quinta-feira, 22 outubro 2026

Carlos Muniz busca apoio de Bruno Reis para presidir Câmara de Salvador enquanto aguarda decisão do STF

Presidente da Câmara Municipal de Salvador tenta viabilizar novo mandato à frente do Legislativo. STF julgará em novembro se vereador poderá disputar a reeleição para o biênio 2027–2028.

Carlos Muniz busca reunião com Bruno Reis para discutir futuro na Câmara de Salvador

O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz (PSDB), articula uma reunião com o prefeito Bruno Reis (União Brasil) para discutir sua permanência no comando do Legislativo da capital baiana.

Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias nesta quinta-feira (22), o encontro deverá acontecer até sexta-feira (23) e contará também com a participação do vereador Kiki Bispo (União Brasil).

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A movimentação ocorre em meio às incertezas jurídicas sobre a possibilidade de Muniz disputar um terceiro mandato consecutivo na presidência da Câmara.

O caso está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá decidir, em novembro, se o parlamentar poderá concorrer novamente ao cargo para o biênio 2027–2028.

Reunião pode definir candidato à presidência da Câmara

O encontro entre Carlos Muniz, Bruno Reis e Kiki Bispo poderá ser determinante para a escolha do nome que receberá o apoio do grupo político ligado ao prefeito na disputa pelo comando da Câmara Municipal.

Muniz pretende buscar respaldo político para sua tentativa de recondução, caso obtenha autorização judicial para disputar a eleição.

Entretanto, a reunião também poderá abrir espaço para a discussão de alternativas, caso o STF mantenha o entendimento contrário ao terceiro mandato consecutivo.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Bahia Notícias, o apoio de Bruno Reis poderá ter influência significativa sobre a posição de vereadores da base governista.

A definição dependerá tanto das articulações políticas quanto do resultado do julgamento no Supremo.

Alexandre Aleluia surge como possível alternativa

Em meio às dúvidas sobre a elegibilidade de Carlos Muniz para uma nova disputa interna, o vereador Alexandre Aleluia passou a ser mencionado como possível candidato à presidência da Câmara.

Aleluia ocupa a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Legislativo municipal.

Segundo informações de bastidores divulgadas pelo Bahia Notícias, o vereador poderá receber o apoio do prefeito Bruno Reis caso Muniz seja impedido de concorrer.

Interlocutores da Câmara avaliam que uma eventual escolha de Aleluia pelo prefeito poderá influenciar o posicionamento de outras lideranças da base governista.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de uma indicação formal ou de acordo político em torno de seu nome.

Carlos Muniz admite possibilidade de vetar indicação do prefeito

As articulações também envolvem a posição que Carlos Muniz adotará caso não consiga disputar a reeleição.

O presidente da Câmara já afirmou anteriormente que pretende conversar com Bruno Reis sobre a escolha de um candidato para sucedê-lo.

Entretanto, Muniz também sinalizou que poderá se opor a determinados nomes indicados pelo prefeito.

Essa possibilidade aumenta a importância das negociações entre os integrantes do grupo político, especialmente diante da necessidade de construir apoio suficiente para a eleição da nova Mesa Diretora.

A escolha do presidente da Câmara é realizada pelos próprios vereadores, conforme as regras internas do Legislativo municipal.

STF julgará terceiro mandato de Muniz entre 6 e 13 de novembro

O Supremo Tribunal Federal deverá analisar, entre os dias 6 e 13 de novembro de 2026, a possibilidade de Carlos Muniz disputar novamente a presidência da Câmara Municipal de Salvador.

O julgamento ocorrerá no plenário virtual, sistema em que os ministros registram seus votos eletronicamente durante o período estabelecido.

A data foi definida na terça-feira (20).

O processo tem como relator o ministro Gilmar Mendes, que já rejeitou um pedido provisório para permitir a candidatura.

A decisão definitiva do STF será fundamental para esclarecer se Muniz poderá participar da eleição para o biênio 2027–2028.

PDT acionou Supremo para permitir nova candidatura

A discussão judicial teve origem em uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 23 de setembro.

A legenda questiona a aplicação das regras que limitam a recondução consecutiva aos cargos de direção do Poder Legislativo.

O argumento central é que a primeira passagem de Carlos Muniz pela presidência da Câmara, entre 2023 e 2024, não deveria ser contabilizada como mandato para fins de restrição à reeleição.

Segundo o partido, o vereador não foi eleito diretamente para exercer a função naquele período.

Muniz assumiu a presidência após a renúncia de Geraldo Júnior (MDB), que deixou o cargo para assumir a vice-governadoria da Bahia.

A sucessão ocorreu conforme as regras previstas no Regimento Interno da Câmara Municipal.

Gilmar Mendes negou pedido para terceiro mandato consecutivo

Ao analisar o pedido provisório apresentado pelo PDT, o ministro Gilmar Mendes rejeitou a tese de que a sucessão automática permitiria desconsiderar o primeiro período de exercício da presidência.

