terça-feira, 28 julho 2026

“Taxa das blusinhas” pode voltar em setembro se Congresso não votar medida provisória de Lula

Medida provisória assinada por Lula acabou com o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50, mas pode perder validade em setembro se não for votada pelo Congresso.

“Taxa das blusinhas” pode voltar a ser cobrada

A chamada “taxa das blusinhas”, revogada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode voltar a ser cobrada em setembro caso o Congresso Nacional não vote a medida provisória que extinguiu o imposto.

O Congresso encerra o período de recesso e retoma os trabalhos a partir da próxima semana, mas as votações em comissões e no plenário só devem ocorrer entre os dias 10 e 14 de agosto.

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Congresso terá esforço concentrado em agosto e setembro

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reservaram uma semana em agosto e outra em setembro para o chamado “esforço concentrado”.

Nesse período, deputados e senadores tentarão votar projetos, medidas provisórias e indicações de autoridades.

Governo tem 32 medidas provisórias aguardando análise

Entre as medidas provisórias editadas pelo governo federal, há atualmente 32 textos aguardando análise e votação em diferentes estágios de tramitação.

Uma das que mais preocupa o Palácio do Planalto é a MP 1.357/2026, que tornou mais baratas as compras internacionais de pequeno valor e ficou conhecida por revogar a “taxa das blusinhas”.

MP acabou com imposto para compras de até US$ 50

A medida foi assinada por Lula em 12 de maio e prevê a extinção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas no âmbito do Programa Remessa Conforme.

Como medidas provisórias possuem força de lei durante sua vigência, o imposto deixou de ser cobrado sobre essas compras desde a edição do texto.

Texto altera regra sobre remessas internacionais

A medida provisória modifica o Decreto-Lei 1.804, de 1980, que trata da tributação simplificada das remessas postais internacionais.

O texto estabelece que bens de até US$ 3 mil poderão ter alíquotas constantes ou progressivas definidas pelo Ministério da Fazenda.

Para encomendas entre US$ 50 e US$ 3 mil, a tributação permanece em 60%, com dedução fixa de US$ 30 sobre o valor do imposto.

Cobrança estava em vigor desde agosto de 2024

Criada pela Lei 14.902/2024, a cobrança da “taxa das blusinhas” estava em vigor desde agosto de 2024.

A medida afeta compras feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, incidindo sobre roupas, eletrônicos e outros itens.

Além do Imposto de Importação, o ICMS de 17% continua sendo cobrado.

Comissão mista ainda não foi criada

Apesar de a medida provisória ter dado entrada no Congresso em 12 de maio, não houve, antes do recesso, sequer a criação da comissão mista responsável por debater o texto.

Essa comissão é formada por deputados e senadores e deve emitir um parecer antes de a medida seguir para votação nos plenários da Câmara e do Senado.

Prazo de validade termina em 8 de setembro

A demora na votação preocupa o governo Lula porque a MP tem prazo de validade até o dia 8 de setembro.

Caso a medida não seja votada dentro do prazo, o texto será arquivado e a cobrança da “taxa das blusinhas” terá de ser retomada.

Setor produtivo pressiona contra votação da medida

Antes mesmo da retomada dos trabalhos de deputados e senadores, entidades do setor produtivo já se movimentam para pressionar os parlamentares a não votarem a medida até o prazo final.

Empresas varejistas brasileiras criticam o fim da taxa, alegando falta de isonomia tributária com concorrentes estrangeiros.

Receita aponta alta nas encomendas internacionais

De acordo com a Receita Federal, o número de encomendas internacionais disparou após o fim da chamada “taxa das blusinhas”.

A equipe econômica do governo acompanha de perto os efeitos da mudança sobre o comércio exterior e sobre a concorrência com empresas nacionais.

Ministro admite possibilidade de rever cenário

Em entrevista nesta segunda-feira (27) à Rádio Jornal de Pernambuco, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que as encomendas internacionais estão aumentando após o fim da taxa.

Ele afirmou, porém, que a equipe econômica está monitorando os dados e que pode propor ao presidente Lula até mesmo o retorno da taxação.

“A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário”, declarou Durigan.

Retorno da cobrança dependerá da tramitação no Congresso

A volta da “taxa das blusinhas” dependerá diretamente da tramitação da medida provisória no Congresso Nacional.

Se o texto não for analisado e aprovado até o vencimento, a regra perderá validade e a cobrança poderá voltar a incidir sobre compras internacionais de pequeno valor.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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