segunda-feira, 14 setembro 2026

TRE-BA derruba candidatura de Binho Galinha à reeleição por unanimidade

Tribunal Regional Eleitoral da Bahia indeferiu candidatura de Binho Galinha após ação movida pelo Ministério Público Eleitoral.

TRE-BA indefere candidatura de Binho Galinha

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) indeferiu, por unanimidade, a candidatura à reeleição do deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante).

O julgamento foi realizado na tarde desta segunda-feira (14), após ação movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

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A decisão impede, neste momento, que o parlamentar siga com o registro de candidatura para disputar novamente uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia.

Ministério Público pediu impugnação da candidatura

O procurador Cláudio Gusmão, autor do pedido de impugnação da candidatura, reforçou durante a sessão as acusações do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Segundo o órgão, Binho Galinha é apontado como líder de uma milícia na cidade de Feira de Santana.

Gusmão afirmou que o MPE vinha monitorando “casos sensíveis” na Bahia e decidiu pedir apenas o indeferimento da candidatura do deputado filiado ao Avante.

Procurador diz que caso foi analisado com critério

Durante o julgamento, o procurador destacou que o caso de Kleber Escolano foi um dos processos acompanhados pelo Ministério Público Federal a partir de orientação da Procuradoria-Geral da República.

“Queria pontuar que o MPF vinha fazendo monitoramento por orientação da Procuradoria-Geral da República dos casos mais sensíveis do estado. Esse caso do candidato Kleber Escolano foi um dos 19 casos que nós analisamos e eu só ingressei com uma ação de impugnação, para vocês verem como fomos criteriosos”, declarou o procurador durante a sessão.

Defesa contestou acusação de milícia

A defesa de Binho Galinha foi representada pelo advogado eleitoral Fernando Vaz Costa Neto.

Durante a sessão, o defensor afirmou que as acusações apresentadas pelo MP-BA não tratam de uma milícia de fato.

Ele também sustentou que os fatos apontados não impactam a liberdade de voto da população em Feira de Santana.

Advogado questionou elementos da acusação

Segundo a defesa, faltariam características específicas para que a organização criminosa fosse tratada como miliciana.

“O MP, nas alegações finais, pediu a condenação por jogo do bicho, agiotagem, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Quanto ao crime de extorsão e receptação qualificada, foi pedido absolvição. Onde está a milícia aqui? Onde está a ocupação territorial? […] Qual é a semelhança com organização paramilitar? Qual a semelhança com impedir o eleitor de votar?”, indagou Costa Neto.

Relator apontou detalhes nos autos do MP-BA

O desembargador eleitoral Moacyr Pitta Lima Filho, relator do processo, afirmou que o caso de Binho Galinha é diferente de situações analisadas anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Rio de Janeiro.

Apesar disso, ele apontou que os autos apresentados pelo MP-BA trazem detalhes sobre a atuação da organização criminosa em Feira de Santana.

Na avaliação do relator, esses elementos afetam a liberdade de voto na região.

Desembargador cita indícios de atuação criminosa

Durante o voto, Moacyr Pitta Lima Filho afirmou haver fortes indícios relacionados às acusações analisadas no processo.

“Há fortíssimos indícios de tudo que estou a falar. A atividade ilícita não é só o jogo do bicho, como também a agiotagem. O braço armado é cercado por policiais, pelo menos 6 ou 7, estão no núcleo da organização criminosa armada e não só dão segurança ao líder da organização, que é o impugnado, como também às atividades ilícitas de agiotagem”, apontou Moacyr.

Ação cita vida pregressa e liberdade de voto

A ação movida pelo MPE argumenta que a vida pregressa de Binho Galinha compromete a moralidade necessária para o exercício do mandato.

O documento também aponta possível impacto sobre a liberdade de voto do eleitor.

Segundo a acusação, o parlamentar está envolvido em múltiplas ações penais de alta complexidade e já possui uma sentença condenatória de mais de 36 anos de prisão.

Ministério Público fala em preservação do processo democrático

No pedido, o Ministério Público defende que a candidatura deve ser analisada diante da necessidade de preservar a normalidade e a legitimidade do processo democrático.

“Envolvendo a preservação da normalidade e da legitimidade do processo democrático diante do quadro fático-jurídico atualmente atribuído ao deputado, réu em ações penais e investigado em procedimentos de elevada complexidade […] não há espaço para liberdade sob o domínio do crime organizado, tampouco margem ao exercício do voto consciente e desimpedido, lastreado no livre consentimento”, afirma o trecho da ação.

Deputado foi condenado a mais de 36 anos de prisão

Em julho, Binho Galinha foi condenado a 36 anos e 9 meses de prisão.

A condenação envolve crimes relacionados à posse irregular e adulteração de armas de fogo.

Apesar da sentença, o caso ainda pode ser alvo de recurso, conforme informado anteriormente pela defesa do parlamentar.

Binho Galinha manteve mandato mesmo após condenação

Mesmo após a condenação, Binho Galinha não perdeu o mandato de deputado estadual.

A defesa já havia informado, em nota enviada à imprensa, que a decisão de primeiro grau não produziria efeito imediato sobre a elegibilidade do parlamentar.

“A decisão, proferida por juízo de primeiro grau e sujeita a recurso, não produz qualquer efeito sobre a elegibilidade do deputado, que permanece no exercício de seu mandato e de seus direitos políticos”, diz a nota enviada à imprensa pela defesa do parlamentar, liderada pelo advogado Gamil Foppel.

Decisão pode ter novos desdobramentos

Com o indeferimento por unanimidade no TRE-BA, a candidatura de Binho Galinha sofre um forte revés na disputa eleitoral.

A defesa ainda poderá adotar medidas jurídicas para tentar reverter a decisão.

O caso segue como um dos principais pontos de atenção no cenário político baiano durante o calendário eleitoral de 2026.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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