Ex-sócio de Vorcaro deve depor à PF sobre relação do Banco Master com Jaques Wagner
O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, deverá prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (16), no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo as informações sobre a investigação, Lima é apontado como um dos principais elos entre a instituição financeira e o senador Jaques Wagner (PT-BA).
A oitiva faz parte das apurações sobre suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu núcleo familiar, além de possíveis irregularidades relacionadas ao CredCesta, programa de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam comprovação de envolvimento do senador em práticas criminosas.
Polícia Federal investiga transferência de R$ 3,5 milhões
Um dos principais pontos analisados pelos investigadores envolve uma movimentação financeira de R$ 3,5 milhões realizada em outubro de 2025.
O dinheiro teria sido transferido pela PKL One Participações, empresa ligada a Augusto Lima e ao CredCesta, para a BN Financeira, vinculada a familiares de Jaques Wagner.
Segundo as suspeitas investigadas pela Polícia Federal, a operação poderia ter sido utilizada para ocultar o pagamento de vantagens indevidas.
A origem dos recursos, a finalidade da transferência e a eventual existência de irregularidades estão entre os elementos que deverão ser esclarecidos durante a apuração.
Empresa beneficiada tem ligação com familiares do senador
A BN Financeira possui ligação com Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner.
Ela é esposa de Eduardo Sodré, enteado do parlamentar e secretário de Meio Ambiente da Bahia.
A relação familiar passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores, especialmente diante das suspeitas relacionadas à movimentação financeira de outubro de 2025.
Até o momento, a existência de vínculos familiares ou empresariais não comprova, isoladamente, qualquer participação em irregularidades.
PF apura possível favorecimento ao Banco Master
Outra frente da investigação busca esclarecer se Jaques Wagner teria utilizado sua influência política e atuação no Congresso Nacional para favorecer interesses do Banco Master.
Entre os assuntos analisados estão propostas legislativas relacionadas ao mercado de crédito consignado e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Os investigadores procuram verificar se houve alguma relação entre a atuação parlamentar e eventuais benefícios oferecidos por pessoas ligadas à instituição financeira.
As suspeitas dependem de comprovação e seguem sob análise das autoridades competentes.
Apartamento de R$ 2,5 milhões e viagens estão entre suspeitas
A investigação também examina informações sobre possíveis vantagens que teriam sido oferecidas ao senador ou a pessoas de seu círculo familiar.
Entre os benefícios mencionados estão um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, viagens em aeronaves particulares e ingressos para apresentações musicais internacionais.
A Polícia Federal busca esclarecer a eventual origem desses benefícios e verificar se possuem relação com interesses empresariais investigados no caso Banco Master.
Não há, nas informações apresentadas, comprovação definitiva de que essas vantagens tenham sido recebidas de maneira irregular.
Investigação identificou 74 ligações entre Augusto Lima e Wagner
Outro elemento examinado pela Polícia Federal é o histórico de contatos telefônicos entre Augusto Lima e Jaques Wagner.
Segundo os dados citados na investigação, foram identificadas 74 ligações entre o empresário e o senador no período de novembro de 2023 a maio de 2025.
Somadas, as conversas ultrapassaram cinco horas e meia de duração.
Os investigadores também analisam mensagens relacionadas à possível disponibilização de aeronaves particulares para deslocamentos do parlamentar e de familiares.
O conteúdo dos contatos e sua eventual relação com os fatos investigados são pontos relevantes para a apuração.
Proposta de delação de Vorcaro citou pagamentos mensais
As suspeitas ganharam novos desdobramentos em setembro, quando vieram a público informações de uma proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro.
O documento mencionava supostos pagamentos de até R$ 3 milhões mensais a pessoas ligadas ao grupo político de Jaques Wagner.
Segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro, os valores estariam associados a operações envolvendo o CredCesta.
A proposta de colaboração, entretanto, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Vorcaro afirmou não ter presenciado os supostos acordos
Um aspecto importante do relato é que Daniel Vorcaro afirmou não ter participado diretamente nem presenciado os supostos acertos financeiros.
As informações apresentadas teriam sido repassadas a ele por Augusto Lima.
Dessa forma, as alegações não constituem, por si só, comprovação da existência dos pagamentos mencionados.
As autoridades deverão avaliar os elementos disponíveis para determinar se há fundamento nas suspeitas relacionadas às operações financeiras.
Relação entre Wagner e Augusto Lima começou em 2017
A relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima remonta a 2017, período em que o petista ocupava uma secretaria do governo estadual da Bahia.
Na ocasião, Wagner participou de negociações envolvendo a rede Cesta do Povo.
Posteriormente, Augusto Lima passou a atuar no segmento de crédito consignado por meio do CredCesta.
O negócio ganhou relevância no mercado de empréstimos destinados a servidores públicos baianos e passou a integrar as apurações relacionadas ao Banco Master.
O histórico dessa relação também está entre os aspectos considerados pelos investigadores.
CredCesta está entre os focos da Operação Compliance Zero
O CredCesta, programa de crédito consignado voltado aos servidores públicos da Bahia, aparece em diferentes pontos das informações investigadas.
As suspeitas envolvem possíveis conexões entre operações do programa, movimentações empresariais e interesses ligados ao Banco Master.
A Polícia Federal busca esclarecer a natureza dessas relações e verificar se houve utilização indevida de estruturas financeiras ou influência política.
O depoimento de Augusto Lima deverá contribuir para a análise das operações e dos vínculos entre os envolvidos.
Jaques Wagner nega irregularidades e pagamentos indevidos
O senador Jaques Wagner nega ter recebido vantagens indevidas ou utilizado sua atuação política para beneficiar o Banco Master.
O parlamentar também rejeitou as acusações relacionadas aos supostos pagamentos mensais atribuídos a pessoas de seu grupo político.
Segundo Wagner, essas alegações são falsas.
O senador afirmou ainda que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários sobre os fatos investigados.
Depoimento pode esclarecer movimentações financeiras
A oitiva de Augusto Lima está prevista para esta sexta-feira (16) e ocorre em meio ao aprofundamento das investigações da Operação Compliance Zero.
Entre os pontos que poderão ser esclarecidos estão a transferência de R$ 3,5 milhões, os contatos mantidos com Jaques Wagner e as operações vinculadas ao CredCesta.
A Polícia Federal também deverá continuar analisando os elementos financeiros e documentais relacionados ao caso Banco Master.
Até o momento, as suspeitas relatadas permanecem em investigação. Não há, nas informações apresentadas, condenação ou comprovação de participação de Jaques Wagner nos crimes apurados.