quinta-feira, 17 setembro 2026

Veja ligações de ministros do STF com o caso Banco Master

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e documentos citam contatos e relações envolvendo cinco ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ministros do STF são citados no caso Banco Master

As relações pessoais e profissionais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), têm marcado a condução do caso na Corte.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro e documentos reunidos na investigação apontam contatos com cinco magistrados.

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Entre os nomes citados estão Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux.

Dias Toffoli deixou relatoria do caso

Dias Toffoli foi o primeiro relator do caso Banco Master no Supremo.

O ministro deixou a condução do processo em março, depois que a Polícia Federal encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório sobre transferências financeiras entre uma empresa de sua família e fundos ligados ao Master.

A saída da relatoria ocorreu em meio à análise interna sobre a condução do caso no tribunal.

Kassio Nunes Marques se declarou suspeito

Na terça-feira (15), o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se suspeito e também deixou de votar em um julgamento relacionado ao caso.

A decisão ocorreu após novos diálogos citarem pagamentos a seu filho, que teriam sido articulados por Daniel Vorcaro.

Com a declaração de suspeição, Kassio não participou da votação no plenário.

Alexandre de Moraes é citado em mensagens de Vorcaro

Segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria perguntado a Alexandre de Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso.

Em 15 de novembro de 2025, um sábado, o banqueiro teria enviado a mensagem: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Na segunda-feira (17), Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

PF aponta edição em contrato milionário

Segundo análise da Polícia Federal, Alexandre de Moraes também teria feito edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.

As alterações teriam ocorrido antes da assinatura do documento.

O ponto integra o conjunto de informações analisadas pela investigação.

Moraes nega comunicação com Vorcaro

O ministro e o dono do Banco Master teriam conversado no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025.

Na manhã em que foi detido, Vorcaro teria perguntado se o ministro tinha “alguma novidade” e questionado: “Conseguiu bloquear?”.

Segundo o material analisado, Moraes teria respondido com mensagens de texto convertidas em imagens de visualização única.

O ministro nega a comunicação e afirma se tratar de “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.

Documentos citam viagens em jatos ligados a Vorcaro

Documentos obtidos e revelados pela Folha de S.Paulo indicam que Alexandre de Moraes e Viviane Barci viajaram em jatos de empresas de Daniel Vorcaro ou ligadas a ele.

As viagens teriam ocorrido entre maio e outubro de 2025.

Essas informações também passaram a integrar a repercussão do caso Banco Master.

André Mendonça teria se encontrado com Vorcaro

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro apontam que o ministro André Mendonça e o ex-banqueiro teriam se encontrado em 14 de março de 2025.

O encontro teria durado cerca de duas horas e sido articulado por um advogado e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

Segundo os diálogos, Cezinha avisou Vorcaro no dia anterior: “Amanhã sexta feira 17:00 com ministro André em São Paulo”.

Mensagens citam encontro em São Paulo

Após receber a informação, Vorcaro respondeu “Show” e “Marcado”.

No dia seguinte, escreveu: “Fala amigo” e “Estou a caminho”.

Cezinha respondeu: “Ministro já está te esperando”.

Mendonça confirmou encontro meses depois

André Mendonça confirmou publicamente o encontro apenas em 2 de setembro de 2026.

Segundo o ministro, a conversa durou de 20 a 30 minutos.

Ele afirmou que o tema tratado foi relacionado a precatórios do Banco Master.

Vorcaro foi convidado para eventos do Instituto Iter

Daniel Vorcaro também foi convidado ao menos duas vezes para eventos do Instituto Iter, fundado por André Mendonça.

Entre os compromissos citados está um debate restrito realizado no Hotel Fasano, em Belo Horizonte.

Não há confirmação de que o ex-banqueiro tenha comparecido aos eventos.

Mendonça deixou sociedade do Iter

Em 3 de setembro deste ano, André Mendonça anunciou sua saída da sociedade do Instituto Iter.

O ministro cedeu suas cotas sem contrapartida.

Dias depois, o ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, uma investigação formal sobre os laços entre o Banco Master e o instituto.

Atuação de Toffoli foi questionada no caso

Dias Toffoli, sócio da empresa Maridt, com participações no resort Tayayá, foi o primeiro relator do caso Master no Supremo.

Sua atuação passou a ser questionada após decisões consideradas incomuns.

Entre elas estavam o reconhecimento da competência do STF para o caso, a convocação de acareação com um diretor do Banco Central, a decretação de alto nível de sigilo e a nomeação de peritos por seu gabinete.

