Vereadores trocam acusações na Câmara de Salvador por investigação de ônibus parados nas eleições
A proposta de investigar a retenção de ônibus do transporte público de Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou um confronto verbal entre vereadores na Câmara Municipal, nesta terça-feira (3).
O desentendimento envolveu Sidninho (PP), integrante da base do prefeito Bruno Reis (União Brasil), e Randerson Leal (Podemos), líder da oposição na Casa.
A discussão começou após Sidninho questionar o anúncio de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os problemas registrados no transporte coletivo no domingo, 25 de outubro, quando ocorreu a votação presidencial.
O vereador governista acusou Randerson de anunciar uma investigação sem reunir as assinaturas necessárias para formalizar o pedido.
O oposicionista rebateu as críticas, exigiu respeito e afirmou que a população de Salvador espera esclarecimentos sobre o episódio, que também motivou determinações da Justiça Eleitoral e fiscalização do Procon-BA.
Sidninho acusa Randerson Leal de mentir sobre abertura de CEI
Durante a sessão, Sidninho questionou a afirmação de Randerson Leal de que solicitaria a instalação de uma comissão para investigar a retenção de ônibus.
Segundo o parlamentar da base governista, o pedido ainda não havia sido protocolado na Câmara Municipal.
Sidninho destacou que são necessárias 14 assinaturas de vereadores para formalizar a proposta e desafiou a oposição a demonstrar que possui o apoio exigido.
“Uma pequena parte da população esqueceu que a eleição acabou. Eu quero saber quem é o mentiroso da eleição que sinalizou que protocolou uma CEI. Para uma CEI ser protocolada, [são necessárias] 14 assinaturas. Mentira que foi protocolada! Mentira que tem assinaturas! Estamos aqui para trabalhar pelo objetivo do Legislativo. Eu desafio qualquer vereador desta Casa que consiga protocolar a CEI. Um prefeito que entrega, um prefeito que é humano, que já mostrou nos últimos seis anos o que tem feito na cidade”, declarou.
A fala foi direcionada ao líder da oposição e provocou uma reação imediata no plenário.
Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação de que a comissão tivesse sido formalmente instalada.
▶ Vereadores entram em bate-boca sobre CEI para investigar retenção de ônibus nas eleições
🎥Reprodução/ TV Câmara de Salvador
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Vereador da base de Bruno Reis reclama de ataques nas redes sociais
Além de questionar a proposta de investigação, Sidninho afirmou que passou a sofrer críticas intensas nas redes sociais após os acontecimentos relacionados à eleição.
Segundo ele, grupos organizados estariam utilizando estratégias digitais para atacar sua atuação parlamentar e a administração do prefeito Bruno Reis.
O vereador afirmou que precisou restringir interações em seu perfil no Instagram devido ao volume de manifestações contrárias.
“Esse vereador mentiroso, nos últimos dez dias tive que bloquear meu Instagram, que tem esquema pesado, militância pesada e robótica confirmando no mentiroso do Randerson Leal. Vossa Excelência tem que entender de que lado vai jogar, amigo. Quero uma resposta e não minta”, disse.
As declarações sobre suposta atuação coordenada nas redes sociais foram apresentadas pelo vereador, sem comprovação detalhada nas informações divulgadas.
Randerson Leal exige respeito durante discussão
Randerson Leal reagiu às acusações e criticou a postura adotada pelo colega durante a sessão.
O líder da oposição afirmou que divergências partidárias devem ser tratadas no campo político, sem ataques pessoais entre os integrantes do Legislativo.
“Acho que o colega está muito raivoso. E tem que ter respeito, independentemente de sua posição partidária. A gente debate no campo político. Se Vossa Excelência não tem altura para debater politicamente, então não venha aqui atingir qualquer vereador”, rebateu.
O vereador também sustentou que a discussão sobre a comissão não deveria desviar a atenção da necessidade de esclarecer os problemas enfrentados pelos eleitores no dia da votação.