O magistrado destacou que Carlos Muniz permaneceu no comando da Câmara durante todo o biênio 2023–2024.

Posteriormente, o vereador foi eleito para presidir a Mesa Diretora no período de 2025–2026, também exercido integralmente.

Na avaliação do relator, permitir uma nova candidatura possibilitaria que Muniz permanecesse seis anos consecutivos à frente do Legislativo municipal.

Essa situação corresponderia a três mandatos seguidos, hipótese que, segundo o entendimento apresentado pelo ministro, contraria os limites estabelecidos pela jurisprudência do Supremo.

Ministro diferencia sucessão de substituição temporária

Na decisão, Gilmar Mendes também destacou que determinadas situações excepcionais podem receber tratamento diferente na contagem dos mandatos.

Entre elas estão os casos em que um parlamentar assume temporariamente a presidência de um órgão legislativo por um período reduzido ou em decorrência de decisão judicial provisória.

Nessas circunstâncias, o tempo de exercício pode não ser considerado para fins de restrição à recondução.

Entretanto, o ministro avaliou que a situação de Carlos Muniz não se enquadra nessas exceções, já que o vereador exerceu integralmente a presidência no biênio 2023–2024.

O entendimento ainda será submetido ao julgamento definitivo do colegiado.

Muniz e Alexandre Aleluia já protagonizaram embate na Câmara

A possibilidade de Alexandre Aleluia assumir protagonismo na disputa pela presidência da Câmara ocorre após um episódio de tensão envolvendo o vereador e Carlos Muniz.

Os dois protagonizaram uma discussão durante uma reunião do Colégio de Líderes, realizada no dia 23 de setembro.

Na ocasião, os parlamentares debatiam a definição de uma data para votação de projetos apresentados pelos vereadores.

Segundo relatos de participantes obtidos pelo Bahia Notícias, o desentendimento começou após Muniz apresentar uma proposta de pauta para votação na segunda-feira (28).

Integrantes do colegiado lembraram que havia um acordo firmado em agosto para evitar votações antes das eleições.

Discussão envolveu antecipação de votações e regras internas

Durante a reunião, Alexandre Aleluia mencionou um dispositivo do Regimento Interno que permitiria aos vereadores conhecer as pautas com antecedência de 24 horas.

A manifestação ocorreu em meio à preocupação de parlamentares com a possibilidade de antecipação de votações.

Segundo os relatos, Muniz teria reagido com irritação e afirmado que caberia à presidência decidir sobre a realização da sessão.

O presidente teria declarado que a votação ocorreria “com ou sem” os projetos apresentados pelos vereadores da base governista.

A pauta também poderia incluir matérias da oposição e propostas de emendas encaminhadas pela Prefeitura.

O episódio provocou uma troca de acusações entre os dois parlamentares, envolvendo questionamentos sobre o conhecimento prévio das emendas e o respeito às regras internas da Casa.

Oposição também questionou calendário de votações

Após a discussão entre Muniz e Aleluia, vereadores da oposição se manifestaram contrariamente à realização de votações na última semana da campanha eleitoral.

Os parlamentares argumentaram que o calendário deveria respeitar o entendimento anteriormente firmado no Colégio de Líderes.

Segundo os relatos, diante das manifestações, Carlos Muniz afirmou que as votações poderiam ficar para dezembro.

A possibilidade de adiamento foi mencionada em meio à tentativa de reduzir a tensão entre os participantes da reunião.

Vereadores levantaram suspeita de antecipação da eleição da Mesa

Durante o encontro, o vereador André Fraga também levantou a hipótese de que as divergências não estivessem relacionadas apenas à votação de projetos e emendas.

O parlamentar questionou se a movimentação poderia envolver uma eventual antecipação da eleição para a presidência da Câmara Municipal.

Diante da possibilidade, Carlos Muniz afirmou que não tomaria decisões sem o conhecimento dos demais vereadores.

“Não faria o que Geraldo fez”, declarou.

A fala foi uma referência ao processo anterior de sucessão no comando do Legislativo municipal.

Na mesma ocasião, Muniz reiterou que buscaria diálogo com Bruno Reis para discutir um nome de consenso, caso fosse impedido judicialmente de concorrer.

Definição da presidência depende de decisão judicial e acordos políticos

A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Salvador envolve dois fatores principais: o julgamento do STF sobre a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo e a construção de um acordo entre os vereadores da base governista.

Carlos Muniz tenta preservar sua candidatura e buscar apoio político para continuar na presidência.

Ao mesmo tempo, outros nomes, como Alexandre Aleluia, começam a ser considerados nos bastidores como possíveis alternativas.

O encontro previsto entre Muniz, Bruno Reis e Kiki Bispo poderá contribuir para definir o posicionamento do grupo político.

Entretanto, a composição definitiva da disputa dependerá do resultado do julgamento marcado para novembro e das articulações que ocorrerão no Legislativo municipal.

Até lá, permanece a incerteza sobre quem poderá disputar e assumir a presidência da Câmara de Salvador no biênio 2027–2028.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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