Flávio Bolsonaro lidera arrecadação eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera, até o momento, a arrecadação de doações eleitorais na disputa pela Presidência da República.
Segundo dados coletados no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de terça-feira (8), o candidato do PL arrecadou R$ 44,3 milhões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, aparece em segundo lugar, com R$ 35,9 milhões recebidos.
Augusto Cury tem menor arrecadação entre principais candidatos
Entre os seis principais presidenciáveis, o escritor Augusto Cury (Avante) é o que menos arrecadou até agora.
A campanha dele recebeu R$ 317 mil.
Desse total, R$ 250 mil, o equivalente a 78%, vieram do próprio candidato.
Campanhas somam cerca de R$ 92 milhões
Ao todo, as doações registradas para as campanhas de Flávio Bolsonaro, Lula, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury somam cerca de R$ 92 milhões.
Os dados do DivulgaCand são atualizados de hora em hora.
A arrecadação ainda pode crescer até o dia da eleição, conforme as regras eleitorais.
Partidos e candidatos devem enviar prestação parcial de contas
Partidos e candidatos têm desta quarta-feira (9) até domingo (13) para enviar à Justiça Eleitoral a prestação parcial de contas.
O documento deve trazer a identificação dos doadores e os valores arrecadados.
As receitas e despesas de campanha datadas a partir desta quarta-feira só entrarão na prestação completa, cujo prazo final de envio termina em 14 de novembro.
Recursos podem ser usados em despesas de campanha
Segundo o TSE, o dinheiro arrecadado pode ser utilizado em diferentes despesas eleitorais.
Entre elas estão produção de material gráfico, propaganda eleitoral, aluguel de espaços para eventos, deslocamento de candidatos e funcionamento de comitês.
Os recursos também podem ser usados para contratação de pessoal e utilização de carros de som, entre outros gastos previstos na campanha.
PL é principal financiador de Flávio Bolsonaro
Dos R$ 44,3 milhões arrecadados por Flávio Bolsonaro, R$ 42 milhões vieram do próprio PL.
O valor foi repassado por meio do Fundo Especial do partido.
Trata-se de verba pública distribuída exclusivamente em anos eleitorais e destinada ao custeio das campanhas.
Empresário do biodiesel doou para Flávio e Lula
Outro doador relevante da campanha de Flávio Bolsonaro é Erasmo Carlos Battistella, conhecido como “rei do biodiesel”.
O empresário fundou e preside a Be8, uma das maiores produtoras de biodiesel do país.
Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 10 bilhões.
Battistella doou R$ 500 mil à campanha de Flávio Bolsonaro e outros R$ 500 mil à campanha de Lula, segundo o TSE.
Campanha de Flávio também recebeu doações de empresários
Flávio Bolsonaro também recebeu doação de R$ 500 mil de Fernando de Castro Marques, CEO da União Química Farmacêutica.
Outros R$ 400 mil foram doados por Ângelo Calmon de Sá, ex-ministro da Indústria e do Comércio durante o governo Ernesto Geisel.
Calmon de Sá também foi banqueiro do Banco Econômico, liquidado em 1996 pelo Banco Central após um rombo financeiro bilionário.
O candidato do PL ainda entrou com recursos próprios e investiu R$ 12,2 mil em sua campanha.
Lula arrecadou R$ 35,9 milhões
A campanha de Lula aparece em segundo lugar no ranking de arrecadação, com R$ 35,9 milhões.
Desse total, R$ 35 milhões, o equivalente a 97%, vieram do PT por meio do Fundo Especial.
O partido também aportou R$ 150 mil na campanha de reeleição do presidente por meio do Fundo Partidário.
Campanha petista recebeu doações individuais
Além da doação de Erasmo Carlos Battistella, a candidatura de Lula recebeu R$ 115 mil por meio de uma campanha de financiamento coletivo.
Jones Alexandre Barros Soares, diretor da Transpetro, subsidiária da Petrobras, contribuiu com R$ 40 mil.
Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, doutoranda em enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP), também doou R$ 40 mil.
Ronaldo Caiado aparece em terceiro lugar
Ronaldo Caiado (PSD) completa o pódio da arrecadação entre os principais presidenciáveis.
A campanha dele recebeu R$ 6,6 milhões em recursos doados.
Segundo os dados, o perfil de arrecadação da candidatura do PSD é diferente, já que a maior parte dos valores, cerca de 62%, foi destinada ao próprio partido, e não diretamente ao candidato.
Doações ao partido criam camada entre doador e candidato
A prática de doar para o partido, em vez de diretamente para o candidato, cria uma camada entre o doador e a campanha.
Segundo o levantamento, esse modelo tem sido adotado para ocultar o elo eleitoral de grandes empresários.
Entre os principais doadores aparecem nomes ligados ao mercado financeiro, ao setor imobiliário e a grandes grupos empresariais.
Empresários aparecem entre doadores do PSD
Entre as maiores doações ligadas à campanha de Caiado está a de R$ 1 milhão feita por Ricardo Fleury Cavalcanti de Albuquerque Lacerda, fundador e presidente do banco de investimentos BR Partners.
João Carlos Paes Mendonça, presidente do grupo JCPM, aportou R$ 500 mil.
Também constam entre os doadores para a direção nacional do PSD nomes como Pedro Passos, cofundador da Natura, e os irmãos Salo e Helio Seibel, donos da holding Ligna.
Maior valor para o PSD foi de R$ 2,3 milhões
A maior quantia destinada ao PSD veio de Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso.
A doação foi de R$ 2,3 milhões.
Ele é proprietário do fundo de investimentos Polaris, da imobiliária e construtora CH Empreendimentos Imobiliários e de um cartório de registro de imóveis em Taguatinga, no Distrito Federal.
Romeu Zema arrecadou R$ 3,4 milhões
Romeu Zema (Novo) aparece em quarto lugar na arrecadação, com R$ 3,4 milhões.
Desse total, R$ 3 milhões vieram do fundo partidário do Novo.
Outros R$ 100 mil foram doados para a direção nacional do partido por Guilherme Vidigal Andrade Gonçalves, membro do conselho da química Nitro e da Globo Pharma.
Os irmãos Seibel também doaram para a campanha de Zema, com R$ 50 mil cada.
Renan Santos tem arrecadação concentrada em apoiadores
Renan Santos, candidato do Missão, soma R$ 1,3 milhão em doações.
A arrecadação vem quase exclusivamente de apoiadores.
Segundo os dados, 92% do montante foi obtido por meio de financiamento coletivo.
A maior doação registrada até o momento é de R$ 4.014,14, feita por Rômulo Couto Araújo, empresário de Brasília ligado a uma companhia de compra e venda de imóveis.
Augusto Cury bancou maior parte da própria campanha
Augusto Cury entrou com R$ 250 mil para a própria campanha.
O valor representa cerca de 78% do total doado à candidatura do Avante.
O partido aportou R$ 50 mil via Fundo Especial, enquanto outros 5% vieram de doações de pessoas físicas.
O deputado estadual Noraldino Lucio Dias Junior (PSB-MG) doou R$ 15 mil à campanha.
Datafolha mostra Lula à frente nas intenções de voto
Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 33%.
Augusto Cury tem 8%, Ronaldo Caiado registra 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema soma 2%.
Samara (UP), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada.
Os demais candidatos não pontuaram.
Brancos e nulos somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados se dizem indecisos.
Arrecadação deve seguir em atualização até a eleição
Como os dados do DivulgaCand são atualizados constantemente, os valores arrecadados pelas campanhas ainda podem mudar nos próximos dias.
A prestação parcial de contas deverá mostrar com mais detalhes a origem dos recursos, os principais doadores e o peso dos fundos públicos no financiamento das candidaturas presidenciais.