sexta-feira, 22 maio 2026
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Mancha misteriosa em praia de Salvador vira disputa entre empresas e afeta 800 famílias

Quase três meses após o aparecimento de manchas azuis e amarelas na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, moradores seguem sem resposta definitiva sobre a contaminação, enquanto pescadores, marisqueiras e comerciantes acumulam prejuízos.

Mancha misteriosa segue sem explicação definitiva em Salvador

Quase três meses após o surgimento de manchas nas cores azul e amarelo na orla de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, o caso ainda não tem uma resposta definitiva.

A situação tem gerado prejuízos crescentes para moradores que dependem diretamente do mar para sobreviver.

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Contaminação afetou pescadores, marisqueiras e comerciantes

A contaminação levou à interdição de trechos da praia e atingiu diretamente pescadores, marisqueiras, barraqueiros e moradores da região.

A estimativa é de que cerca de 800 famílias tenham sido impactadas pelos efeitos da contaminação e pela restrição do uso da área.

O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF).

Causa da contaminação ainda não foi definida

Apesar da repercussão, as investigações ainda não apontaram uma causa conclusiva para o aparecimento das manchas.

Inicialmente, moradores direcionaram críticas ao Terminal Itapuã, que atualmente opera com transporte de fertilizantes.

No entanto, análises preliminares levantaram a hipótese de relação com substâncias como cobre, manipuladas no local durante operações anteriores.

Disputa sobre responsabilidade ambiental ganha força

O impasse ganhou novos contornos após posicionamento da Gerdau, antiga operadora do terminal e ainda proprietária da estrutura.

Em resposta ao BNews, a empresa afirmou que “nenhuma análise técnica realizada foi conclusiva quanto às reais causas” da contaminação.

A companhia também reforçou que não reconhece responsabilidade pelo caso.

Gerdau diz que operação foi transferida em 2022

A Gerdau destacou que o terminal foi vendido em 2022 para a Intermarítima, com transferência da licença ambiental aprovada pelos órgãos reguladores.

Desde então, segundo a empresa, “a operação no local está sob responsabilidade única e exclusiva da nova operadora”.

A companhia também contestou a hipótese de passivo ambiental.

“A Gerdau refuta a tese de que há conclusões de que as manchas atuais configuram passivo histórico”, afirmou.

Empresa cita substância associada a contaminação recente

Outro ponto levantado pela Gerdau diz respeito à presença de Nitrogênio Amoniacal nas áreas afetadas.

Segundo a companhia, o composto é “associado a fontes recentes de contaminação”.

Para a empresa, esse fator indicaria que o problema teria ocorrido após sua saída da operação do terminal.

Histórico ambiental fez parte da negociação do terminal

A Gerdau informou ainda que, antes da venda do terminal, foram realizados estudos ambientais e intervenções na área.

Segundo a companhia, todos os relatórios foram apresentados à compradora e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

De acordo com a empresa, o processo seguiu a legislação ambiental, incluindo a Resolução nº 420/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que permitiu a transferência da licença.

Gerdau nega ocorrência semelhante em mais de 30 anos

A empresa afirmou que, durante mais de 30 anos de operação no terminal, “nunca houve uma contaminação ou ocorrência dessa magnitude” no local.

A declaração faz parte da tentativa da companhia de afastar a responsabilidade direta sobre o episódio registrado na praia de São Tomé de Paripe.

MP-BA tenta acordo para indenizar famílias afetadas

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu tratativas para tentar viabilizar um acordo que garanta reparação às famílias afetadas pela contaminação.

A Gerdau confirmou ao BNews que recebeu uma proposta inicial do órgão e apresentou uma contraproposta no último dia 8 de maio.

Empresa diz que pode contribuir sem reconhecer responsabilidade

Mesmo sem reconhecer responsabilidade pelo caso, a Gerdau afirmou que se colocou à disposição para contribuir com medidas de apoio.

Segundo a companhia, a iniciativa ocorre “por liberalidade e sem assunção de qualquer responsabilidade”.

Entre as possibilidades estão a participação em custos de investigação e medidas de auxílio à comunidade atingida.

Moradores seguem à espera de respostas

Enquanto a disputa sobre a responsabilidade ambiental continua, moradores de São Tomé de Paripe seguem convivendo com incertezas.

A ausência de uma conclusão definitiva mantém pescadores, marisqueiras, comerciantes e famílias da região em situação de prejuízo e insegurança sobre o futuro da atividade econômica ligada ao mar.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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