Copas América e três Copas das Confederações. Apesar dos títulos, sua passagem pelo comando da entidade ficou marcada por uma longa sequência de escândalos. Ele renunciou ao cargo em meio às polêmicas e, em 2019, foi banido do futebol pela FIFA por casos de suborno.
Segundo a entidade máxima do futebol, Ricardo Teixeira teria recebido mais de R$ 30 milhões em propinas relacionadas a contratos de transmissão de competições. O ex-presidente da CBF também foi citado em suspeitas envolvendo apoio à escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo de 2022.
No campo pessoal, Ricardo Teixeira foi casado por cerca de 30 anos com Lúcia Havelange, filha do ex-presidente da Fifa João Havelange. O casamento entrou em crise na década de 1990, em meio a rumores sobre relações extraconjugais do dirigente, e terminou em divórcio em 1997.
Outro episódio de grande repercussão envolveu a morte de Adriane de Almeida Cabete, apontada à época como uma de suas supostas amantes. Em 1995, ela morreu após perder o controle do carro que dirigia, um BMW que teria sido presenteado por Ricardo Teixeira, e cair em um lago próximo à rodovia Florida Turnpike, na Flórida, nos Estados Unidos.
José Maria Marin assumiu a presidência da CBF após a saída de Ricardo Teixeira e permaneceu no cargo entre 2012 e 2015. Sua gestão também foi atingida por denúncias de corrupção. Em 2015, Marin foi preso na Suíça durante a investigação internacional que ficou conhecida como FIFA Gate.
Em 2018, ele foi condenado nos Estados Unidos a quatro anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e conspiração. Em março de 2020, obteve liberdade antecipada em razão da pandemia de Covid-19 e retornou ao Brasil. Marin morreu em São Paulo, em julho de 2025, aos 93 anos.
Marco Polo Del Nero, que presidiu a CBF entre 2015 e 2017, também foi investigado por corrupção e entrou para a lista de dirigentes envolvidos em grandes controvérsias. No entanto, no episódio conjugal mais conhecido relacionado ao seu nome, Del Nero não foi apontado como autor da traição, mas como vítima.
O caso ocorreu em abril de 2015, quando veio a público um vídeo íntimo de sua então namorada, a modelo Carol Muniz, com o jornalista Thiago Asmar. Nas imagens, ela aparecia sem roupas enquanto conversava com o então repórter da Globo sobre seu relacionamento com Del Nero, que estava prestes a assumir oficialmente a presidência da CBF.
Na época, a modelo afirmou que a maior traição não teria sido o relacionamento em si, mas a quebra de confiança provocada pela exposição e divulgação do vídeo sem seu consentimento. A repercussão do caso resultou no afastamento de Thiago Asmar da emissora. Atualmente, ele atua como apresentador e comentarista esportivo na Jovem Pan Esportes, além de comandar o Canal Pilhado no YouTube.
Outro presidente da entidade envolvido em forte polêmica foi Rogério Caboclo, que comandou a CBF entre 2019 e 2021. Ele foi denunciado por assédio moral e sexual por uma funcionária da confederação. A denúncia incluía relatos de comentários sexistas, constrangimentos repetidos e pressões psicológicas, o que levou ao seu afastamento do cargo.
Na ocasião, Queila Girelli, esposa de Caboclo, ganhou destaque público ao defendê-lo. Em outubro de 2023, o Superior Tribunal de Justiça declarou o ex-presidente inocente na última acusação de assédio sexual. Ele não foi condenado em nenhum dos três casos.
Antecessor de Samir Xaud, o baiano Ednaldo Rodrigues foi afastado oficialmente da presidência da CBF em 2025 por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A medida foi motivada por suspeitas envolvendo a assinatura do ex-dirigente Coronel Nunes em um acordo considerado decisivo para encerrar uma ação judicial e abrir caminho para a eleição e permanência de Ednaldo no cargo.
O mandato de Ednaldo Rodrigues foi marcado por disputas internas, questionamentos jurídicos e instabilidade política dentro da entidade. A decisão judicial que levou ao seu afastamento ampliou a crise institucional da CBF e abriu espaço para uma nova eleição na confederação.
Com a acusação envolvendo Samir Xaud, a CBF volta a ocupar o centro de uma controvérsia pública em meio à Copa do Mundo de 2026. A entidade, que já teve presidentes investigados, condenados, afastados ou citados em escândalos pessoais, enfrenta mais um episódio de desgaste em sua imagem institucional.
A nova polêmica reforça uma sequência de crises que atravessou diferentes gestões da confederação. Entre acusações de corrupção, disputas judiciais, denúncias de assédio e episódios conjugais expostos publicamente, os mandatos dos presidentes da CBF seguem marcados por acontecimentos que vão além das quatro linhas.
