Após reunião com líderes partidários e integrantes da CPMI do INSS, o presidente do colegiado, Carlos Viana, decidiu retirar de pauta uma série de requerimentos considerados polêmicos e sem consenso. Com isso, na sessão desta quinta-feira (5), foram votados apenas pedidos construídos por acordo entre as bancadas governista e de oposição.
Ficaram de fora os requerimentos que buscavam convocar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) para depor, além dos pedidos de quebra de seus sigilos bancário e telefônico. As propostas haviam sido apresentadas por parlamentares da oposição, sobretudo do partido Novo, que alegam indícios financeiros de uma possível ligação entre operadores do esquema conhecido como “Farra do INSS” e pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo esses requerimentos, haveria relatos de uma testemunha sobre uma suposta mesada de R$ 300 mil atribuída ao chamado “Careca do INSS” em favor de Lulinha. Os parlamentares defendem que a oitiva e a quebra de sigilo seriam necessárias para esclarecer eventuais conexões no esquema que teria causado prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas.
Também foram retirados de pauta pedidos de quebra de sigilo envolvendo a publicitária Danielle Fonteles, que atuou em campanhas do PT, e a lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. Requerimentos citam reportagens da imprensa que relacionam Danielle Fonteles a recebimentos de R$ 200 mil de uma consultoria sob suspeita de funcionar como empresa de fachada ligada a operadores do esquema. Há ainda menções a uma suposta articulação para operação de maconha medicinal em Portugal envolvendo pessoas ligadas ao caso.
Outro ponto sensível adiado foi a análise de requerimentos que pediam a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master. As propostas, apresentadas por parlamentares do Novo, solicitavam acesso a contas, investimentos, bens e valores mantidos pelo banco, sob a alegação de indícios de irregularidades em contratos de empréstimos consignados, incluindo operações realizadas sem autorização de beneficiários.
Na mesma linha, também foi retirado de pauta um pedido para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fornecesse informações sobre voos e passageiros de aeronaves registradas em nome de empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro. O objetivo seria apurar possíveis vínculos entre a atuação do banco no mercado de consignados e estruturas empresariais associadas ao investigado.
O senador Carlos Viana afirmou que a retirada dos requerimentos ocorreu por acordo entre os líderes da comissão e que os temas não estão descartados. Segundo ele, as propostas poderão retornar à pauta “por enquanto” após ajustes ou em sessões futuras da CPMI.
