quinta-feira, 29 janeiro 2026
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Análise detalhada das contas do TJBA (2016–2023) revela falhas estruturais, morosidade crônica e milhões em pagamentos indevidos

Uma análise minuciosa das prestações de contas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), relativas ao período de 2016 a 2023, evidencia um padrão preocupante de falhas recorrentes de gestão, fragilidade nos controles internos e demora excessiva no julgamento das contas pelo órgão fiscalizador, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).

Uma análise minuciosa das prestações de contas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), relativas ao período de 2016 a 2023, evidencia um padrão preocupante de falhas recorrentes de gestão, fragilidade nos controles internos e demora excessiva no julgamento das contas pelo órgão fiscalizador, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).

O quadro revela não apenas impropriedades pontuais, mas problemas sistêmicos, que atravessam diferentes gestões, com impactos diretos sobre o erário, a transparência administrativa e a efetividade do controle externo.

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1. Morosidade no julgamento das contas enfraquece o controle externo

Um dos aspectos mais críticos identificados é o atraso reiterado na apreciação das contas anuais. Em diversos exercícios, os julgamentos ocorreram cinco a nove anos após o encerramento do exercício financeiro, o que compromete a capacidade de correção tempestiva de desvios.

🔴 Caso emblemático: contas de 2019

  • Exercício: 2019

  • Julgamento: julho de 2025

  • Tempo de atraso: aproximadamente 5 anos e meio

  • Gestão: Des. Gesivaldo Nascimento Britto (falecido em nov/2025)

As contas foram aprovadas com ressalvas, exigindo:

  • normatização do inventário de bens;

  • atualização dos registros imobiliários;

  • adequação dos sistemas contábeis ao Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (MCASP).

➡️ O atraso torna o julgamento mais histórico do que corretivo, enfraquecendo a função preventiva do controle externo.

2. 2021: o escândalo dos servidores falecidos pagos pelo TJBA

O exercício de 2021 revelou a falha mais grave da série histórica.

🚨 Achado crítico:

  • Servidores falecidos continuaram recebendo remuneração

  • Valor apurado: R$ 2.989.014,76

  • Determinação: devolução ao erário

O fato demonstra descontrole absoluto na gestão de pessoal, expondo:

  • falhas nos sistemas de RH;

  • ausência de cruzamento de dados com registros civis;

  • deficiência de auditorias internas periódicas.

O relator, conselheiro Pedro Lino, destacou que se trata de falha estrutural, não episódica.

3. Licitações e contratos: problemas persistentes de planejamento e fiscalização

As contas de 2020, 2021 e 2022 apresentam um padrão reiterado de deficiências na gestão contratual.

Principais irregularidades identificadas:

  • ausência de planejamento adequado;

  • descumprimento de prazos contratuais;

  • fiscalização deficiente;

  • emissão de relatórios de serviços após a nota fiscal da contratada;

  • termos de referência sem dados quantitativos mínimos.

Contas de 2022 (julgadas em abril/2024):

A auditoria destacou a ausência de parâmetros quantitativos nas contratações, violando:

  • o princípio da economicidade;

  • a transparência do processo licitatório.

➡️ O TCE-BA chegou a expedir recomendações específicas ao Núcleo de Licitações do TJBA já nas contas de 2020, sinalizando que o problema é sistêmico e conhecido.

4. Raízes antigas: 2016 e a conexão com a Operação Faroeste

As fragilidades não são recentes. Já em 2016, na gestão da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago — posteriormente investigada e ré na Operação Faroeste —, surgiam sinais claros de má gestão.

Achados relevantes:

  • uso inadequado da rubrica Despesa de Exercícios Anteriores (DEA);

  • subestimativa artificial de despesas no orçamento;

  • risco ao cumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal;

  • ausência de registros contábeis;

  • falta de documentos essenciais, como plantas de imóveis alugados.

O Ministério Público de Contas (MPC) alertou que tais práticas poderiam gerar:

  • encargos moratórios;

  • distorções fiscais;

  • comprometimento do controle patrimonial.

5. Comunicação formal ao CNJ e repercussões disciplinares

Diante da gravidade dos achados e do contexto da Operação Faroeste, o TCE-BA formalizou o envio de seus pareceres e acórdãos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A comunicação foi direcionada, entre outros, ao então corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, para subsidiar:

  • Processos Administrativos Disciplinares (PADs);

  • apuração de responsabilidades funcionais;

  • eventual aplicação de sanções administrativas.

Essa medida demonstra que as falhas administrativas transcenderam o campo contábil, ingressando na esfera disciplinar e institucional.

6. Contas de 2023: correções pontuais, problema estrutural mantido

As contas de 2023, julgadas em dezembro de 2025, indicaram avanços pontuais, com parte das recomendações iniciais sendo revistas após apresentação de documentos.

Entretanto, o acórdão final manteve recomendações genéricas e estruturais, destacando:

  • persistência da morosidade no cumprimento de decisões do CNJ;
  • necessidade de medidas administrativas contínuas para sanar falhas ainda existentes.

➡️ Em essência, o TCE-BA reconhece melhorias, mas admite que o problema de fundo permanece.

Conclusão

A análise histórica das contas do TJBA entre 2016 e 2023 revela:

❌ falhas crônicas de gestão administrativa;

❌ fragilidade persistente nos controles internos;

❌ deficiência no planejamento de licitações e contratos;

❌ prejuízos milionários ao erário;

❌ lentidão extrema na resposta institucional.

Mais do que episódios isolados, os dados apontam para um modelo de governança que reage tardiamente às irregularidades, exigindo reformas profundas em:

  • gestão de pessoal;
  • sistemas de controle;
  • governança contratual;
  • transparência;
  • integração com órgãos de controle.

Sem mudanças estruturais, o risco é que o ciclo de ressalvas, recomendações e atrasos continue se repetindo — com custos elevados para o Estado e para a credibilidade do Judiciário baiano.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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