Idosa tem prisão preventiva decretada após injúria racial contra PM em Salvador
A Justiça de Salvador determinou a prisão preventiva de Maria Cândida Villela Cruz, de 74 anos, após ela ter sido presa em flagrante por injúria racial contra um policial militar no bairro do Rio Vermelho.
A decisão foi assinada pela juíza Martha Carneiro Terrin e Souza durante audiência de custódia realizada na quarta-feira (22).
O que aconteceu
Segundo a Polícia Militar da Bahia, a idosa abordou uma guarnição que realizava patrulhamento e, após receber explicações sobre a atuação dos agentes, passou a proferir ofensas de cunho racial contra o soldado Rafael Conceição Florêncio.
De acordo com os autos, ela afirmou ser “superior por ser branca” e fez declarações ofensivas sobre a população local.
Mesmo após advertência, a mulher manteve comportamento agressivo e resistiu à prisão, sendo contida pelos policiais com uso de força moderada.
▶️ Idosa de 74 anos é presa por racismo na orla de Salvador
📽️Alô Juca
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Crimes e enquadramento legal
O flagrante foi registrado com base em dois crimes:
–Resistência (art. 331 do Código Penal);
–Injúria racial (art. 2º-A da Lei nº 7.716/1989).
Defesa alegou irregularidades e questões de saúde
Durante a audiência, a defesa pediu o relaxamento da prisão, alegando:
- Uso excessivo de força na abordagem;
- Negativa de acesso à água e comunicação;
- Possível incapacidade mental da idosa, com base em laudos que apontam declínio cognitivo leve e transtorno de ansiedade.
A magistrada rejeitou os argumentos, destacando que:
- Não houve comprovação de lesões decorrentes da prisão;
- A comunicação com familiares foi realizada;
- Os laudos apresentados não comprovam incapacidade de entendimento dos atos no momento do ocorrido.
Decisão da Justiça
Ao decretar a prisão preventiva, a juíza considerou:
- Existência de provas e indícios suficientes;
- Risco à ordem pública;
- Conduta considerada consciente e deliberada.
Mesmo sendo ré primária, com residência fixa e sem antecedentes, a Justiça entendeu que medidas alternativas não seriam suficientes.
Encaminhamentos e cuidados
O Ministério Público da Bahia havia sugerido liberdade provisória, mas o pedido não foi acatado.
A decisão também determinou:
- Apuração de possível abuso policial pela corregedoria;
- Garantia de atendimento médico contínuo à idosa;
- Fornecimento de medicamentos necessários.
Próximos passos
O caso segue sob análise judicial e tramita em segredo de Justiça. A investigação deve continuar para esclarecer todos os detalhes da ocorrência, incluindo a conduta dos envolvidos.
