quinta-feira, 1 outubro 2026

Prefeitura de Santo Estêvão é denunciada por suposto superfaturamento na compra de tablets

Representação protocolada no MPF aponta divergências entre os equipamentos previstos em contrato e os aparelhos entregues à saúde municipal.

Prefeitura de Santo Estêvão é alvo de denúncia no MPF

Uma representação formal protocolada no Ministério Público Federal (MPF) aponta possíveis irregularidades, fraude material e liquidação indevida de despesas na Prefeitura Municipal de Santo Estêvão, no centro-norte da Bahia.

O município é administrado pelo prefeito Tiago da Central (União Brasil).

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A denúncia envolve a compra de 150 tablets destinados à saúde municipal.

Compra de tablets soma quase R$ 320 mil

O questionamento gira em torno de um Pregão Eletrônico voltado ao fornecimento dos equipamentos.

O valor total da aquisição foi de R$ 319.999,50.

A representação foi formalizada pelo cidadão José Carlos Bastos Santana.

Denúncia aponta entrega de modelo inferior

Segundo a denúncia, a fornecedora teria entregue aparelhos Samsung Galaxy Tab A9+ Wi-Fi, modelo SM-X210.

No entanto, o termo de referência do certame e o contrato previam o fornecimento do modelo Samsung Galaxy Tab S6 Lite 4G.

De acordo com a representação, os aparelhos entregues possuem especificações inferiores às exigidas no processo de compra.

Divergências técnicas foram apontadas

A representação destaca diferenças operacionais consideradas relevantes entre o equipamento solicitado e o entregue.

Entre os pontos citados estão a ausência de suporte à rede móvel 4G, o que restringiria o uso dos aparelhos ao acesso por Wi-Fi.

O documento também menciona a falta de caneta digitalizadora, a S Pen, além da ausência de sensor de proximidade.

Processador e Bluetooth também são questionados

Ainda segundo a denúncia, o processador e a versão de Bluetooth dos aparelhos entregues teriam desempenho abaixo do previsto em edital.

Essas diferenças, conforme a representação, indicariam incompatibilidade entre o produto contratado e o produto efetivamente fornecido.

Apesar das inconformidades apontadas, a administração municipal teria quitado a fatura pelo valor unitário contratado para o modelo superior.

Valor unitário pago foi de R$ 2.133,33

A Prefeitura teria pago R$ 2.133,33 por unidade.

Esse valor corresponde ao modelo previsto originalmente no contrato.

No entanto, a denúncia afirma que o modelo entregue possuía valor de mercado inferior.

Representação estima dano de R$ 96,3 mil

Considerando a média de valor de mercado do modelo inferior na data de referência, a representação estima possível dano financeiro aos cofres públicos.

O documento aponta que o modelo entregue custaria, em média, R$ 1.491,08 em 15 de dezembro de 2025.

Com base nessa diferença, a denúncia calcula um suposto prejuízo direto de R$ 96.337,50.

Documentos apontam falhas na fiscalização

Os documentos apresentados também indicam possíveis falhas no trâmite administrativo.

Segundo a representação, o pagamento foi efetuado no mesmo dia da emissão das notas fiscais, em 5 de dezembro de 2025.

A denúncia afirma que isso ocorreu sem a emissão dos termos de recebimento provisório e definitivo exigidos pela legislação.

Relatórios teriam sido feitos após pagamento

A representação aponta que os relatórios de medição foram elaborados quatro dias após a liquidação financeira.

Os documentos teriam sido preenchidos em 9 de dezembro de 2025.

Além disso, segundo a denúncia, os formulários utilizados seriam referentes a outro processo, o Contrato C-238-2025, ligado a sistemas e-SUS PEC.

Fotos indicariam modelo diferente do contratado

A denúncia também menciona registros fotográficos produzidos pela própria fiscalização.

As imagens mostrariam caixas dos aparelhos identificadas com o modelo SM-X210 e o número de série R9XY800PE1J.

Para o autor da representação, esse dado reforçaria que os equipamentos não passaram por verificação prévia adequada antes da liberação do pagamento.

Recursos usados seriam federais do SUS

A transação teria utilizado recursos federais do Bloco de Estruturação do SUS, da Fonte 2601.

Os valores seriam originados da Emenda Parlamentar nº 91910015, vinculada à Proposta FNS nº 11996804000124002/2024.

Por envolver repasses federais da saúde, a representação pede apuração pela Procuradoria da República no Município de Feira de Santana.

Proposta previa 48 unidades, mas pagamento alcançou 150

Segundo a representação, a proposta aprovada pelo Ministério da Saúde previa a destinação de verba para 48 unidades.

Apesar disso, a quantia referente à totalidade dos 150 aparelhos teria sido debitada de uma conta vinculada na Caixa Econômica Federal.

O pagamento teria ocorrido em duas parcelas, nos valores de R$ 102.399,84 e R$ 217.599,66.

Denúncia pede atuação de órgãos de controle

O documento solicita que o caso seja apurado pelo MPF, com base na competência federal relacionada a recursos do SUS.

Também foi pedida a notificação da Controladoria-Geral da União (CGU), da Auditoria-Geral do SUS (AudSUS) e do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

A representação busca a análise da legalidade da despesa e da compatibilidade entre o objeto contratado e o material entregue.

Encaminhamento ao MP-BA e TCM também foi solicitado

Caso o Ministério Público Federal entenda que parte do montante não envolve competência federal, a representação pede o encaminhamento dos autos ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Também foi solicitado envio ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).

O objetivo seria a abertura de Tomada de Contas Especial em relação aos pontos que eventualmente fiquem fora da atribuição federal.

Caso aguarda análise do Ministério Público

A denúncia ainda deverá ser analisada pelo Ministério Público Federal.

A partir da representação, o órgão poderá solicitar documentos, ouvir os envolvidos e avaliar se houve irregularidade na contratação, no recebimento dos bens ou no pagamento.

Até a conclusão da apuração, os fatos permanecem sob investigação.

Por:  Rodrigo Tardio
www.atarde.com.br

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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