quinta-feira, 15 outubro 2026

Fim da escala 6×1 pode custar R$ 267 bilhões às empresas, alerta CNI

Confederação Nacional da Indústria estima aumento dos custos empresariais e redução de 0,7% do PIB após aprovação da PEC no Senado.

Fim da escala 6×1 pode gerar impacto de R$ 267 bilhões nas empresas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com os possíveis impactos econômicos do fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Senado Federal na quarta-feira (14).

Segundo estimativas divulgadas pela entidade, a redução da jornada de trabalho poderá elevar os custos do setor empresarial em R$ 267,2 bilhões.

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A confederação também projeta uma possível retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, equivalente a R$ 76,9 bilhões.

Os números representam projeções da CNI sobre os efeitos da mudança, e não impactos econômicos já registrados.

Presidente da CNI critica aprovação da proposta

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a medida poderá comprometer a competitividade das empresas brasileiras e provocar pressões sobre os preços.

Em comunicado divulgado à imprensa, o dirigente defendeu a possibilidade de o Congresso Nacional reavaliar a mudança caso os efeitos econômicos previstos se confirmem.

“Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, afirmou Ricardo Alban.

A entidade considera que o processo de discussão da proposta não contemplou suficientemente os impactos sobre a atividade produtiva.

CNI afirma que faltou debate com o setor empresarial

Ricardo Alban classificou o avanço da medida como um “retrocesso” e questionou a velocidade de aprovação da proposta.

Segundo ele, uma mudança dessa dimensão deveria ser acompanhada por discussões mais amplas com representantes das empresas e da sociedade.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, disse Ricardo Alban no comunicado.

O presidente da confederação argumenta que a nova jornada poderá exigir adaptações significativas nas atividades industriais.

Indústria aponta riscos para produtividade e competitividade

Na avaliação da CNI, a economia brasileira já enfrenta desafios relacionados à produtividade e à competitividade no mercado internacional.

A entidade também destaca a elevada carga tributária e as taxas de juros como fatores que pressionam os custos de produção.

Segundo a confederação, a redução da jornada semanal poderá ampliar essas dificuldades, especialmente em atividades que dependem de escalas contínuas e processos industriais organizados por turnos.

As empresas também poderão precisar reorganizar equipes, revisar horários e adaptar processos produtivos para atender às novas exigências.

Confederação alerta para possível insegurança jurídica

Outro ponto levantado pela CNI envolve a adaptação das empresas às mudanças na legislação trabalhista.

A entidade avalia que a nova emenda constitucional poderá gerar dúvidas sobre a reorganização das jornadas e os procedimentos necessários para adequação das escalas.

A preocupação está relacionada principalmente à necessidade de manter o funcionamento das operações com uma carga horária semanal menor.

Esses efeitos poderão variar conforme o setor econômico, a atividade desenvolvida e a estrutura de pessoal de cada empresa.

Senado aprovou fim da escala 6×1 por ampla maioria

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1 foi aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14).

A discussão teve início às 14h, antes de o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encaminhar a matéria para votação em plenário.

No segundo turno, a proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário.

O único voto contrário foi registrado pelo senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro.

No primeiro turno, a votação ocorreu por orientação das bancadas.

O que muda com o fim da escala 6×1?

A proposta estabelece a substituição do regime tradicional de seis dias trabalhados e um dia de descanso por uma jornada com dois dias de folga remunerada por semana.

Também prevê a redução gradual da carga horária máxima semanal, atualmente de 44 horas, para 40 horas.

A mudança deverá ocorrer em etapas, com preservação dos salários.

O texto não determina que a nova jornada seja implementada integralmente logo após sua publicação.

Primeira etapa: jornada cai para 42 horas semanais

  • Conforme o cronograma previsto na proposta, a primeira alteração ocorrerá 60 dias após a publicação da emenda constitucional.
  • Nessa fase, a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais.
  • Os trabalhadores também passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana.
  • Uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
  • A redução da carga horária não poderá resultar em diminuição salarial.

Segunda etapa: jornada passa para 40 horas semanais

A implementação definitiva ocorrerá 14 meses após a publicação da emenda constitucional.

Nessa etapa, o limite semanal será reduzido de 42 para 40 horas.

Os dois dias de descanso remunerado continuarão assegurados, assim como a preservação dos salários.

Com isso, estará concluído o período de transição estabelecido pela PEC.

Trabalhadores terão dois dias de folga por semana

Entre as principais alterações previstas pela proposta estão a ampliação do descanso semanal e a redução das horas de trabalho.

A nova regra estabelece:

  • Fim da escala 6×1: substituição do regime de seis dias de trabalho e um de descanso por duas folgas semanais;
  • Jornada reduzida: limite máximo de 40 horas semanais após o período de transição;
  • Salário preservado: proibição de redução da remuneração em razão da diminuição da jornada;
  • Limite diário: manutenção da jornada normal de oito horas, com possibilidade de compensação conforme as regras aplicáveis;
  • Descanso remunerado: garantia de pelo menos dois dias de folga por semana.

As mudanças dependerão da entrada em vigor da emenda constitucional e do cumprimento do cronograma previsto.

As duas folgas precisam ser consecutivas?

Não. O texto aprovado não estabelece a obrigatoriedade de que os dois dias de descanso sejam concedidos de forma consecutiva.

Dessa maneira, a organização das folgas poderá variar conforme as escalas e as necessidades operacionais das atividades, respeitadas as disposições constitucionais e trabalhistas aplicáveis.

Uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.

Mudança ainda depende de promulgação

Após a aprovação pelo Senado, a proposta segue para a etapa de promulgação, considerando que o texto foi mantido conforme a versão aprovada pela Câmara dos Deputados.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, não há necessidade de sanção presidencial.

As novas regras passarão a produzir efeitos de acordo com os prazos estabelecidos na própria emenda, após sua promulgação e publicação.

Enquanto isso, a CNI mantém sua posição crítica à redução da jornada, argumentando que a medida poderá aumentar os custos empresariais e afetar a competitividade da indústria brasileira.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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