quarta-feira, 4 novembro 2026

Bloco As Kuviteiras não vai desfilar no Carnaval de Salvador em 2027, ano em que completaria 40 anos

Tradicional bloco de travestidos ficará fora da programação após impasse administrativo e financeiro. Sócio da agremiação explica que inscrição foi indeferida pelo Comcar após pedido de suspensão para reestruturação.

Bloco As Kuviteiras ficará fora do Carnaval de Salvador em 2027 após impasse interno

O Carnaval de Salvador terá uma ausência marcante em 2027. O tradicional bloco As Kuviteiras, considerado o segundo maior bloco de travestidos da folia soteropolitana, não desfilará na avenida justamente no ano em que completaria quatro décadas de fundação.

A suspensão da participação ocorre em meio a divergências administrativas e financeiras envolvendo a associação responsável pela agremiação.

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Segundo Higor Henrike, conhecido como Chôra, um dos sócios do bloco, a inscrição para o Carnaval de 2027 chegou a ser realizada junto ao Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar), mas acabou indeferida.

O impedimento ocorreu após a atual presidência da associação informar ao conselho que o bloco passaria por um período de reestruturação administrativa.

A decisão interrompe, ao menos temporariamente, a participação de uma das agremiações tradicionais da festa, que reúne foliões caracterizados e mantém uma trajetória ligada à cultura carnavalesca de Salvador.

Inscrição do bloco foi indeferida pelo Comcar

A situação veio a público após Higor Henrike comentar uma publicação sobre a ausência das Kuviteiras no próximo Carnaval.

Em sua manifestação, o sócio explicou que tomou a iniciativa de solicitar a inscrição da agremiação mesmo sem ocupar atualmente um cargo na diretoria da associação.

“Para o Carnaval de 2027, realizei a inscrição do bloco junto ao Comcar, mesmo sem integrar a atual diretoria da associação. Entretanto, o pedido foi indeferido após manifestação da atual presidência da entidade, que comunicou a suspensão temporária do bloco para reestruturação administrativa”, escreveu.

A declaração indica que a ausência do bloco não decorreu simplesmente da falta de interesse em participar da festa.

O impedimento está relacionado à situação administrativa da associação responsável pela vaga no circuito carnavalesco e à manifestação apresentada por sua atual direção.

Sócio afirma que custeava desfile com recursos próprios

Higor Henrike também apresentou esclarecimentos sobre sua participação financeira na organização do bloco.

Segundo ele, desde que passou a integrar o quadro societário das Kuviteiras, em 2018, assumiu investimentos necessários para garantir a realização dos desfiles.

A entrada de Higor na sociedade ocorreu após o falecimento de seu pai, que já participava da agremiação.

“Assumi essa responsabilidade, mantendo os investimentos com recursos próprios (100%). Mesmo após a partida de Toinho, fiz questão de realizar o desfile, prestando homenagens à sua memória”, afirmou.

O relato demonstra que, de acordo com o sócio, a manutenção das apresentações dependia de aportes particulares destinados à estrutura e à realização do evento.

A ausência desses investimentos para 2027 aparece como um dos fatores relacionados à decisão de não colocar o bloco na avenida.

Família de Higor participa das Kuviteiras desde 2012

A ligação da família de Higor Henrike com o bloco começou em 2012, quando seu pai se tornou sócio de Toinho, uma das principais figuras da história da agremiação.

Segundo Higor, a parceria contribuiu para o desenvolvimento do bloco ao longo dos anos.

Entre as iniciativas realizadas nesse período estão investimentos na estrutura do desfile, contratação de atrações e construção de parcerias para fortalecer a participação no Carnaval.

Após a morte do pai, Higor passou a integrar a sociedade e deu continuidade à participação familiar na organização da festa.

A trajetória foi mencionada por ele ao esclarecer as circunstâncias que levaram à suspensão do desfile de 2027.

Higor nega que cancelamento esteja ligado à venda de fantasias

O sócio também procurou afastar interpretações de que a ausência das Kuviteiras estaria relacionada à comercialização de fantasias ou a questões envolvendo homenagens a Toinho.

