Jaques Wagner reage a acusações envolvendo Banco Master
O senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT) reagiu nesta segunda-feira (10), em entrevista à rádio Metrópole, às acusações de suposto favorecimento na privatização da Cesta do Povo.
O petista também comentou a posterior operação envolvendo o cartão CrediCesta, cuja gestão passou a ser assumida pelo Banco Master.
Wagner negou qualquer irregularidade na transação e afirmou que as suspeitas fazem parte de uma tentativa de atingir sua imagem às vésperas das eleições.
Senador classifica acusações como “marola”
Durante a entrevista, Jaques Wagner classificou as acusações como “marola”.
Ele afirmou que seu patrimônio e sua renda podem ser verificados por meio das declarações de Imposto de Renda.
Em junho, o ex-líder do governo Lula no Senado foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero.
A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Operação apura suposta atuação em favor do Banco Master
A Operação Compliance Zero apura se Wagner teria atuado politicamente no Congresso para favorecer interesses do Banco Master e de seu ex-sócio Augusto Lima.
Entre os pontos investigados estão discussões em torno da chamada “Emenda Master” e a suspeita de recebimento de vantagens indevidas.
A investigação também cita um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de possíveis repasses financeiros.
Wagner diz que sempre viveu do salário
Jaques Wagner afirmou que sempre viveu de sua remuneração profissional e dos cargos públicos que exerceu ao longo da carreira.
“Eu vivo desde que cheguei na Bahia, do meu salário. Eu nunca tive fazenda, eu nunca tive empresa, eu nunca tive nada. Trabalhei no Polo, vivi do meu salário. Depois fui eleito deputado, vivi do meu salário de deputado, fui governador, vivi do salário do governador”, afirmou.
Senador cita declaração de Imposto de Renda
O senador disse ainda que atualmente vive da remuneração do mandato no Senado e de aposentadorias para as quais contribuiu durante a vida.
Para Wagner, a análise de suas declarações de renda seria suficiente para esclarecer a origem de seus recursos.
“É só pegar a minha declaração de Imposto de Renda, ao invés de ficar falando muito. A declaração de Imposto de Renda vai dizer de onde vem o dinheiro que você vive”, declarou.
Wagner comenta privatização da Cesta do Povo
Sobre a privatização da Cesta do Povo, Jaques Wagner afirmou que a venda da rede de supermercados ocorreu em 2018, durante seu governo.
Segundo ele, o cartão CrediCesta fazia parte da operação.
O senador disse que a decisão foi tomada porque o Estado não deveria mais manter uma rede estatal de supermercados.
“Quando nós privatizamos a Cesta do Povo, o cartão CrediCesta foi junto. Porque aquilo era um ‘trambolho’, que não cabia mais ao Estado ter uma rede estatal de supermercado”, disse.
Senador afirma que Banco Master não existia na época
Wagner ressaltou que o Banco Master ainda não existia quando a privatização foi realizada.
Segundo o senador, a venda ocorreu entre março e abril de 2018, enquanto o banco teria sido criado apenas em outubro de 2019.
Ele também comparou a participação do cartão CrediCesta no mercado de empréstimos consignados com a atuação de outras instituições financeiras.
Petista cita participação do CrediCesta nos consignados
De acordo com Wagner, o cartão CrediCesta representaria cerca de 10% dos consignados de funcionários públicos e aposentados na Bahia.
Já o Banco do Brasil, segundo ele, teria aproximadamente 30% desse mercado.
“O trambique foi feito fora da Bahia. Aqui na Bahia, o nosso papel foi privatizar uma rede de supermercado (…). O resto, para mim, é marola para tentar atingir uma pessoa que é importante no processo eleitoral baiano e no processo eleitoral brasileiro”, pontuou.
Wagner diz estar tranquilo com investigação
Jaques Wagner afirmou estar tranquilo em relação às investigações.
O senador disse que sua defesa jurídica trabalha para esclarecer os fatos e sustenta que provará sua inocência.
“A gente vai provar a inocência. Estou tranquilo, meu advogado está trabalhando tranquilamente”, declarou.
Caso segue sob investigação
As apurações relacionadas à Operação Compliance Zero seguem em andamento.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Jaques Wagner no caso.
A defesa do senador nega irregularidades e afirma que os fatos serão esclarecidos no curso da investigação.