Flávio Bolsonaro altera carta e retira expressão “presidente eleito” após derrota para Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alterou uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), na qual questiona o resultado das eleições presidenciais de 2026 e contesta a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na primeira versão do documento, compartilhada por um aliado político, Flávio se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado no segundo turno, realizado no domingo (25).
Após a repercussão, uma nova versão da carta foi distribuída com mudanças no texto. Em um dos parágrafos, a expressão “presidente eleito” foi substituída por “líder”.
O documento também passou por uma correção visual após a identificação de um brasão desatualizado do Brasil na versão original.
Senador substituiu “presidente eleito” por “líder”
Uma das principais mudanças ocorreu no trecho em que Flávio Bolsonaro se dirige aos eleitores que apoiaram sua candidatura.
Na primeira versão, o senador afirmava:
“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito”.
Na versão corrigida, a referência à condição de presidente eleito foi retirada e substituída por uma declaração de liderança política.
O restante do parágrafo preservou o tom de mobilização, incluindo a promessa de que Flávio continuará sendo “a voz e a liderança livre da nossa nação”.
A alteração modifica a forma como o senador se apresenta publicamente, embora não represente uma mudança explícita em sua contestação ao resultado eleitoral.
Carta foi divulgada após vitória de Lula no segundo turno
O documento foi publicado três dias depois da conclusão das eleições presidenciais de 2026.
Lula foi reeleito no domingo (25), ao receber 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%.
Apesar da derrota, o senador passou a questionar o resultado e a defender a existência de supostas irregularidades no processo eleitoral.
Na carta divulgada nesta quarta-feira, Flávio também apresenta alegações de fraude, mas não oferece, nos trechos publicados, provas que sustentem essas acusações.
A contestação política do resultado não altera, por si só, a apuração oficial nem a condição de presidente reeleito atribuída a Lula.
Documento também apresentava brasão desatualizado do Brasil
Além da mudança no texto, a primeira versão da carta chamou a atenção por utilizar um símbolo nacional desatualizado.
O documento trazia um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, utilizando a grafia antiga do nome do país.
A denominação corresponde a um período histórico anterior à atual designação oficial de República Federativa do Brasil.
Após a identificação do erro, uma versão atualizada foi compartilhada por WhatsApp.
O novo documento passou a apresentar o brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”.
Assim, a carta recebeu duas alterações: uma relacionada à identidade visual e outra à maneira como o senador se refere à própria posição política.
Paulo Figueiredo divulgou primeira versão da carta
A versão inicial do documento foi compartilhada pelo comentarista político Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro.
Depois da repercussão do uso do brasão antigo, Figueiredo se manifestou na rede social X para explicar o episódio.
Segundo ele, o material recebido já apresentava o símbolo desatualizado, embora o conteúdo da carta estivesse correto.
O comentarista também apagou a publicação original.
Posteriormente, uma versão com o brasão atualizado passou a circular entre apoiadores.
A mudança textual, entretanto, foi além da simples substituição do símbolo nacional, uma vez que também retirou a afirmação de que Flávio seria o presidente eleito.
Flávio Bolsonaro afirma que pretende liderar oposição do exterior
Apesar das correções, a carta mantém o posicionamento de contestação ao resultado das eleições.
O senador afirma que pretende continuar atuando politicamente em defesa dos eleitores que apoiaram sua candidatura.
No documento, ele também sinaliza a intenção de exercer um papel de liderança da oposição brasileira a partir do exterior.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre sua viagem aos Estados Unidos, realizada depois da derrota presidencial.
Flávio deixou o Brasil em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal.
A situação provocou questionamentos sobre o cumprimento das medidas judiciais impostas ao parlamentar.

Alegações de fraude não foram acompanhadas de provas
Na carta, Flávio Bolsonaro volta a levantar dúvidas sobre a legitimidade do resultado eleitoral.
O senador sustenta que teriam ocorrido irregularidades durante a votação, mas os trechos divulgados não apresentam elementos que comprovem fraude ou manipulação da apuração.
A legislação brasileira prevê instrumentos para contestar resultados eleitorais, desde que observados os requisitos processuais e apresentados fundamentos capazes de sustentar as alegações.
Até o momento das informações divulgadas, não havia comprovação de irregularidades que justificassem a anulação do segundo turno.
A Justiça Eleitoral é responsável pela análise de eventuais questionamentos apresentados pelos candidatos e partidos.
Correções provocam repercussão política
A divulgação de duas versões da carta chamou a atenção por envolver tanto um erro na apresentação do símbolo nacional quanto uma alteração no posicionamento expresso pelo senador.
Na primeira publicação, Flávio afirmava ser o presidente eleito. Já no documento corrigido, passou a se apresentar como uma liderança política de seus apoiadores.
Apesar da substituição, a carta continua contestando a vitória de Lula e defendendo a atuação de Flávio na oposição.
A mudança não significa que o senador tenha reconhecido formalmente o resultado eleitoral.
O episódio ocorre em meio às discussões sobre o futuro político do grupo bolsonarista após a derrota nas urnas e a saída de Flávio Bolsonaro do país.
Com a nova versão, o senador preserva seu discurso de oposição, mas retira de um dos parágrafos a afirmação explícita de que teria sido eleito presidente da República.