Oposição afirma que população quer esclarecimentos sobre ônibus
Durante sua resposta, Randerson Leal defendeu a investigação da retenção de ônibus e afirmou que a população de Salvador tem direito de conhecer as circunstâncias que provocaram a redução da circulação de veículos.
O parlamentar também rebateu as cobranças de Sidninho sobre a quantidade de assinaturas reunidas para a abertura da CEI.
“Se Vossa Excelência quer saber quem assinou, vai procurar a liderança da Casa. Não sou presidente. Não tem um vereador sequer que pode falar que sou mentiroso. O povo de Salvador quer isso, não quer picuinha”, acrescentou Randerson.
O oposicionista argumenta que a apuração deve esclarecer se houve falhas operacionais ou alguma atuação deliberada que tenha prejudicado o transporte público durante o segundo turno.
A criação da comissão, entretanto, depende do cumprimento das exigências regimentais da Câmara Municipal.
Discussão termina com novas acusações de Sidninho
Mesmo após a resposta do líder da oposição, Sidninho voltou a questionar a existência das assinaturas necessárias para formalizar a investigação.
O vereador comparou o confronto no plenário a um debate eleitoral e insistiu em acusar Randerson de apresentar informações incorretas.
“Parece debate na campanha. Um fala uma coisa coerente e o outro não responde com nada. No momento oportuno, quero ver as assinaturas, porque Vossa Excelência é mentiroso”, afirmou.
O episódio evidenciou a tensão política entre integrantes da base governista e da oposição após os problemas registrados na operação dos ônibus durante a eleição presidencial.
Entenda a proposta de investigação dos ônibus em Salvador
A discussão teve origem em uma iniciativa anunciada por Randerson Leal na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições.
Na ocasião, o vereador informou que solicitaria a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito para investigar a retenção de veículos nas garagens das empresas de transporte coletivo.
Segundo dados inicialmente apresentados pelo parlamentar, pelo menos 75 ônibus teriam deixado de circular em Salvador.
O objetivo da comissão seria esclarecer as causas da redução da frota, identificar eventuais responsabilidades e verificar se houve interferência no acesso dos eleitores aos locais de votação.
A proposta também prevê a investigação das circunstâncias da viagem internacional do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, durante o período eleitoral.
O anúncio da CEI, porém, não significa que a comissão já tenha sido instalada ou que as denúncias tenham sido comprovadas.

| Foto: Reprodução / Bahia Notícias
Procon-BA encontrou 544 ônibus parados em cinco garagens
O caso ganhou maior repercussão após uma fiscalização realizada pelo Procon-BA no domingo (25).
Durante a operação, fiscais identificaram 544 ônibus estacionados em cinco garagens de empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Salvador.
A fiscalização ocorreu após denúncias de eleitores sobre dificuldades para utilizar o serviço, que deveria funcionar gratuitamente durante o segundo turno.
A quantidade de veículos encontrados nas garagens ampliou os questionamentos sobre a operação do sistema.
Entretanto, a presença de ônibus estacionados, isoladamente, não comprova que todos deveriam estar em circulação naquele momento ou que houve retenção deliberada.
A apuração busca esclarecer as condições operacionais e as razões pelas quais os veículos permaneceram nas garagens.

| Foto: Reprodução / Leitor BN
Justiça Eleitoral determinou restabelecimento da frota
Diante das denúncias, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou providências para normalizar o transporte público de Salvador.
A decisão exigiu o restabelecimento integral da frota, com frequência equivalente à praticada nos dias úteis, além da garantia de gratuidade para os eleitores.
O objetivo era assegurar que a população tivesse condições de se deslocar até os locais de votação.
Durante a crise, também foi determinada a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em viagem a Paris, na França.
A ordem de prisão foi posteriormente revogada, conforme os desdobramentos divulgados sobre o caso.
As medidas adotadas pela Justiça Eleitoral ocorreram em meio à necessidade de garantir o funcionamento do transporte durante a votação.
PT denunciou redução da frota à Justiça Eleitoral
O Partido dos Trabalhadores apresentou uma denúncia à Justiça Eleitoral sobre os problemas registrados na circulação dos ônibus.
