Mancha misteriosa segue sem explicação definitiva em Salvador
Quase três meses após o surgimento de manchas nas cores azul e amarelo na orla de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, o caso ainda não tem uma resposta definitiva.
A situação tem gerado prejuízos crescentes para moradores que dependem diretamente do mar para sobreviver.
Um trecho da orla de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, segue interditado após a identificação de líquidos de coloração azul e amarela na faixa de areia. A medida foi adotada pelo Inema, já que a área é frequentada por banhistas e pescadores. pic.twitter.com/U7Bk2jMMnP
— bnewsvideos (@bnewsvideos) March 4, 2026
Contaminação afetou pescadores, marisqueiras e comerciantes
A contaminação levou à interdição de trechos da praia e atingiu diretamente pescadores, marisqueiras, barraqueiros e moradores da região.
A estimativa é de que cerca de 800 famílias tenham sido impactadas pelos efeitos da contaminação e pela restrição do uso da área.
O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF).
Causa da contaminação ainda não foi definida
Apesar da repercussão, as investigações ainda não apontaram uma causa conclusiva para o aparecimento das manchas.
Inicialmente, moradores direcionaram críticas ao Terminal Itapuã, que atualmente opera com transporte de fertilizantes.
No entanto, análises preliminares levantaram a hipótese de relação com substâncias como cobre, manipuladas no local durante operações anteriores.
Disputa sobre responsabilidade ambiental ganha força
O impasse ganhou novos contornos após posicionamento da Gerdau, antiga operadora do terminal e ainda proprietária da estrutura.
Em resposta ao BNews, a empresa afirmou que “nenhuma análise técnica realizada foi conclusiva quanto às reais causas” da contaminação.
A companhia também reforçou que não reconhece responsabilidade pelo caso.
Gerdau diz que operação foi transferida em 2022
A Gerdau destacou que o terminal foi vendido em 2022 para a Intermarítima, com transferência da licença ambiental aprovada pelos órgãos reguladores.
Desde então, segundo a empresa, “a operação no local está sob responsabilidade única e exclusiva da nova operadora”.
A companhia também contestou a hipótese de passivo ambiental.
“A Gerdau refuta a tese de que há conclusões de que as manchas atuais configuram passivo histórico”, afirmou.
Empresa cita substância associada a contaminação recente
Outro ponto levantado pela Gerdau diz respeito à presença de Nitrogênio Amoniacal nas áreas afetadas.
Segundo a companhia, o composto é “associado a fontes recentes de contaminação”.
Para a empresa, esse fator indicaria que o problema teria ocorrido após sua saída da operação do terminal.
Histórico ambiental fez parte da negociação do terminal
A Gerdau informou ainda que, antes da venda do terminal, foram realizados estudos ambientais e intervenções na área.
Segundo a companhia, todos os relatórios foram apresentados à compradora e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
De acordo com a empresa, o processo seguiu a legislação ambiental, incluindo a Resolução nº 420/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que permitiu a transferência da licença.
Gerdau nega ocorrência semelhante em mais de 30 anos
A empresa afirmou que, durante mais de 30 anos de operação no terminal, “nunca houve uma contaminação ou ocorrência dessa magnitude” no local.
A declaração faz parte da tentativa da companhia de afastar a responsabilidade direta sobre o episódio registrado na praia de São Tomé de Paripe.
MP-BA tenta acordo para indenizar famílias afetadas
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu tratativas para tentar viabilizar um acordo que garanta reparação às famílias afetadas pela contaminação.
A Gerdau confirmou ao BNews que recebeu uma proposta inicial do órgão e apresentou uma contraproposta no último dia 8 de maio.
Empresa diz que pode contribuir sem reconhecer responsabilidade
Mesmo sem reconhecer responsabilidade pelo caso, a Gerdau afirmou que se colocou à disposição para contribuir com medidas de apoio.
Segundo a companhia, a iniciativa ocorre “por liberalidade e sem assunção de qualquer responsabilidade”.
Entre as possibilidades estão a participação em custos de investigação e medidas de auxílio à comunidade atingida.
Moradores seguem à espera de respostas
Enquanto a disputa sobre a responsabilidade ambiental continua, moradores de São Tomé de Paripe seguem convivendo com incertezas.
A ausência de uma conclusão definitiva mantém pescadores, marisqueiras, comerciantes e famílias da região em situação de prejuízo e insegurança sobre o futuro da atividade econômica ligada ao mar.
