segunda-feira, 3 agosto 2026

Ibicuí é investigada por repasses de R$ 4,5 milhões via Pix a empresa de música

Denúncia no TCM-BA aponta suspeitas em contratos firmados pela Prefeitura de Ibicuí entre 2023 e 2026 com empresa cuja atividade principal é produção musical.

Ibicuí é alvo de investigação por repasses via Pix

A Prefeitura de Ibicuí, no sudoeste da Bahia, virou alvo do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) após denúncias envolvendo pagamentos via Pix a uma empresa contratada pela gestão municipal.

Segundo a denúncia, a empresa não teria capacidade técnica e estrutural para prestar parte dos serviços para os quais foi contratada.

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Ao todo, os repasses teriam somado R$ 4.546.466,08, por meio de contratos firmados entre 2023 e 2026.

Denúncias envolvem duas gestões municipais

As denúncias abrangem as gestões do ex-prefeito Marcos Galvão (PSD) e do atual prefeito Salomão Cerqueira (PSD).

Ibicuí,investigada por repasses
Ex-prefeito de Ibicuí, Marcos Galvão
| Foto: Reprodução/Instagram @marcosbregalight

Conforme a queixa apresentada ao TCM-BA, uma única microempresa, a Julio Herminio Luz LTDA, teria sido beneficiada após vencer os últimos três pregões eletrônicos e firmar contrato com a Prefeitura de Ibicuí.

Ibicuí,investigada por repasses
Prefeito de Ibicuí, Salomão Cerqueira
| Foto: Reprodução/Instagram @salomaobritocerqueira

Serviços contratados eram diversos

Os serviços previstos nos contratos são variados e incluem segurança e ornamentação de espaços públicos, alimentação e lanches, limpeza, suporte de camarim, hospedagem, mídia, publicidade, fotografia e imagens aéreas.

A denúncia sustenta que a diversidade dos serviços contratados exigiria estrutura técnica, operacional e documental compatível com as atividades.

Empresa teria produção musical como atividade principal

Segundo levantamento citado na denúncia, a empresa alvo do caso tem sede na cidade de Iguaí, foi fundada em julho de 2018 e possui como principal atividade econômica a produção musical.

O nome fantasia da empresa é “Maderada é Show”.

Entre as atividades econômicas secundárias aparecem estacionamento de veículos, consultoria em gestão empresarial, aluguel de móveis, utensílios e aparelhos de uso doméstico e pessoal, além de instrumentos musicais.

Também constam aluguel de palcos, coberturas e outras estruturas temporárias, serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas, ensino de artes cênicas e ensino de música.

Denúncia aponta ausência de licenças obrigatórias

De acordo com a denúncia, a empresa não teria aptidão técnica em seu objeto social nem estrutura física suficiente para executar a maior parte dos serviços contratados.

Além disso, a queixa aponta a ausência de licenças obrigatórias para algumas atividades.

Entre elas estariam autorização da Polícia Federal para segurança patrimonial, registro no CADASTUR para hospedagem hoteleira e licenciamento sanitário para fornecimento de alimentação coletiva.

Pagamentos via Pix são questionados

Outro ponto destacado na denúncia é a realização de pagamentos via Pix.

Segundo a queixa, esse tipo de repasse teria ocorrido sem controle interno adequado e sem rastreabilidade suficiente, o que poderia afrontar os princípios da publicidade e da eficiência na administração pública.

Denúncia cita outras supostas irregularidades

A denúncia apresentada ao TCM-BA também aponta suspeitas de fraude à competitividade nos pregões eletrônicos.

Entre os indícios citados estão relatos de desclassificações direcionadas e “lances de cobertura”.

O documento também menciona suposta subcontratação total dissimulada, com execução dos serviços por pessoas físicas e jurídicas não identificadas.

Queixa aponta sobrepreço e falta de fiscalização

A denúncia ainda cita indícios de sobrepreço e ausência de fiscalização adequada por parte da Prefeitura de Ibicuí.

Segundo o relato apresentado ao Tribunal, teria havido faturamento acima do valor de mercado e pagamentos automáticos de notas fiscais sem a devida comprovação da prestação dos serviços.

Pedido de suspensão foi negado pelo relator

A denúncia solicitou ao TCM-BA a suspensão imediata dos contratos e pagamentos por meio de medida cautelar.

No entanto, o relator do caso, conselheiro Nelson Pellegrino, negou o pedido.

Uma das razões apontadas foi a ausência de documentação mais completa.

Segundo o conselheiro, a denúncia continha apenas cópias parciais de publicações, sem a íntegra dos processos administrativos e dos contratos.

TCM aponta competência da Câmara Municipal

Além da falta de documentação integral, o Tribunal entendeu que a interrupção de contratos já celebrados cabe à Câmara Municipal de Ibicuí.

Segundo o entendimento, o Legislativo municipal deve solicitar à Prefeitura as medidas cabíveis caso considere necessário.

Prefeito, ex-prefeito e empresa devem apresentar defesa

Mesmo com a negativa da cautelar, o conselheiro Nelson Pellegrino determinou a notificação do prefeito Salomão Cerqueira e do ex-prefeito Marcos Galvão de Assis.

Também devem ser notificados secretários municipais e a empresa envolvida.

Os citados terão prazo de 20 dias para apresentar defesa.

Documentos integrais deverão ser enviados ao TCM-BA

Além das manifestações de defesa, os envolvidos também deverão entregar cópia integral dos processos licitatórios e dos pagamentos realizados.

A apuração seguirá no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, que deverá analisar os documentos, os contratos e a regularidade dos repasses feitos pela Prefeitura de Ibicuí.

Por: Yuri Abreu
www.atarde.com.br

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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