A legenda questionou se a retirada de veículos das ruas poderia ter prejudicado a mobilidade dos eleitores durante o segundo turno presidencial.
Salvador registrou ampla vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na votação.
O presidente reeleito recebeu 1.154.072 votos, equivalentes a 73,24% dos votos válidos na capital baiana.
Flávio Bolsonaro (PL) obteve 421.752 votos, correspondentes a 26,76%.
A oposição municipal questiona se a redução do transporte poderia ter ocorrido de maneira sistemática, com consequências para o deslocamento dos eleitores.
Até o momento, contudo, não há comprovação definitiva de que a operação dos ônibus tenha sido alterada com a finalidade de interferir no resultado eleitoral.
Bruno Reis atribuiu atrasos a problemas operacionais e mobilizações políticas
O prefeito Bruno Reis apresentou uma explicação diferente para os problemas identificados no transporte coletivo.
Segundo o gestor, os atrasos na saída dos veículos decorreram de dificuldades operacionais nas garagens e de mobilizações políticas.
Imagens divulgadas após o episódio mostraram pessoas aplicando adesivos partidários em ônibus estacionados.
A Prefeitura argumentou que essas situações contribuíram para comprometer a regularidade da operação.
A oposição, por outro lado, passou a cobrar esclarecimentos sobre a dimensão dos atrasos, a quantidade de veículos afetados e a responsabilidade pela organização do serviço.
As versões apresentadas integram a controvérsia que motivou o pedido de investigação legislativa.
Sindicato dos Rodoviários nega responsabilidade pela retenção
O Sindicato dos Rodoviários de Salvador também se manifestou sobre as acusações relacionadas ao episódio.
Na sexta-feira (30), a entidade divulgou uma nota negando responsabilidade pelos problemas na circulação dos ônibus durante o segundo turno.
A manifestação ocorreu após a divulgação de gravações atribuídas ao presidente interino da categoria, Fábio Primo.
Os áudios mencionavam orientações relacionadas à distribuição e à aplicação de adesivos partidários em veículos estacionados nas garagens.
As gravações também envolviam integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), conforme as informações divulgadas pela imprensa.
O sindicato rejeitou as acusações e afirmou que não aceitará responsabilizações sem comprovação.
A entidade também defendeu a apuração transparente dos acontecimentos.
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CEI poderá investigar responsabilidades e falhas no transporte
Caso seja formalmente instalada, a Comissão Especial de Inquérito poderá examinar os acontecimentos relacionados à operação do transporte coletivo no dia da eleição.
A investigação legislativa poderá buscar esclarecimentos sobre as condições de funcionamento das garagens, as decisões administrativas e os procedimentos adotados pelas empresas e pelo poder público municipal.
Também poderá analisar as circunstâncias da viagem do secretário Pablo Souza ao exterior.
A instalação da comissão dependerá da apresentação de requerimento com o número mínimo de assinaturas e do cumprimento das regras regimentais.
As conclusões de uma eventual investigação precisarão ser fundamentadas nas provas e informações reunidas durante os trabalhos.
Bate-boca expõe tensão política após eleições de 2026
A discussão entre Sidninho e Randerson Leal demonstra que os acontecimentos do segundo turno continuam repercutindo no Legislativo de Salvador.
De um lado, a oposição insiste na necessidade de apurar a retenção de ônibus e esclarecer se houve falhas ou interferências deliberadas na operação do transporte.
De outro, integrantes da base do prefeito Bruno Reis questionam a condução política da iniciativa e cobram a formalização do pedido de investigação.
O episódio envolve denúncias de eleitores, fiscalização do Procon-BA, determinações da Justiça Eleitoral e versões divergentes sobre as causas dos problemas.
Até o momento, a instalação da CEI não havia sido confirmada nas informações divulgadas.
A definição sobre a abertura da comissão dependerá das articulações na Câmara Municipal e do cumprimento das exigências necessárias para iniciar a investigação parlamentar.