terça-feira, 27 outubro 2026

PF faz buscas em escritório de deputado federal e investiga contratos de R$ 200 milhões no RJ

Operação Castraio investiga suspeitas de fraude em licitações, superfaturamento e atuação de organização criminosa em contratos de castração de animais. Escritório ligado ao deputado Marcelo Queiroz está entre os alvos.

PF realiza buscas em escritório de deputado federal durante investigação de contratos milionários

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma nova fase da Operação Castraio, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos públicos que somam aproximadamente R$ 200 milhões no estado do Rio de Janeiro.

Entre os alvos das buscas está o escritório de advocacia do deputado federal reeleito Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), além de pessoas ligadas ao parlamentar.

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A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa no âmbito da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro.

Os contratos sob suspeita foram firmados para a prestação de serviços de castração e esterilização de animais.

Marcelo Queiroz ocupava o cargo de secretário estadual de Agricultura no período em que os acordos investigados foram celebrados.

Polícia Federal cumpre cinco mandados no Rio e em Niterói

Durante a operação, agentes federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do envolvimento de um parlamentar federal com prerrogativa de foro.

A ação busca reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer a estrutura e a atuação do grupo investigado.

O material recolhido deverá ser analisado para identificar possíveis vínculos entre os investigados e eventuais irregularidades na execução dos contratos.

Até o momento das informações divulgadas, não foram anunciadas prisões nesta etapa da operação.

Contratos de castração de animais chegam a R$ 200 milhões

O foco da investigação está em contratos firmados entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e uma empresa privada para a realização de procedimentos de castração e esterilização de animais.

Segundo a Polícia Federal, a soma dos acordos investigados alcança aproximadamente R$ 200 milhões.

Os investigadores apuram se os processos de contratação foram conduzidos de acordo com as exigências legais e se os valores envolvidos correspondem aos serviços contratados.

Entre as suspeitas estão direcionamento de contratos, fraude em procedimentos licitatórios e superfaturamento.

O valor de R$ 200 milhões corresponde ao montante dos contratos analisados e não representa, necessariamente, o valor de eventual desvio ou prejuízo aos cofres públicos.

Investigação aponta suspeitas de fraude e superfaturamento

A primeira fase da Operação Castraio identificou indícios de possíveis irregularidades nas contratações realizadas pela Secretaria estadual.

Uma das suspeitas é de que os procedimentos tenham sido direcionados para favorecer interesses privados, comprometendo a competitividade das licitações.

A Polícia Federal também investiga a possibilidade de superfaturamento, situação em que preços contratados podem superar os valores justificáveis para os serviços prestados.

Outra linha de apuração envolve a eventual participação de agentes públicos e particulares em práticas destinadas a fraudar os processos administrativos.

Essas hipóteses ainda dependem de comprovação e não significam que os investigados tenham sido considerados culpados.

Marcelo Queiroz comandava secretaria na época dos contratos

O deputado federal Marcelo Queiroz ocupava a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro durante o período relacionado às contratações investigadas.

A atuação anterior do parlamentar na pasta é um dos elementos considerados pela Polícia Federal na apuração.

A operação desta terça-feira incluiu buscas em seu escritório de advocacia e em endereços ligados a pessoas próximas ao deputado.

A presença de um imóvel entre os alvos de busca e apreensão não comprova, por si só, a participação de seu proprietário em uma atividade criminosa.

A eventual responsabilidade de Marcelo Queiroz dependerá da identificação de condutas específicas e da análise dos elementos reunidos pelos investigadores.

STF autorizou operação por envolver parlamentar federal

Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal porque a investigação envolve um deputado federal em exercício.

A Constituição estabelece hipóteses de competência do STF para processar e julgar determinadas autoridades, conforme a natureza dos fatos e as regras aplicáveis à prerrogativa de foro.

No caso da Operação Castraio, as medidas judiciais foram expedidas pelo Supremo para permitir o avanço das investigações.

A autorização das buscas indica que a Justiça considerou presentes os requisitos para a realização das diligências, mas não representa um julgamento antecipado sobre as suspeitas.

Nova fase foi motivada por provas obtidas anteriormente

A operação desta terça-feira representa a segunda etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal.

A primeira fase também ocorreu em 2026 e teve como foco a análise das irregularidades identificadas nos contratos de castração de animais.

Segundo a corporação, os materiais recolhidos durante as diligências anteriores forneceram novos elementos que justificaram o aprofundamento da apuração.

A partir dessas informações, os investigadores passaram a examinar possíveis conexões entre os envolvidos e a extensão das práticas suspeitas.

A nova fase busca identificar outros participantes e esclarecer como o suposto esquema teria funcionado.

PF apura possível organização criminosa dentro da estrutura estadual

Além das suspeitas relacionadas aos contratos, a Polícia Federal investiga a possibilidade de que as irregularidades tenham ocorrido de maneira organizada.

A apuração considera a hipótese de existência de um grupo estruturado para atuar em contratações públicas e obter vantagens indevidas.

Os investigadores deverão analisar a participação de agentes públicos, representantes de empresas e demais pessoas eventualmente envolvidas.

Para a caracterização de organização criminosa, será necessária a comprovação dos elementos previstos na legislação, incluindo a estrutura do grupo e sua finalidade.

A investigação ainda está em andamento, sem conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Operação busca esclarecer destino dos recursos públicos

Com o cumprimento dos novos mandados, a Polícia Federal pretende aprofundar a análise dos contratos e das informações obtidas nas duas fases da Operação Castraio.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a regularidade das licitações, a compatibilidade dos valores contratados e a possível existência de favorecimento de empresas.

A apuração também poderá identificar eventuais prejuízos financeiros e responsabilidades individuais, caso as suspeitas sejam confirmadas.

Até a divulgação das informações sobre a ação, não havia sido apresentada uma estimativa oficial de recursos efetivamente desviados.

O caso permanece sob investigação, e qualquer responsabilização criminal dependerá do avanço das diligências e das decisões da Justiça.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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