terça-feira, 23 junho 2026
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Romeu Zema propõe exigir estudo apenas de homens no Bolsa Família durante evento empresarial

Em palestra na Confederação Nacional da Indústria, o pré-candidato à Presidência sugeriu restrições de gênero para condicionalidades de programas sociais, criticou estatais e direcionou ataques a adversários políticos na disputa pelo Palácio do Planalto.

Propostas para programas sociais e mercado de trabalho em debate na CNI

O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), ex-governador do estado de Minas Gerais, apresentou suas propostas econômicas e sociais nesta segunda-feira, 22, durante uma reunião com lideranças empresariais. No encontro, realizado na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, o político declarou que, caso venha a ser eleito, pretende modificar as regras do programa Bolsa Família. A intenção do presidenciável é instituir a obrigatoriedade da conclusão dos estudos regulares e a realização de capacitação técnica exclusivamente para os beneficiários do sexo masculino.

Ao justificar a medida para a plateia, o ex-governador utilizou termos fortes para se referir à atual situação da força de trabalho no país e argumentou que a diferenciação de gênero se faz necessária devido às rotinas familiares das mulheres brasileiras.

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“Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens. Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício”, disse, durante palestra em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em Brasília.

Defesa de reformas e dados sobre a eficácia dos programas assistenciais

No palanque da CNI, o discurso de Romeu Zema focou em pautas liberais, englobando a urgência de uma nova reforma da Previdência, além de uma ampla reforma administrativa e a reestruturação total dos programas de transferência de renda do governo federal. O político associou as atuais políticas sociais com as dificuldades relatadas pelo empresariado na captação de colaboradores para as suas companhias.

“Muitos aqui devem estar enfrentando dificuldade para contratar mão de obra. […] Estamos criando uma geração de imprestáveis”, afirmou, recebendo aplausos com a expressão já utilizada por ele em outros momentos da pré-campanha.

Dando sequência à explicação do seu projeto de governo para o desenvolvimento educacional e profissionalizante, o pré-candidato insistiu na necessidade de pressionar os homens assistidos pelo governo a buscarem qualificação.

“Quero que esses jovens, aqueles que não concluíram ensino fundamental, que concluam. Hoje não tem essa exigência. […] Quero colocar essas exigências para os homens. Mulher, mais uma vez, eu falei é diferente”, completou.

Apesar da argumentação do candidato, indicadores econômicos de institutos independentes trazem recortes distintos sobre o comportamento dos beneficiários do Bolsa Família. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que 68,8% dos atendidos pela política social que tinham entre 11 e 14 anos no final de 2014, além de 71,25% dos jovens inseridos na faixa entre 15 e 17 anos no mesmo período, conseguiram se emancipar financeiramente e deixaram o cadastro do benefício até o mês de outubro de 2025. Complementando o panorama, análises do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicaram que o programa assistencial não tem reduzido sistematicamente a inserção feminina no mercado de trabalho formal.

Posicionamentos sobre regimes trabalhistas e privatização total

O pré-candidato também usou o espaço para defender a consolidação do pagamento por hora trabalhada como um modelo alternativo às regras estipuladas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na mesma esteira de discussões sobre o mercado produtivo, o ex-governador reiterou suas fortes críticas ao movimento que discute o encerramento da jornada de trabalho no modelo de escala 6×1, projeto que atualmente tramita nas comissões do Senado Federal.

“A produtividade é a chave para elevar a renda de qualquer economia no mundo. E o pessoal vai vendendo a ideia de uma canetada que vai fazer o trabalhador ganhar mais. Infelizmente, o brasileiro às vezes ainda acredita nesse tipo de coisa, como aí a questão da escala 6×1”.

Outro posicionamento do pré-candidato que gerou reações favoráveis no auditório de industriais foi a sua meta de repassar todos os ativos públicos para o setor privado. Ele usou como exemplo os processos que tentou implementar em território mineiro com companhias de grande porte de energia e saneamento básico.

