MP apura financiamento de R$ 18 milhões em Santa Bárbara
A Promotoria de Justiça local instaurou um procedimento para apurar a legalidade de um financiamento de até R$ 18 milhões autorizado pela Prefeitura de Santa Bárbara.
O município é administrado pelo prefeito Edifrâncio Oliveira (PSD).
A investigação busca verificar se a operação de crédito cumpre as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal e das normas de direito financeiro.
Recursos seriam usados em energia solar
O financiamento foi oficializado pela Lei Municipal nº 709/2025.
Segundo a finalidade declarada pela gestão municipal, os recursos seriam destinados à instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica em prédios públicos e escolas da rede municipal.
O Ministério Público deverá analisar a real aplicação dos valores, as condições do contrato e os possíveis impactos aos cofres públicos.
Promotoria vai avaliar juros e cláusulas do contrato
Entre os pontos que serão avaliados estão as taxas de juros previstas na operação.
A Promotoria também deve examinar as cláusulas operacionais do financiamento.
Outro foco da apuração será a existência de eventual risco de dano ao patrimônio público.
Operação já havia provocado debate político
A operação de crédito já tinha provocado forte embate político na Câmara Municipal em dezembro de 2025.
Na ocasião, o projeto enviado pelo Poder Executivo foi aprovado por maioria.
A votação ocorreu sob protestos de vereadores da oposição.
Prefeitura defendeu vínculo com eficiência energética
Diante das críticas, a administração municipal sustentou que os recursos seriam vinculados exclusivamente a projetos de eficiência energética.
Segundo a Prefeitura, a economia gerada nas faturas de eletricidade seria suficiente para amortizar as parcelas do empréstimo.
A gestão também afirmou que o financiamento não comprometeria os cofres públicos.
Projeto prevê instalação em escolas e prédios públicos
De acordo com informações apresentadas pela gestão municipal em dezembro do ano passado, o montante deveria ser utilizado na instalação de sistemas fotovoltaicos em imóveis públicos.
A previsão inclui escolas, postos de saúde e prédios administrativos.
A iniciativa tem como justificativa reduzir despesas com energia elétrica e modernizar a estrutura pública do município.
Município já havia aprovado autorização semelhante
A pauta não é nova em Santa Bárbara.
Em 2022, a Lei Municipal nº 629 já havia concedido autorização para que o Poder Executivo contratasse operação de crédito com a mesma finalidade.
Segundo o governo local, a nova proposta foi apresentada para adequar o texto às normas vigentes exigidas pela instituição financeira credora.
Nova lei buscou evitar duplicidade normativa
De acordo com a Prefeitura, a nova proposição também prevê a revogação da lei anterior.
A justificativa apresentada foi evitar duplicidade normativa.
Com ampla base aliada na Câmara, o Executivo projetava aprovar o texto em regime de urgência urgentíssima sem grandes obstáculos políticos.
Prefeito tem apoio da maioria dos vereadores
O prefeito Edifrâncio Oliveira conta com apoio de 10 dos 11 vereadores da Câmara Municipal.
Essa composição política favorece a tramitação de projetos enviados pelo Executivo.
Apesar disso, a operação passou a ser alvo de apuração por parte do Ministério Público.
Viabilidade financeira será ponto central
Mesmo com facilidade de aprovação no Legislativo, o financiamento levanta questionamentos econômicos e técnicos.
O principal ponto de atenção é o equilíbrio entre a dívida assumida e o retorno financeiro esperado.
Para que a medida seja vantajosa, a redução na conta de energia precisa superar os juros, as taxas e o valor das parcelas do empréstimo.
Financiamento pode pesar no orçamento
Caso a economia nas faturas demore mais do que o previsto para compensar as prestações, o financiamento pode se tornar um encargo pesado para o orçamento municipal.
Esse risco existe especialmente no curto e no médio prazo.
Por isso, a análise da viabilidade financeira será uma etapa importante da apuração.
Erros de dimensionamento podem comprometer economia
Entre os fatores de risco apontados está a possibilidade de erro no dimensionamento dos sistemas de energia solar.
Se a geração de energia for inferior à demanda estimada, a economia obtida pode não ser suficiente para cobrir o custo das parcelas bancárias.
Esse cenário poderia reduzir ou até anular o benefício financeiro esperado com o projeto.
Custos imprevistos também preocupam
Outro ponto de atenção envolve eventuais custos imprevistos.
Falhas na instalação, necessidade de ajustes técnicos ou despesas com manutenção periódica dos painéis solares podem aumentar o custo total da operação.
Esses fatores podem afetar o retorno financeiro planejado pela gestão municipal.
Conexão com distribuidora pode gerar gargalos
A operação também pode enfrentar problemas relacionados à conexão dos sistemas à rede de energia.
Divergências na compensação de créditos junto à concessionária, suspensões operacionais ou atrasos na autorização de funcionamento podem comprometer a economia projetada.
Esses gargalos serão relevantes para avaliar a eficiência prática do investimento.
Caso seguirá sob análise do Ministério Público
Com a abertura do procedimento, o Ministério Público deverá reunir informações sobre a contratação, a justificativa técnica, a capacidade de pagamento do município e os riscos ao erário.
A apuração também deve verificar se a operação atende às normas fiscais e financeiras aplicáveis.
O caso seguirá em análise pela Promotoria de Justiça local.
Por: Rodrigo Tardio
www.atarde.com.br