quarta-feira, 28 janeiro 2026
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Jair Bolsonaro adota estratégia usada por Lula para manter influência política mesmo preso

Mesmo em regime fechado, ex-presidente articula sucessão, mobiliza aliados e mantém protagonismo no noticiário político nacional.

Bolsonaro mantém protagonismo político mesmo em regime fechado

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou a adotar uma estratégia já conhecida no cenário político brasileiro para seguir relevante mesmo após a prisão. O método foi utilizado anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que esteve detido na sede da Polícia Federal, em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Na época, Lula permaneceu 580 dias preso e recebeu 572 visitas. Mesmo sem conceder entrevistas, o petista conseguiu manter presença constante no noticiário por meio de aliados, advogados e lideranças políticas que relatavam encontros, posicionamentos e avaliações sobre o cenário nacional.

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Visitas e articulações marcam rotina de Bolsonaro na prisão

De forma semelhante, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses após condenação no julgamento da trama golpista, iniciou sua estratégia enquanto esteve detido na sede da Polícia Federal em Brasília. Em pouco mais de dois meses de prisão, recebeu a visita dos filhos, advogados, aliados políticos e pessoas próximas da família.

Por meio desses interlocutores, temas como o ruído do ar-condicionado na cela e uma queda sofrida pelo ex-presidente ganharam repercussão na imprensa, mantendo o nome de Bolsonaro em evidência. Posteriormente, ele foi transferido para o núcleo conhecido como Papudinha, no Complexo da Papuda.

Definição de sucessão presidencial sem falar à imprensa

Mesmo sem conceder declarações públicas, Bolsonaro continuou a interferir diretamente no cenário político. A partir da prisão, determinou que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), fosse o candidato do grupo político à Presidência da República.

Além disso, o ex-presidente articulou para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarasse publicamente apoio a Flávio, abrindo mão de um projeto pessoal de disputar o Palácio do Planalto.

Tarcísio reafirma foco em São Paulo e descarta disputa nacional

Apesar da pressão política, Tarcísio de Freitas indicou que deve mesmo disputar a reeleição ao governo de São Paulo. Nesta terça-feira (27), o governador afirmou que terá um “papo de amigo” com Jair Bolsonaro em visita marcada à cela na Papudinha, em Brasília, mas reforçou que recusaria um eventual convite para concorrer à Presidência.

“Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro, quando ele ainda estava em prisão domiciliar, antes do regime fechado, ele me disse: ‘E aí, Tarcísio, eleição presidencial, qual é a sua posição?’. Eu disse: ‘A minha posição é ficar em São Paulo’. Eu fui muito contundente, muito claro com ele em relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de coerência”, declarou à rádio Jovem Pan de Sorocaba.

Estratégia de sobrevivência política

A movimentação evidencia que, mesmo privado da liberdade, Jair Bolsonaro segue influente nos rumos do campo político que lidera. Assim como Lula no passado, o ex-presidente utiliza aliados, visitas e decisões estratégicas para continuar no centro do debate público, mantendo seu grupo organizado e ativo no cenário eleitoral.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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