Brasil registra 84,2 milhões de inadimplentes e supera metade da população adulta pela primeira vez
O Brasil alcançou um novo recorde de inadimplência em setembro de 2026, com 84,2 milhões de pessoas com dívidas em atraso. O número representa 51,1% da população adulta e marca a primeira vez que mais da metade dos brasileiros nessa faixa etária aparece nos registros de inadimplência da Serasa.
Os dados fazem parte do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, levantamento divulgado pela empresa que acompanha a evolução dos débitos dos consumidores desde 2016.
Além do recorde no número de pessoas inadimplentes, o valor total das dívidas chegou a R$ 597,4 bilhões, um crescimento de 0,90% em relação a agosto.
O levantamento também aponta que existem 352,7 milhões de pendências financeiras em aberto no país, equivalente a uma média de 4,2 dívidas por consumidor inadimplente.
Em meio ao avanço dos indicadores, a Serasa iniciou nesta terça-feira (3) a 36ª edição do Feirão Limpa Nome, que reúne mais de 750 milhões de ofertas de renegociação, com descontos que podem chegar a 99%.
Mais da metade dos adultos brasileiros está inadimplente
O percentual de 51,1% representa um marco na série histórica da Serasa.
Desde o início do levantamento, em 2016, o país ainda não havia registrado uma proporção tão elevada de adultos com pendências financeiras.
Com 84,2 milhões de consumidores inadimplentes, o indicador demonstra a dimensão do endividamento em atraso das famílias brasileiras.
A inadimplência ocorre quando uma obrigação financeira deixa de ser paga dentro do prazo estabelecido, podendo resultar em cobrança de juros, multas e inclusão do consumidor em cadastros de restrição ao crédito.
O número divulgado pela Serasa considera os consumidores registrados em sua base de inadimplência e não significa que todos os adultos brasileiros possuam dívidas negativadas.
Dívidas atrasadas somam R$ 597,4 bilhões no país
O volume financeiro das pendências também atingiu um patamar elevado.
Em setembro, as dívidas em atraso totalizaram R$ 597,4 bilhões, segundo a Serasa.
O montante representa uma alta de 0,90% na comparação com agosto de 2026.
Ao todo, foram contabilizadas 352,7 milhões de dívidas.
Cada consumidor inadimplente acumula, em média, R$ 7.093,83 em débitos, distribuídos em aproximadamente 4,2 pendências.
Já o valor médio individual de cada dívida é de R$ 1.693,68.
Os indicadores mostram que muitos consumidores enfrentam mais de uma obrigação financeira vencida ao mesmo tempo.
Confira os principais números da inadimplência no Brasil
| Indicador | Setembro de 2026 |
|---|---|
| Pessoas inadimplentes | 84,2 milhões |
| Participação na população adulta | 51,1% |
| Valor total das dívidas | R$ 597,4 bilhões |
| Quantidade de dívidas | 352,7 milhões |
| Média de dívidas por pessoa | 4,2 |
| Dívida média por inadimplente | R$ 7.093,83 |
| Valor médio por dívida | R$ 1.693,68 |
| Crescimento anual de inadimplentes | 6% |
| Crescimento acumulado desde 2020 | 34,17% |
Os dados evidenciam tanto a quantidade de consumidores com restrições financeiras quanto o volume de recursos envolvidos nas pendências.
Número de inadimplentes cresceu 6% em um ano
Na comparação entre setembro de 2025 e o mesmo mês de 2026, o número de consumidores inadimplentes aumentou 6%.
O crescimento demonstra que a quantidade de brasileiros com dificuldades para manter seus compromissos financeiros em dia continuou aumentando ao longo do último ano.
Quando considerado o período desde 2020, a expansão acumulada chega a 34,17%.
Apesar da trajetória de alta, a Serasa identificou uma desaceleração no ritmo de crescimento a partir de abril de 2026.
Isso significa que o número de inadimplentes continua aumentando, mas em velocidade menor do que a observada em determinados períodos anteriores.
Serasa alerta que inadimplência continua aumentando
A diretora da Serasa, Aline Maciel, destacou que o país chegou ao maior número de inadimplentes já identificado pela empresa.
Segundo ela, embora a velocidade de crescimento tenha diminuído, os indicadores ainda não apresentam uma reversão da tendência.
“A inadimplência cresceu 34,17% desde 2020 e aumentou 6% apenas de setembro de 2025 para o mesmo mês desse ano. É o maior índice da série histórica. Desde abril, observamos uma desaceleração no ritmo de crescimento, mas o número continua aumentando”, afirmou.
A declaração foi divulgada no material de apresentação do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas.
O levantamento demonstra que a desaceleração não foi suficiente para impedir a chegada a um novo recorde histórico.
Bancos e cartões de crédito concentram a maior parcela das dívidas
A composição das pendências financeiras também apresentou mudanças.
Os bancos e cartões de crédito continuam liderando o ranking de segmentos responsáveis pelas dívidas registradas na base da Serasa.
Essa categoria representa 27,16% do total, mantendo a primeira posição entre os tipos de débitos.
Em seguida aparecem as financeiras, que passaram a ocupar o segundo lugar pela primeira vez no levantamento.