PF citou transferências envolvendo empresa da família de Toffoli

Toffoli deixou a relatoria depois que a Polícia Federal encaminhou a Edson Fachin um relatório sobre transferências financeiras entre uma empresa de sua família e fundos ligados ao Master.

A decisão de afastá-lo foi tomada em uma reunião secreta entre os ministros.

No plenário, Toffoli chegou a se defender, dizendo que “vários magistrados são donos de empresas”.

Documentos citam voo de Toffoli em avião ligado a Vorcaro

Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo indicam que Dias Toffoli também voou em um avião de empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio.

A viagem teria ocorrido em julho de 2025.

O episódio passou a ser citado entre as conexões analisadas no caso.

Mensagens citam pagamentos ao filho de Kassio Nunes Marques

Daniel Vorcaro tratou, em mensagens, de pagamentos destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.

Os diálogos mencionam a Consult Inteligência Tributária.

As mensagens foram trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, que falava em pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Julgamento sobre destilaria aparece nos diálogos

Em 1º de outubro de 2024, Rennó repassou a Vorcaro a informação de que o STF havia decidido favoravelmente a uma destilaria que receberia indenização bilionária da União.

O setor era de interesse do Banco Master, que mantinha em seu balanço uma carteira de precatórios sucroalcooleiros estimada em R$ 10 bilhões.

Kassio, que inicialmente havia se declarado impedido de votar, reviu a posição e desempatou o julgamento a favor da destilaria.

Diálogos mencionam Kevin Marques

Após o julgamento, Rennó enviou a Vorcaro um print dos contatos de Kevin Marques com a legenda “Dominado aqui”.

Em 4 de julho de 2025, Rennó voltou a tratar do assunto: “Esse aqui _ 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?”.

Vorcaro respondeu: “Kkkkkkk”.

Em 8 de agosto, Rennó mencionou novamente Kevin como um dos “pagamentos essenciais”.

Kassio nega relação com Vorcaro

Na sessão do STF de 15 de setembro, Kassio Nunes Marques negou qualquer relação com Daniel Vorcaro.

O ministro afirmou que seu filho nunca prestou serviço ao Banco Master nem foi remunerado pelo grupo.

Mesmo assim, optou por não participar da votação sobre o caso.

Assessoria de Kevin Marques cita serviços jurídicos

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos tributários.

Segundo a manifestação, os pagamentos não teriam qualquer relação com o STF.

A assessoria do ministro também afirmou que, no caso da destilaria, Kassio estava inicialmente impedido por decisão tomada quando atuava no TRF-1, mas retificou a posição por entender se tratar de tese ampla.

Assessoria diz que ministro nunca votou a favor do Master

A assessoria de Kassio Nunes Marques afirmou ainda que “o ministro nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro”.

A manifestação foi feita em meio à repercussão dos diálogos envolvendo o nome de Kevin Marques e a Consult Inteligência Tributária.

O caso segue sob análise no contexto das discussões sobre o Banco Master no Supremo.

Luiz Fux também aparece em mensagens

Mensagens mostram que Daniel Vorcaro era próximo de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.

Rodrigo, que também é advogado, tratava o ex-banqueiro como “irmão” em diferentes momentos das conversas.

Os diálogos indicam que ele pediu o envio de informações sobre um compromisso em Londres à secretária de Fux no Supremo, usando um endereço de e-mail com domínio institucional do STF.

Conversas citam reuniões e compromissos

Também houve registros de encontros presenciais entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro.

Entre eles, aparece uma reunião marcada em Brasília no mês de março.

O compromisso teria sido precedido pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso.

Fux nega relação com Daniel Vorcaro

Na sessão de 15 de setembro, Luiz Fux afirmou, em tom indignado, que não havia mensagens envolvendo ele diretamente.

O ministro disse que nunca teve relação com Daniel Vorcaro.

Segundo Fux, “nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele”.

Escritório de Rodrigo Fux também nega serviços

Em nota, o escritório do filho do ministro afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.

A manifestação busca afastar a existência de vínculo profissional ou financeiro com o ex-banqueiro.

As mensagens, no entanto, seguem sendo citadas na investigação e na repercussão pública do caso.

Caso Master segue em análise no STF

O caso Banco Master continua provocando tensão no Supremo Tribunal Federal.

As informações envolvendo contatos, viagens, mensagens e relações profissionais de ministros ou familiares com Daniel Vorcaro ampliaram o debate sobre a condução dos processos na Corte.

As apurações seguem em andamento, enquanto os ministros citados negam irregularidades ou apresentam suas justificativas públicas.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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