quarta-feira, 15 julho 2026

Grupo investigado pelo MP faturou R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador

Cinco empresas investigadas pelo Ministério Público da Bahia firmaram contratos milionários com a Prefeitura de Salvador entre as gestões de ACM Neto e Bruno Reis.

Empresas investigadas receberam R$ 321 milhões em Salvador

Cinco empresas investigadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) firmaram, juntas, pelo menos R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026.

O período abrange as gestões do ex-prefeito ACM Neto (União) e do atual prefeito Bruno Reis (União). As companhias são alvo de uma operação que apura suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos públicos e superfaturamento.

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A informação é da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.

Empresas prestaram serviços para secretarias e gabinete dos prefeitos

Ao longo de 11 anos, as empresas investigadas prestaram serviços para diversas secretarias municipais e também para o gabinete dos prefeitos.

A G3 Polaris Serviços lidera a lista de pagamentos, com R$ 124,8 milhões recebidos. Os repasses cresceram ao longo do tempo: começaram abaixo de R$ 1 milhão no primeiro ano e chegaram a cerca de R$ 25 milhões anuais nos anos mais recentes.

Podium Distribuidora acumulou R$ 85,5 milhões desde 2015

Na sequência aparece a Podium Distribuidora, que acumulou R$ 85,5 milhões em contratos desde 2015.

A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção. Além disso, também prestou serviços diretamente ao Gabinete do Prefeito em 2018, durante a gestão de ACM Neto.

Outras empresas também receberam valores elevados

As demais empresas investigadas também registram valores expressivos em contratos com a Prefeitura de Salvador.

  • LN Distribuidora e Comércio: R$ 45,4 milhões
  • WLSP Logística e Transportes: R$ 37,6 milhões
  • MP2 Construções: R$ 27,7 milhões

Segundo o MP-BA, uma das sócias da MP2 Construções seria utilizada como suposta testa de ferro do grupo. Mesmo com o avanço das investigações, a empresa firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.

Investigação aponta prejuízo de R$ 38,3 milhões

A operação foi deflagrada na segunda-feira (13) e é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), órgão do Ministério Público da Bahia.

As apurações indicam um prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos municipais.

De acordo com os investigadores, as cinco empresas atuariam de forma coordenada, compartilhando estrutura operacional, recursos e interesses econômicos, como se fossem um único grupo.

MP apura direcionamento de licitações e pagamentos irregulares

Segundo o Ministério Público, o objetivo do suposto esquema seria direcionar licitações e garantir pagamentos considerados irregulares em contratos firmados com a administração municipal.

A investigação busca apurar a atuação das empresas, a eventual participação de agentes públicos e a extensão dos prejuízos causados aos cofres públicos.

Secretário e vereador foram afastados pela Justiça

Por determinação da Justiça, foram afastados dos cargos o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e o vereador George Gordinho da Favela (PP-BA).

Segundo o MP-BA, ambos são investigados por suposta participação no esquema de direcionamento de contratos públicos.

Irregularidades teriam relação com Seman e Desal

As irregularidades investigadas teriam ocorrido em contratos ligados à Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), comandada por Luciano Sandes entre 2021 e 2023, e à Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).

A apuração do MP-BA analisa contratos, pagamentos, vínculos entre empresas e possíveis benefícios obtidos de forma irregular.

Bruno Reis diz que prefeitura já sabia de irregularidades

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que a gestão municipal já tinha conhecimento de irregularidades envolvendo as empresas alvo da operação do Gaeco.

Segundo ele, a prefeitura vinha adotando medidas administrativas, como rescisão de contratos e aplicação de multas, e estava prestes a declarar a inidoneidade das companhias.

“Há muito a Prefeitura já havia, em diversas batalhas, seja administrativas, penalizando essas empresas, rescindido contratos, aplicando multas. Estávamos na iminência de decretar a inidoneidade para que elas ficassem impossibilitadas de contratar com o município”, disse, em coletiva na terça-feira (14).

Prefeitura pediu cancelamento de contratos e suspensão de pagamentos

Bruno Reis também afirmou que o município pediu à Justiça o cancelamento de todos os contratos e a suspensão de pagamentos futuros às empresas investigadas.

“Amanhã, estamos pedindo à Justiça que amplie os efeitos da sentença proferida determinando o encerramento de todos os contratos, todos eles sejam cancelados e suspensos eventuais pagamentos futuros. Portanto, o Ministério Público prestou um serviço à cidade”, afirmou.

Prefeito defende responsabilização após direito de defesa

Sem citar nomes, Bruno Reis também comentou o envolvimento de servidores e defendeu que eventuais responsabilizações ocorram após o direito ao contraditório e à ampla defesa.

“Em relação aos servidores envolvidos, quem tiver culpa, depois do devido contraditório e ampla defesa, eu digo isso vale para todos… Sejam servidores nossos, sejam servidores dos estados, sejam esses ou aqueles envolvidos nessa ou naquela operação, depois de poderem ter o direito de defesa, caso cometa alguma ilegalidade, que seja cumprida o que determina a lei”.

ACM Neto defende investigação com rigor e transparência

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), defendeu que as irregularidades apontadas na operação sejam investigadas com rigor e transparência.

A apuração envolve suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos e superfaturamento, com prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos, além do afastamento do ex-secretário Luciano Sandes e do vereador George Reis (PP).

“Nós defendemos que tudo seja investigado, seja apurado com o máximo de rigor, com toda a transparência […] que os eventuais envolvidos sejam responsabilizados e punidos. É preciso dar o direito à defesa […] repito: se houver alguma irregularidade ou envolvimento de qualquer ente público ou privado que seja responsabilizado por isso”, afirmou ACM Neto.

Operação segue em andamento

A investigação do Ministério Público da Bahia segue em andamento para apurar a atuação das empresas, os contratos firmados com a Prefeitura de Salvador e a eventual participação de agentes públicos no suposto esquema.

O caso também deve continuar produzindo desdobramentos administrativos e judiciais envolvendo contratos municipais, servidores afastados e empresas investigadas.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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