ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro é investigada
A ONG Instituto Conhecer Brasil, investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares na prestação de contas de um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.
O contrato, no valor de R$ 108 milhões, tinha como objetivo a instalação de pontos de wi-fi gratuito em áreas periféricas da capital paulista.
Entidade é administrada por dona da produtora de Dark Horse
Segundo levantamento divulgado pelo g1, as inconsistências foram identificadas em documentos entregues pela entidade administrada pela jornalista e empresária Karina Ferreira da Gama.
Karina também é proprietária da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Notas canceladas teriam sido usadas na prestação de contas
De acordo com a apuração, a ONG teria utilizado notas fiscais milionárias canceladas no sistema da própria Prefeitura de São Paulo.
Além disso, também teriam sido apresentados recibos e documentos sem validade fiscal para justificar despesas de alto valor no contrato com a administração municipal.
Prestação de contas teve gastos sem comprovação regular
Em um dos casos apontados, uma única prestação de contas, referente ao período entre junho de 2024 e dezembro de 2025, apresentou gastos de até R$ 4,3 milhões sem comprovação fiscal regular.
As inconsistências passaram a ser analisadas no âmbito das investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
Nota fiscal cancelada precisa ser substituída
Pelas regras tributárias, uma nota fiscal cancelada deve ser substituída por um novo documento válido.
Essa substituição é necessária para garantir o recolhimento correto de impostos e permitir a fiscalização por parte dos órgãos competentes.
A ausência de emissão regular de nota fiscal pode configurar crime de sonegação fiscal.
Karina Ferreira diz desconhecer cancelamento de notas
Ao g1, Karina Ferreira afirmou que desconhecia o cancelamento de notas fiscais por parte de fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil.
A empresária também declarou que as inconsistências envolvendo documentos fiscais da própria ONG foram identificadas por ela.
Segundo Karina, os problemas “já estão sendo resolvidos” em uma nova prestação de contas que será entregue à administração municipal.
Prefeitura afirma que contrato é acompanhado com rigor
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil é acompanhado de forma rigorosa.
A administração municipal declarou que, até o momento, não há decisão definitiva ou processo administrativo que comprove irregularidades estruturais, desvios de recursos ou ilegalidades na execução do programa.
Gestão nega ligação entre contrato e filme sobre Bolsonaro
A gestão do prefeito Ricardo Nunes também ressaltou que o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil não possui qualquer ligação com a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
O caso segue em apuração pelos órgãos responsáveis.
