sexta-feira, 11 setembro 2026

Entenda como funcionava suposto esquema de desvio de emendas para filme sobre Bolsonaro

Operação Make Up investiga suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”.

PF investiga suposto desvio de emendas para filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up, nome que significa “maquiagem” em inglês.

A ação investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC).

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As duas organizações são presididas pela produtora Karina Ferreira da Gama.

Mário Frias está entre os alvos da operação

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão Karina Gama e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Frias é autor de parte das emendas parlamentares investigadas.

Karina também é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado Mário Frias também aparece como roteirista e produtor-executivo da produção.

Operação foi autorizada por Flávio Dino

A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida nesta quinta-feira.

O magistrado levantou o sigilo da operação no fim da manhã.

A decisão relata que Karina manteve proximidade política com Mário Frias desde a campanha eleitoral de 2022, quando uma empresa de sua propriedade prestou serviços à candidatura do deputado.

STF aponta indícios de vários crimes

Segundo o Supremo Tribunal Federal, há indícios da prática de crimes como peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documentos e uso de documento falso.

A investigação também aponta suspeitas de emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os fatos ainda serão apurados no decorrer da investigação.

Veja como funcionava o suposto esquema

Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, a investigação mira uma suposta organização criminosa que teria direcionado verbas públicas repassadas por meio de emendas parlamentares a organizações sociais.

Esses recursos teriam sido enviados a empresas contratadas de forma fraudulenta.

De acordo com a apuração, os serviços contratados não corresponderiam às finalidades previstas nos contratos firmados.

PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão

Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e do Distrito Federal.

Não houve mandados de prisão na operação.

Emendas de Mário Frias somam R$ 2 milhões

De acordo com Flávio Dino, Mário Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil por meio de duas emendas parlamentares de sua autoria.

Os recursos foram formalizados em termos de fomento junto ao governo federal.

Com parte desses valores, o instituto teria contratado empresas e prestadores de serviço que, segundo a investigação, apresentam indícios de irregularidades.

Investigação aponta vínculos e contratos suspeitos

Entre os indícios citados estão vínculos societários entre empresas contratadas e doadores da campanha eleitoral de Mário Frias em 2022.

A investigação também aponta pagamento a uma empresa de titularidade do advogado que representa o deputado em processos judiciais.

Outro ponto citado é a ausência de funcionamento real no endereço cadastrado por uma das contratadas.

Contratos retroativos e serviços incompatíveis são investigados

A decisão também menciona indícios de contratos e orçamentos com data retroativa.

Além disso, a investigação apura a contratação de instrutores de uma academia de jiu-jitsu no interior de São Paulo.

Segundo a apuração, as atividades desses profissionais seriam incompatíveis com os serviços cobrados.

Projeto “Lutando Pela Vida” também é citado

A decisão menciona ainda um segundo termo de fomento, vinculado a um projeto chamado “Lutando Pela Vida”.

Nesse caso, um doador de campanha de Mário Frias teria aberto um MEI poucos dias antes de ser contratado pelo instituto.

A investigação também aponta suspeita de assinatura retroativa do contrato.

Academia Nacional de Cultura recebeu indicação de emendas

Segundo o documento, a Academia Nacional de Cultura foi indicada como beneficiária de emendas de outros dois deputados federais.

Os parlamentares citados são Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF).

No entanto, a Justiça apontou uma inconsistência: os deputados foram eleitos por estados diferentes, enquanto os recursos seriam destinados a um projeto em São Paulo.

Caso também envolve contrato de R$ 108 milhões

O caso tem origem, em parte, no compartilhamento de provas de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo.

A apuração paulista analisava um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet Wi-Fi gratuita em comunidades periféricas.

Inicialmente, o contrato foi estimado em R$ 108 milhões e depois ampliado por aditivos.

Reportagens questionaram capacidade técnica do instituto

Reportagens citadas na decisão do STF questionavam a capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para executar um projeto de telecomunicações dessa dimensão.

Diante do caso, Flávio Dino avocou para o STF o inquérito e a medida de busca e apreensão que tramitavam na Justiça paulista sobre o contrato.

Com isso, as duas frentes de investigação foram unificadas.

Dino determinou medidas cautelares contra investigados

Além das buscas e apreensões domiciliares contra 53 pessoas físicas e jurídicas, incluindo as duas instituições, houve busca pessoal contra 11 investigados.

Entre eles estão Mário Frias e Karina Gama.

Flávio Dino também determinou uma série de medidas cautelares no âmbito da investigação.

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| Foto: STF

ICB e ANC tiveram atividades suspensas

Entre as medidas determinadas está a suspensão de qualquer atividade econômica ou financeira do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura.

O ministro também suspendeu o direito de licitar e contratar com o poder público, em qualquer esfera, para 22 empresas ligadas ao suposto esquema.

Também foi determinada a suspensão de qualquer pagamento decorrente de contratos com o poder público envolvendo essas empresas.

Investigados não podem manter contato entre si

Flávio Dino proibiu que 29 investigados, incluindo Mário Frias e Karina Gama, mantenham qualquer tipo de contato entre si.

Os mesmos investigados também estão proibidos de deixar o território nacional sem autorização.

Eles deverão entregar os passaportes à Polícia Federal.

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Deputado federal – Mário Frias (PL-SP); Produtora – Karina
| Foto: Reprodução/Redes Sociais

PF apreende armas em endereços ligados a Mário Frias

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu armas em endereços ligados a Mário Frias.

A corporação ainda vai apurar se o deputado cometeu crime de posse ilegal de arma de fogo.

Apesar de estarem registradas em nome do parlamentar, as armas foram encontradas em outro endereço, diferente do declarado pelo ex-ator.

Investigação segue em andamento

A Operação Make Up segue em andamento para apurar o suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

As autoridades deverão analisar documentos, materiais apreendidos, contratos, vínculos entre empresas e eventuais repasses financeiros ligados ao Instituto Conhecer Brasil, à Academia Nacional de Cultura e ao filme “Dark Horse”.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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