quinta-feira, 16 julho 2026

Blaze gastou R$ 330 milhões com anúncios em 2025 e teve Virginia como principal influenciadora no Brasil

Balancete da Blaze mostra gastos milionários com publicidade, bônus e influenciadores. Empresa e Virginia Fonseca são alvos de ação do MPDFT por supostas práticas abusivas e publicidade enganosa.

Blaze gastou R$ 330 milhões com publicidade em 2025

O cassino online Blaze destinou R$ 330 milhões à propaganda de caça-níqueis digitais e apostas esportivas entre janeiro e novembro de 2025, segundo balancete da empresa obtido pela reportagem.

O documento mostra pagamentos a empresas ligadas a influenciadores como Virginia Fonseca, Jon Vlogs e Renato Garcia, todos com milhões de seguidores nas redes sociais.

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Empresa e Virginia são alvos de ação do MPDFT

A Blaze e Virginia Fonseca são alvos de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A ação apura supostas práticas abusivas e publicidade enganosa.

O MPDFT estimou que a receita bruta da empresa fosse de R$ 600 milhões para calcular uma multa de R$ 120 milhões. No entanto, o balanço da bet aponta faturamento antes da dedução de impostos de R$ 1,9 bilhão, obtido a partir de depósitos de jogadores na casa dos R$ 11 bilhões.

Blaze aparece entre maiores plataformas de apostas do Brasil

A Blaze é a sexta maior plataforma de apostas do Brasil, de acordo com levantamento feito pela consultoria H2 Gambling Capital.

A companhia também esteve no alvo da CPI das Bets por causa de anúncios de caça-níqueis online, como o Aviator e o Fortune Tiger, conhecido popularmente como jogo do tigrinho.

Empresa diz atuar em conformidade com a legislação

A Blaze afirmou que ainda não foi intimada por causa da ação do MPDFT.

“A empresa reitera que suas parcerias com influenciadores são pautadas pela estrita conformidade com a legislação e as regulamentações vigentes no país”, afirmou a companhia em nota.

A bet também disse que não comenta cláusulas contratuais nem valores por questões de confidencialidade comercial.

Publicidade e fidelização estão entre principais custos

O balanço da empresa mostra que os gastos com publicidade e programas de fidelidade estão entre os principais custos da plataforma.

A Blaze desembolsou R$ 89 milhões em bônus, R$ 388 milhões em programas de fidelidade e R$ 330 milhões com publicidade externa.

Esse valor inclui contratos com influenciadores, pagamentos para impulsionar publicações e peças publicitárias na mídia tradicional.

MP aponta uso de técnicas de gamificação

A acusação da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) é de que a empresa utiliza padrões enganosos e técnicas de gamificação para induzir consumidores vulneráveis ao risco.

Os autos reúnem publicações de Virginia e peças de marketing interno distribuídas aos jogadores cadastrados.

Segundo os promotores, esse material foi obtido após infiltração nas plataformas de apostas.

Balancete cita obrigações com empresa de Virginia

O balancete também mostra obrigações contratuais de R$ 6,4 milhões da Blaze com uma das empresas de Virginia, a VF Digital, sediada em Goiânia.

Segundo o documento, a Blaze já havia pago R$ 2,77 milhões à influenciadora e ainda precisava quitar R$ 3,6 milhões.

O documento não detalha a relação contratual.

Prodecon pediu acesso aos contratos

A Prodecon pediu acesso aos contratos celebrados entre a casa de apostas e Virginia Fonseca, mas ainda não obteve a documentação.

A assessoria da influenciadora pediu que a Folha formalizasse o pedido por email, mas não respondeu à mensagem enviada às 14h desta terça. O contato foi reforçado na tarde desta quarta-feira (15).

Publicação de Virginia teria motivado ação

Uma publicação feita por Virginia durante a Copa do Mundo de 2026 foi o gatilho da ação civil pública, segundo informou à Folha o promotor Paulo Roberto Binicheski.

A influenciadora compartilhou nos stories do Instagram uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina sem identificar de forma clara que se tratava de publicidade.

“Ela induziu as pessoas a apostarem em Cabo Verde, isso precisa respeitar um limite legal”, afirmou Binicheski. “Independentemente do Ministério da Fazenda, as empresas precisam respeitar o Código de Defesa do Consumidor, um texto derivado diretamente da Constituição.”

Ação fala em exploração de vulnerabilidades

Na ação, o Ministério Público afirma que a conduta da empresa e de agentes ligados ao seu ecossistema empresarial teria ido além de atos isolados.

“A conduta da Blaze, em coautoria com Virginia Fonseca e demais agentes de seu ecossistema empresarial, não se limita a ilícitos pontuais, mas estrutura uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva”, afirma um trecho da ação.

Blaze pagou indenização a Zé Felipe

O balancete também aponta que a Blaze pagou R$ 952 mil de indenização por rescisão de contrato ao cantor Zé Felipe, filho do sertanejo Leonardo e ex-marido de Virginia Fonseca.

O valor consta nos registros contábeis da empresa.

Jon Vlogs e Renato Garcia também aparecem no documento

O documento mostra ainda obrigações contratuais com o influenciador Jon Vlogs, no valor de R$ 2,8 milhões, e com o youtuber Renato Garcia, no valor de R$ 5,3 milhões.

Renato Garcia mantém um canal em que promove sorteios de carros e motos esportivos.

Procurados por meio de suas redes sociais na terça-feira, os dois não responderam.

Contrato com Neymar também é alvo de pedido

A Prodecon pediu acesso ao contrato entre o jogador Neymar Jr. e a Blaze, celebrado em 2022 com o braço internacional da empresa.

A assessoria do atleta informou que não comentaria o caso por respeito a cláusulas de confidencialidade.

Empresa registrou gastos milionários com impostos e taxas

O balancete mostra ainda gastos na casa dos milhões de reais com instituições de pagamentos e provedores de internet.

O documento também aponta a destinação de R$ 320 milhões a impostos, R$ 171 milhões à alíquota social cobrada pela Fazenda e R$ 2,3 milhões à taxa de fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), subordinada ao Ministério da Fazenda.

Receita líquida chegou a R$ 1,1 bilhão

Descontando impostos e gastos para reter jogadores, a Blaze declarou receita líquida de R$ 1,1 bilhão no Brasil.

Após cumprir obrigações com despesas operacionais e fornecedores, a empresa teve margem de lucro de 33%, chegando a um resultado de R$ 361 milhões nos primeiros 11 meses de 2025.

Desse total, R$ 350 milhões foram enviados como dividendos para a sede da empresa no exterior.

Raio-X da Blaze

  • Criação: 2019
  • Receita bruta no Brasil: R$ 1,9 bilhão, entre janeiro e novembro de 2025
  • Receita líquida no país: R$ 1,1 bilhão
  • Lucro: R$ 361 milhões
  • Depósitos dos jogadores: R$ 11 bilhões
  • Gasto com salários: R$ 8,6 milhões
  • Sede da matriz: Ilha de Man

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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