“Para mi, não existe vaca sagrada no que diz respeito a estatal. […] Estatal serve para a atender politicagem e não desenvolvimento econômico”.

Dentre as diretrizes estruturais de sua plataforma eleitoral, o político relembrou os três eixos que norteiam suas propostas: choque de moral, choque contra a criminalidade e o combate ao endividamento público federal. Ele citou ter recuperado as finanças mineiras por meio de cortes severos no custeio da máquina pública.

O presidenciável ainda fez considerações duras sobre o universo político tradicional e o ambiente institucional da capital federal.

“Sempre considerei a política uma atividade criminosa”, mas teria mudado de ideia ao decidir concorrer ao Governo de Minas. Ainda assim, afirmou, a respeito de Brasília: “O que tem de esgoto aqui dá para inundar o restante do Brasil”.

Enfrentamento político na ala da direita e citações de bastidores

Romeu Zema também aproveitou a oportunidade para disparar críticas diretas contra um de seus oponentes no campo conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Fazendo alusão a investigações financeiras de repercussão nacional, o mineiro comentou sobre o fato de residir na mesma localidade de uma figura central do setor bancário nacional envolvida em escândalos recentes.

“Ele nunca sequer me pediu uma audiência. Assombração sabe para quem aparecer e para mim nunca apareceu”, disse. “Nenhum pré-candidato tem criticado tanto a farra dos intocáveis quanto eu. Não tenho rabo preso”.

Participação de Flávio Bolsonaro e propostas da CNI para a economia

O ciclo de painéis na CNI também contou com a participação do senador Flávio Bolsonaro, que defendeu em sua apresentação a revogação da recente reforma tributária, argumentando que o novo modelo trará um peso excessivo de impostos para a economia nacional. O congressista criticou a condução econômica atual e prometeu uma gestão focada na austeridade de gastos.

“Votei contra a reforma não por ser contra, mas porque trará maior imposto de valor agregado do mundo. É por isso que nossa taxa de juros está tão descontrolada”, disse o senador.

O posicionamento do parlamentar difere da visão institucional da própria CNI, que manifestou apoio formal à modernização do sistema de tributos no país desde o início de sua tramitação no Congresso, no ano de 2023. Questionado por conselheiros da entidade empresarial sobre o tema, Flávio manteve a discordância.

O senador do PL também direcionou críticas à recente decisão do Banco Central que posicionou a taxa Selic no patamar de 14,25% na última quarta-feira, 17. Segundo a sua análise, o desequilíbrio fiscal na administração pública federal impacta negativamente a inflação e a taxa de juros do país.

“Vamos perseguir incansavelmente desburocratizar esse governo, com previsibilidade e enxugar despesas drasticamente para que possamos ter taxas de juros ‘bolsonarianas'”, disse.

Buscando a aprovação do empresariado, o parlamentar prometeu indicar um nome de formação técnica para comandar o Ministério da Economia, direcionando críticas ácidas ao atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a quem se referiu pelo apelido de “Taxad”. Ele indicou ainda que conta com a colaboração da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, para compor a equipe.

“A melhor política econômica que podemos fazer é perseguir o equilíbrio fiscal a todo custo. Não será difícil cortar despesas. Vou ter o melhor time de ministros que vocês já viram em suas vidas”, afirmou.

A rodada de discursos contou ainda com críticas ao papel do Poder Judiciário nas decisões do país, com Flávio Bolsonaro questionando as anulações de matérias legislativas pelo Supremo Tribunal Federal.

“Supremo parece mais uma delegacia de polícia, não uma corte constitucional”.

Ao final da agenda, a direção da CNI entregou aos postulantes — que também incluem o governador goiano Ronaldo Caiado — uma cartilha com as reformas defendidas pela indústria brasileira. Entre as propostas enviadas estão a correção de aposentadorias atrelada apenas aos índices inflacionários, a desvinculação dos investimentos mínimos obrigatórios para os setores de saúde e educação, além de alterações de valores no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a extinção gradual do abono salarial do PIS/Pasep.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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