A participação desse segmento subiu de 20,14% para 20,66%.
O avanço fez com que as financeiras ultrapassassem as contas de serviços essenciais, como água, energia elétrica e gás.
Contas de água, luz e gás caem para terceiro lugar
As dívidas relacionadas às despesas básicas das residências perderam a segunda posição no ranking de inadimplência.
Segundo a Serasa, a participação das contas de água, luz e gás passou de 20,71% para 20,32%.
Com isso, o segmento ficou atrás das instituições financeiras.
A mudança é considerada relevante pela empresa porque aponta um crescimento da participação das dívidas financeiras na composição das pendências dos consumidores.
Veja a distribuição dos principais segmentos:
| Segmento | Participação |
|---|---|
| Bancos e cartões de crédito | 27,16% |
| Financeiras | 20,66% |
| Contas de água, luz e gás | 20,32% |
Os demais segmentos representam a parcela restante das pendências identificadas.
Serasa lança Feirão Limpa Nome com descontos de até 99%
Em meio ao recorde de inadimplência, a Serasa anunciou o início da 36ª edição do Feirão Limpa Nome.
A campanha começou nesta terça-feira, 3 de novembro, com a proposta de facilitar a renegociação de dívidas e ajudar consumidores a regularizar sua situação financeira.
Segundo a empresa, esta é a maior edição já realizada do mutirão.
A iniciativa reúne aproximadamente 3,3 mil empresas parceiras e disponibiliza mais de 750 milhões de ofertas de renegociação.
O volume de oportunidades representa um crescimento de 14% em relação à edição realizada no ano anterior.
Os descontos podem chegar a 99%, conforme as condições oferecidas por cada credor.
Até quando vai o Feirão Limpa Nome 2026?
A edição de novembro do Feirão Serasa Limpa Nome está prevista para ocorrer entre 3 de novembro e 6 de dezembro de 2026.
Durante esse período, consumidores poderão consultar as ofertas disponíveis para seus débitos e avaliar as condições de negociação.
As propostas podem incluir descontos sobre o valor da dívida e diferentes possibilidades de pagamento, conforme a política de cada empresa participante.
Nem todas as pendências terão necessariamente descontos de 99%.
As condições variam de acordo com o credor, o tipo de dívida e as ofertas disponibilizadas para cada consumidor.
Como negociar dívidas pelo Feirão Serasa Limpa Nome?
Os consumidores podem acessar as ofertas por meio dos canais digitais da Serasa ou procurar atendimento presencial nos Correios.
Para negociar pela internet, o procedimento pode ser realizado no site oficial ou no aplicativo da empresa.
O consumidor deverá consultar as dívidas vinculadas ao seu CPF, verificar se existem propostas disponíveis e escolher as condições que melhor se ajustem ao seu orçamento.
Antes de confirmar um acordo, é importante verificar o valor total, os vencimentos e as regras de pagamento.
O atendimento deve ser realizado exclusivamente pelos canais oficiais para reduzir o risco de fraudes.
Site oficial: https://www.serasa.com.br/limpa-nome/
Mais de 7 mil agências dos Correios oferecem atendimento gratuito
Para consumidores que preferem negociar presencialmente, o Feirão Limpa Nome disponibiliza atendimento em mais de 7 mil agências dos Correios espalhadas pelo Brasil.
O serviço de atendimento para a renegociação durante a campanha será oferecido sem cobrança de taxa.
Para utilizar o canal presencial, é necessário apresentar um documento oficial com foto.
A possibilidade de atendimento físico amplia o acesso às negociações, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades com aplicativos ou plataformas digitais.
As condições disponíveis continuarão dependendo das propostas apresentadas pelas empresas credoras.
O que considerar antes de renegociar uma dívida?
Embora os descontos anunciados possam representar oportunidades para regularizar pendências, a escolha de um acordo deve considerar a capacidade real de pagamento do consumidor.
É importante avaliar se o valor da parcela cabe no orçamento mensal e se o compromisso poderá ser mantido até a quitação.
Também é recomendável conferir as condições oferecidas pelo credor, incluindo eventuais encargos, prazos e consequências do atraso.
A renegociação pode ajudar na regularização financeira, mas o descumprimento do novo acordo poderá gerar outras dificuldades.
Por isso, a prioridade deve ser encontrar uma proposta compatível com a renda disponível.
Recorde de inadimplência reforça desafio financeiro das famílias
O levantamento de setembro de 2026 mostra que a inadimplência alcançou uma dimensão inédita na série histórica da Serasa.
Pela primeira vez, o número de pessoas com dívidas em atraso superou metade da população adulta, chegando a 84,2 milhões de consumidores.
O valor acumulado de R$ 597,4 bilhões e o crescimento de 34,17% no número de inadimplentes desde 2020 reforçam a importância do tema para a economia brasileira.
A nova edição do Feirão Limpa Nome surge nesse cenário, oferecendo milhões de oportunidades de negociação até 6 de dezembro.
A possibilidade de obter descontos elevados poderá facilitar a regularização de pendências para parte dos consumidores, desde que as condições de pagamento sejam compatíveis com sua realidade financeira.
Fonte: Serasa — Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, setembro de 2026.