quarta-feira, 9 setembro 2026

MP-BA aciona empresas de pagamento por intermediar apostas ilegais e pede bloqueio de R$ 5 milhões

Ação civil pública mira Nuoro Pay, Select Credit e Cartos por suposta intermediação de pagamentos para plataformas não autorizadas de apostas.

MP-BA aciona empresas por intermediação de apostas ilegais

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ajuizou uma ação civil pública contra três empresas ligadas ao setor financeiro e de pagamentos.

As companhias acionadas são Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda., Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e Empresa de Pequeno Porte Ltda., e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

Fique ligado! Participe do nosso canal do WhatsApp! Quero Participar

A medida decorre da suposta participação das empresas na intermediação de pagamentos destinados a plataformas não autorizadas de apostas de quota fixa.

Promotoria aponta falhas em diligência e monitoramento

De acordo com a promotora de Justiça Joseane Suzart, autora da ação, a Nuoro Pay e a Select Credit teriam intermediado valores para casas de apostas ilegais.

Segundo o MP-BA, as empresas não teriam realizado as diligências necessárias sobre a idoneidade das beneficiárias.

A promotoria também aponta falta de monitoramento de transações atípicas.

Cartos teria fornecido tecnologia para as operações

Ainda conforme a ação, a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. teria fornecido tecnologia e infraestrutura para viabilizar as operações da Nuoro Pay.

Para o Ministério Público, essa estrutura teria contribuído para a movimentação de valores ligados a plataformas não autorizadas.

A investigação busca apurar a responsabilidade das empresas e de seus sócios nas operações questionadas.

Apuração começou após denúncia de consumidor

A apuração teve início a partir da representação de um consumidor.

Ele relatou ter sofrido um golpe em plataformas de apostas envolvendo as intermediadoras, com prejuízo superior a R$ 100 mil.

O denunciante também informou o caso ao Ministério da Fazenda, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, ao Ministério Público do Paraná, à Receita Federal e à Polícia Federal.

MP-BA identificou mais de 1,5 mil reclamações

Durante as investigações, o Ministério Público realizou levantamentos em sites de reclamação de consumidores.

Em consulta feita em julho de 2025, foram contabilizados 1.536 registros associados à Nuoro Pay.

As reclamações envolviam pedidos de estorno, problemas não solucionados e relatos de fraudes financeiras vinculadas a jogos e apostas.

Promotora diz que estrutura ocultava destinatários finais

Segundo a promotora Joseane Suzart, os recursos não eram enviados diretamente às plataformas de apostas.

A estrutura utilizava fintechs e empresas receptoras para ocultar os destinatários finais dos valores.

Com isso, segundo o MP-BA, o nome das casas de apostas nem sequer aparecia nos comprovantes de transferência.

Inquérito cita irregularidades corporativas

O inquérito também identificou supostas irregularidades corporativas relacionadas às empresas investigadas.

Entre os pontos citados estão empresas recém-constituídas, uso de endereços repetidos, documentos com indícios de alteração e sucessivas trocas de sócios.

Esses elementos foram considerados relevantes pela promotoria para embasar o pedido judicial.

MP-BA pede bloqueio de até R$ 5 milhões

Diante dos fatos, o MP-BA solicitou à Justiça o bloqueio cautelar de bens e ativos financeiros das empresas e de seus sócios.

O valor pedido é de até R$ 5 milhões.

A medida busca garantir eventual reparação e evitar a dissipação de patrimônio durante o andamento do processo.

Ação pede encerramento das atividades das empresas

Além do bloqueio de bens, o Ministério Público também pede medidas definitivas contra as empresas acionadas.

Entre elas está o encerramento das atividades da Nuoro Pay, da Select Credit e da Cartos.

A promotoria também solicita a desconsideração da personalidade jurídica, para permitir a inclusão dos sócios na responsabilização.

MP quer mecanismos de controle para operações

A ação também pede a adoção de mecanismos de controle para evitar novas operações com plataformas não autorizadas.

Entre as medidas está a obrigatoriedade de consulta prévia à lista de operadores autorizados e não autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

O objetivo é impedir que empresas de pagamento intermediem transações destinadas a casas de apostas irregulares.

Caso segue sob análise da Justiça

A ação civil pública apresentada pelo Ministério Público da Bahia ainda será analisada pela Justiça.

As empresas citadas poderão apresentar defesa no decorrer do processo.

O caso segue em apuração e envolve suspeitas de intermediação financeira para apostas ilegais, falhas de controle, reclamações de consumidores e possível ocultação dos destinatários finais dos valores movimentados.

COMPARTILHE ESTE POST:

Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
MAIS NOTÍCIAS

Mais populares