terça-feira, 2 junho 2026
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Operação contra produtora de Dark Horse mira quatro empresas e apura suspeita de notas frias

Polícia Civil investiga se recursos públicos da Prefeitura de São Paulo foram usados indevidamente na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Operação mira produtora de Dark Horse, instituto e empresas suspeitas de relação com o caso.

Operação contra produtora de Dark Horse mira novas empresas

Além de endereços ligados à produtora de Dark Horse e a gabinetes da Prefeitura de São Paulo, a operação da Polícia Civil realizada nesta segunda-feira (1º) também cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro empresas.

Segundo a investigação, essas empresas podem ter relação com suspeitas de desvio de verba envolvendo dinheiro público e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

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Inquérito apura uso de faturas e notas fiscais frias

De acordo com o inquérito, a apuração busca saber se o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, utilizou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas custeadas pela Prefeitura de São Paulo.

Karina também é dona da Go UP Entertainment, produtora que assina a produção do filme Dark Horse.

Polícia aponta indícios de confusão patrimonial

A Polícia Civil afirma haver “indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial” entre o ICB, que é uma organização social, e a produtora responsável pelo filme.

A investigação tenta identificar se houve uso indevido de recursos públicos destinados a contratos firmados com a prefeitura.

Faturas de R$ 8,5 milhões foram emitidas por empresa de tecnologia

Quatro faturas que totalizaram R$ 8,5 milhões foram emitidas pela Make One Lab, empresa de tecnologia com 37 anos de atuação, instalada no Alto da Lapa, na zona oeste de São Paulo.

De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação, as faturas estavam “sem emissão das respectivas notas fiscais ou recolhimento tributário correspondente, sendo destacado que as faturas possuíam numeração sequencial, mesma data de emissão e vencimento, além de valores artificialmente fracionados, sugerindo possível montagem documental para justificar saídas ilícitas de recursos financeiros”.

Empresa não respondeu sobre operação

A Folha de S.Paulo procurou a Make One Lab por telefone.

A atendente anotou os contatos da reportagem, mas não houve retorno sobre o posicionamento da empresa diante da operação.

Investigação cita notas fiscais canceladas

Outra operação considerada suspeita pela polícia envolveu a apresentação de notas fiscais que haviam sido canceladas pelas empresas emissoras.

As notas foram emitidas pela Complexsys Soluções Integradas, localizada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e pela JR Feijão, sediada no Ceará.

Juntas, as notas totalizaram R$ 2,4 milhões.

Notas teriam sido usadas na prestação de contas

No caso da empresa paulistana, as notas foram canceladas no mesmo dia da emissão.

Ainda assim, segundo a investigação, elas foram utilizadas pelo ICB na prestação de contas do contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Polícia pediu busca em empresa de São Paulo

A reportagem tentou contato com as duas empresas pelos telefones registrados em seus cadastros na Receita Federal, mas não teve sucesso.

Embora tenha citado a empresa cearense no inquérito policial, a Polícia Civil pediu autorização de busca e apreensão apenas na Complexsys.

Expansão de negócios ocorreu após contato com Mário Frias

Conforme a Folha mostrou, a expansão dos negócios de Karina Ferreira da Gama ocorreu após ela conhecer o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Frias foi secretário da Cultura durante o governo Bolsonaro e também assina a produção do filme Dark Horse.

Complexsys recebeu recursos do gabinete de Mário Frias

A Complexsys recebeu, entre setembro de 2024 e abril deste ano, R$ 154 mil do gabinete do deputado Mário Frias.

Os pagamentos foram feitos por serviços de apoio à manutenção de escritório parlamentar, segundo dados da página de Transparência da Câmara dos Deputados.

Mário Frias e Karina Gama não responderam

Mário Frias não respondeu à Folha de S.Paulo sobre a ascensão dos negócios de Karina desde que ela conheceu o parlamentar.

A empresária também foi procurada para comentar a operação policial, mas sua assessoria não enviou resposta.

ICB intermediou contratação de empresas de tecnologia

O ICB não prestou diretamente o serviço de instalação de pontos de wi-fi previstos no contrato com a prefeitura.

Segundo a investigação, a entidade intermediou a contratação de outras duas empresas do ramo de tecnologia, responsáveis pela execução do serviço.

Urban Connect e Ultra IP também foram alvos

As empresas Urban Connect e Ultra IP, localizadas no Jardim Paulista e em Guaianases, respectivamente, também tiveram mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

No caso da Urban Connect, a reportagem não conseguiu contato. O telefone disponível é o próprio canal de atendimento do serviço de internet da prefeitura.

A Ultra IP foi procurada pelo canal de atendimento via WhatsApp, e uma atendente informou que a empresa retornaria, o que não ocorreu até a publicação do texto.

Polícia aponta contrato acima do valor de mercado

A Polícia Civil sustenta que o contrato foi firmado por valor acima do mercado.

Cada ponto de wi-fi contratado por meio do instituto custou R$ 1.800.

Segundo a corporação, a Prodam, empresa pública de tecnologia da prefeitura, presta serviço idêntico por R$ 230 de implantação por ponto e R$ 306 de manutenção mensal.

Parte dos pagamentos teria ocorrido sem prestação do serviço

De acordo com o inquérito policial, parte dos pagamentos feitos ao ICB para fornecimento de wi-fi ocorreu sem que o serviço tivesse sido prestado.

A suspeita é uma das frentes apuradas pela Polícia Civil na operação.

Prefeitura nega irregularidades no contrato

A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades.

A gestão afirma que, dos 3.200 pontos contratados, apenas 52 estavam fora do ar nesta segunda-feira, em manutenção.

A prefeitura também diz que a contratação do instituto seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Gestão diz que chamamento ocorreu antes da produção do filme

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ressalta ainda que o chamamento público ocorreu em 2024, quando “não havia sequer produção do filme mencionado”.

Segundo a prefeitura, não foram encontradas irregularidades no contrato.

Nunes diz que prefeitura entregou informações à polícia

Ao comentar a operação, Ricardo Nunes afirmou que a prefeitura havia repassado todas as informações solicitadas pela Polícia Civil ao longo das investigações.

O prefeito também mencionou perseguição política.

A Polícia Civil é ligada à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Nunes e da família Bolsonaro.

Polícia afirma que gestão não respondeu a ofício

Ao pedir autorização para as buscas, a autoridade policial afirmou que a gestão Nunes não respondeu a um ofício.

O documento solicitava cópia integral do procedimento administrativo e da prestação de contas do contrato com o ICB.

Segundo a polícia, o contrato teve custo de R$ 108 milhões.

Filme recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro

Para a produção de Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, pediu ajuda a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Vorcaro, que foi preso durante investigações de fraude bancária, repassou R$ 61 milhões ao filme.

O banqueiro nega as acusações de fraude ligadas ao banco.

Polícia Federal também investiga recursos do filme

Além da investigação da Polícia Civil sobre possível desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo para a produção do filme, a Polícia Federal também apura o caso.

A PF investiga se recursos do filme, gravado no Brasil e produzido também nos Estados Unidos, estavam sendo usados para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades

Flávio Bolsonaro afirma que a produção tem “zero recursos públicos”.

Já Eduardo Bolsonaro nega que tenha recebido recursos alocados para a produção do filme.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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