Petrobras avalia reajuste após possível corte de impostos
A Petrobras pode aumentar o preço da gasolina nas refinarias caso o Congresso Nacional aprove um projeto de lei que prevê a redução de impostos sobre combustíveis. A informação foi confirmada nesta terça-feira (28) pela presidente da estatal, Magda Chambriard.
Segundo a executiva, a diminuição da alíquota de PIS/Cofins abriria espaço para reajustes nos preços praticados pela empresa, sem que o impacto fosse necessariamente repassado ao consumidor final.
Estratégia segue modelo adotado com o diesel
A lógica, de acordo com Magda Chambriard, segue o mesmo modelo aplicado anteriormente ao diesel. Em março, o governo federal zerou impostos federais que representavam R$ 0,32 por litro, e, na sequência, a Petrobras elevou o valor do combustível em R$ 0,38 por litro nas refinarias.
“Quando você reduz o preço de PIS/Cofins, tem espaço para produtores e importadores aumentarem o preço de gasolina sem que esse preço chegue ao consumidor”, afirmou a executiva durante evento em Duque de Caxias (RJ).
Projeto de lei busca conter impacto internacional
O governo federal protocolou na semana passada um projeto de lei que permite utilizar receitas extraordinárias do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis. A medida ocorre em meio à alta das cotações internacionais, impulsionada pelo cenário geopolítico após o início da guerra no Irã.
A proposta tem como objetivo evitar que a pressão externa sobre os preços chegue diretamente ao consumidor, por meio de isenções fiscais ou subsídios que minimizem os impactos no mercado interno.
Foco atual está na gasolina
Após a redução dos tributos sobre o diesel, adotada semanas após ataques envolvendo Estados Unidos e Israel ao Irã, o foco do governo passou a ser a gasolina.
Segundo Magda Chambriard, caso o projeto seja aprovado, a Petrobras deverá realizar o reajuste nos preços.
“Eu acredito que o governo federal está empenhado, e os congressistas estão empenhados em entregar valor para a sociedade, está todo mundo na mesma página. E esse projeto vai dar certo”, declarou.
Retorno financeiro e impacto para investidores
A presidente da Petrobras também destacou que medidas semelhantes adotadas para o diesel foram consideradas bem-sucedidas. Segundo ela, o subsídio garantiu estabilidade nos preços ao consumidor e retorno financeiro à companhia.
“O nosso diesel foi subsidiado pelo governo federal. Para a Petrobras, isso representou um aumento em termos de por litro de 46%. Então, nosso investidor está tranquilo porque ele está com o seu valor preservado, com a empresa preservada”, afirmou.
Ainda segundo a executiva, cerca de 45% do valor gasto com o subsídio retorna ao governo por meio de tributos, participação nos lucros e outros mecanismos.
Defasagem e cenário do mercado interno
Apesar das medidas adotadas, a defasagem no preço da gasolina vem crescendo nas últimas semanas. Na abertura do mercado desta terça-feira, o valor praticado nas refinarias da Petrobras estava cerca de R$ 1,70 por litro abaixo da paridade de importação, conforme dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A presidente ressaltou que a empresa produz quase toda a gasolina consumida no Brasil, o que reduz a pressão direta das cotações internacionais.
“O que a gente olha em relação à paridade é como é que a gente entrega valor para o nosso acionista”, concluiu.