Segundo Higor, a situação envolve decisões distintas tomadas pela associação e por ele próprio na condição de investidor.

“A atual conjuntura da Associação, que é detentora da vaga, tomou uma atitude e eu, INVESTIDOR, tomei outra”, declarou.

A explicação indica que a associação decidiu suspender temporariamente as atividades do bloco para reorganização administrativa, enquanto Higor optou por não realizar os aportes financeiros necessários para viabilizar a apresentação.

O sócio ressaltou que essas decisões precisam ser compreendidas separadamente.

Bloco continuou desfilando após morte de Toinho

A história recente das Kuviteiras também foi marcada pela morte de Toinho, figura importante para a trajetória da agremiação.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Massa!, do Grupo A TARDE, Dona Val, viúva de Toinho e então presidente da associação, decidiu manter o desfile mesmo após a morte do marido, ocorrida em fevereiro, às vésperas do Carnaval.

Naquele momento, a organização já havia preparado a estrutura necessária para a apresentação.

A decisão de realizar o desfile buscou preservar os compromissos assumidos com foliões e patrocinadores.

A continuidade da participação também teve significado de homenagem à trajetória de Toinho e à sua contribuição para o bloco.

Ausência acontece no aniversário de 40 anos das Kuviteiras

A suspensão da participação em 2027 ganha relevância especial porque o bloco completaria 40 anos de fundação.

Ao longo de sua trajetória, As Kuviteiras conquistaram espaço entre os blocos de travestidos que integram a tradição do Carnaval de Salvador.

Essas agremiações fazem parte da diversidade cultural da festa e mobilizam foliões que utilizam fantasias, caracterizações e performances como elementos de celebração.

A ausência no ano de aniversário representa uma interrupção na programação de uma entidade com décadas de participação no Carnaval.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre possíveis atividades alternativas para marcar os 40 anos de fundação.

Entenda o papel do Comcar na organização do Carnaval

O Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar) participa da organização e do acompanhamento das atividades relacionadas ao Carnaval e às festas populares de Salvador.

O órgão exerce funções consultivas, normativas, deliberativas e fiscalizadoras, conforme suas competências institucionais.

Entre os assuntos relacionados à sua atuação estão questões de organização, participação e acompanhamento das entidades carnavalescas.

No caso das Kuviteiras, o conselho recebeu a inscrição apresentada por Higor Henrike, mas o pedido acabou indeferido após manifestação da direção da associação.

O portal A TARDE informou que procurou o Comcar para obter esclarecimentos sobre a situação.

Até a publicação da reportagem original, o órgão ainda não havia apresentado posicionamento.

Bloco poderá retornar após reestruturação administrativa

A suspensão anunciada pela associação foi apresentada como temporária, com o objetivo de promover uma reorganização administrativa.

Entretanto, ainda não existe confirmação sobre quando As Kuviteiras poderão voltar a desfilar no Carnaval de Salvador.

O retorno dependerá das decisões internas da entidade, da viabilidade financeira e do cumprimento das exigências necessárias para participação na festa.

Também não foram divulgadas informações sobre um eventual calendário de reorganização ou sobre mudanças na direção da associação.

Assim, apesar da confirmação de que o bloco não desfilará em 2027, seu futuro permanece vinculado aos próximos encaminhamentos administrativos.

Carnaval de Salvador perde uma de suas agremiações tradicionais em 2027

A ausência das Kuviteiras representa uma mudança na programação dos blocos tradicionais do Carnaval de Salvador.

A agremiação, que celebraria 40 anos em 2027, ficará fora da avenida após a suspensão de suas atividades para reestruturação administrativa e a decisão de não realizar novos investimentos para o desfile.

A situação envolve a atual direção da associação, o sócio Higor Henrike e o processo de inscrição junto ao Comcar.

Enquanto não houver uma nova definição sobre a reorganização da entidade, permanece a confirmação de que As Kuviteiras não participarão da próxima edição da festa.

Fonte: A TARDE, com informações do jornal Massa! e declarações de Higor Henrike.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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