Galípolo confirma intimação da Polícia Federal
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24) que foi intimado pela Polícia Federal (PF) para prestar informações como testemunha no inquérito sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O depoimento deve ocorrer no início de outubro.
A investigação apura possíveis irregularidades relacionadas ao banco e à atuação de pessoas ligadas à instituição financeira.
PF também convocou outros nomes ligados ao mercado financeiro
Além de Galípolo, a Polícia Federal também convocou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
Também foram chamados o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino.
Todos devem prestar informações à corporação no âmbito das apurações sobre o caso Master.
Investigação envolve ex-gestores do Banco Central
As investigações do caso Master envolvem dois ex-gestores do Banco Central.
São eles Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária.
Segundo o inquérito, eles teriam atuado em favor dos interesses de Daniel Vorcaro dentro da autarquia.
Inquérito cita suposto repasse de informações
De acordo com a investigação, os ex-gestores teriam repassado informações relacionadas à fiscalização do regulador.
A suspeita é de que essas informações pudessem favorecer interesses do Banco Master.
As defesas de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana negam que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.
CGU também analisa conduta de ex-servidores
A conduta dos ex-gestores do Banco Central também está sendo analisada pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Desde março, o caso é tratado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
O procedimento pode levar à expulsão dos servidores do quadro funcional da autarquia, caso eles sejam considerados culpados.
Mensagens citam pagamento a empresa ligada a irmão de servidor
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master fez pagamentos ao irmão de outro funcionário do Banco Central em 2025.
Em uma lista de pagamentos que o banco deveria fazer, aparece o nome da LR Consultoria.
O valor indicado a receber era de R$ 120 mil.
Empresa pertence a irmão de chefe de gabinete do BC
A LR Consultoria pertence a Leonardo Eyer Harris.
Ele é irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.
Procurado, Ricardo afirmou que informou a alta administração da autarquia sobre o contrato do irmão.
Servidor nega participação em decisões sobre o Banco Master
Ricardo Eyer Harris negou participação direta ou indireta em decisões relacionadas ao Banco Master.
No caso, Galípolo defendeu a presunção de inocência.
O presidente do BC afirmou que o servidor comunicou a seus superiores diretos a consultoria prestada por seu irmão a Daniel Vorcaro na área de mineração.
Outro ex-servidor do BC é citado no caso
Outro nome do Banco Central citado no caso Master é o de João André Calviño Marques Pereira.
Ele foi chefe do departamento de Regulação do Sistema Financeiro.
Segundo a Folha, o banco de Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa de João André, a JGM Solutions.
Ex-chefe de departamento deixou o Banco Central
João André chefiou o departamento entre abril de 2018 e janeiro de 2024.
O período compreende as presidências de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto no Banco Central.
Ele pediu licença da autarquia em março de 2024 e, posteriormente, foi exonerado do cargo de auditor em junho de 2025.
Ex-servidor afirma que pagamentos ocorreram após exoneração
Segundo o ex-servidor do Banco Central, os pagamentos feitos à empresa dele ocorreram a partir de agosto de 2025.
De acordo com João André, nesse período ele já havia sido exonerado da autarquia.
O caso segue em apuração pelas autoridades responsáveis.
Depoimentos devem avançar investigação
Os depoimentos convocados pela Polícia Federal devem ajudar a esclarecer pontos relacionados ao funcionamento interno do Banco Central e às relações envolvendo o Banco Master.
A investigação também deve analisar mensagens, pagamentos, contratos e possíveis vínculos entre servidores, ex-servidores e pessoas ligadas ao banco.
O inquérito permanece em andamento.