quarta-feira, 20 maio 2026
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AGU defende no STF suspensão da Lei da Dosimetria, que pode beneficiar Bolsonaro

Advocacia-Geral da União pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da Lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro, e defendeu que a norma seja considerada inconstitucional.

AGU pede suspensão da Lei da Dosimetria no STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou nesta terça-feira (19) pela suspensão da Lei da Dosimetria, norma que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

A lei pode beneficiar réus condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Órgão defende que texto seja declarado inconstitucional

No parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a AGU defendeu que a Corte declare a Lei da Dosimetria inconstitucional.

Segundo o órgão, a norma cria uma redução de pena que enfraquece a resposta do Estado aos atos considerados golpistas.

AGU critica redução de até dois terços da pena

Em sua manifestação, a AGU afirma que “premiar” a atuação dos condenados pelos atos golpistas com uma redução de até dois terços da pena “inverte a lógica de agravamento”.

Para o órgão, a participação de um grande número de pessoas nos ataques aumenta o dano causado e dificulta a defesa das instituições democráticas.

Parecer cita proteção insuficiente à democracia

No documento, a Advocacia-Geral da União afirma que a lei gera uma proteção insuficiente diante da gravidade dos atos praticados.

“A gravidade da proteção insuficiente gerada pela lei, outrora vetada pelo presidente da República, exige a atuação do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição, restaurando a coerência axiológica do sistema e garantindo que os atentados contra a democracia recebam a resposta firme, técnica e proporcional que a gravidade de suas condutas exige perante a história”, diz a AGU.

Lei já foi suspensa por Alexandre de Moraes

A Lei da Dosimetria foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado e já havia sido suspensa em 9 de maio pelo ministro Alexandre de Moraes.

Moraes foi sorteado relator das ações que questionam a validade da norma no Supremo Tribunal Federal.

Na decisão, o ministro afirmou que aguardará o julgamento do plenário da Corte sobre a constitucionalidade da lei.

Texto foi promulgado após derrubada de veto de Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou a Lei da Dosimetria em 8 de maio.

A promulgação ocorreu depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou vencer o prazo após ter vetado integralmente o texto. O veto, posteriormente, foi derrubado pelo Congresso Nacional.

Advogados de réus pediram redução de pena

Com a promulgação da lei, advogados de réus condenados pelos atos de 8 de Janeiro acionaram o Supremo Tribunal Federal com pedidos de redução de pena com base na nova norma.

Ainda na sexta-feira, porém, a federação PSOL-Rede e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também apresentaram ações ao STF para barrar a lei.

As entidades pediram que o texto fosse considerado inconstitucional e solicitaram uma medida cautelar, ou seja, uma decisão urgente, para suspender sua eficácia.

Federação PT, PCdoB e PV também acionou o Supremo

A federação formada por PT, PCdoB e PV também entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a Lei da Dosimetria.

Na ação, o grupo argumenta que a vigência da norma até o julgamento final poderia criar um “incentivo perverso para a organização de novos ataques às instituições democráticas”.

STF deve analisar constitucionalidade da lei

Ao julgar a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, o Supremo Tribunal Federal deve decidir se a redução de penas aprovada pelo Congresso pode ser aplicada aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Como mostrou a Folha, há uma tendência de validação da lei na Corte, mas com recados sobre o combate a atos antidemocráticos.

Ministros veem prerrogativa do Legislativo, mas apontam riscos

Entre ministros do STF, existe o entendimento de que a redução de penas é uma prerrogativa do Poder Legislativo.

Apesar disso, parte da Corte avalia que a medida pode representar um estímulo a novos atos antidemocráticos, caso seja aplicada sem limites ou sem uma interpretação mais rigorosa.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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