segunda-feira, 2 fevereiro 2026
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Tradição centenária, festa de Iemanjá atrai baianos e turistas ao Rio Vermelho

Com mais de um século de história, a festa de Iemanjá transforma o Rio Vermelho em um mar de flores e fé, reunindo moradores e visitantes no dia 2 de fevereiro.

Festa de Iemanjá mantém tradição centenária no Rio Vermelho

O mar do Rio Vermelho amanheceu coberto de rosas nesta segunda-feira, quando é celebrado o dia de Iemanjá. No dia 2 de fevereiro, a Rainha do Mar é saudada por baianos e turistas que participam da festa, uma das manifestações religiosas e culturais mais tradicionais de Salvador. Desde as primeiras horas do dia, diversas embarcações seguem em direção ao mar levando flores e presentes, entregues como oferenda à orixá homenageada.

Iemanjá e a relação histórica com o mar

Iemanjá é representada nas religiões de matriz africana como a rainha das águas salgadas e mãe dos orixás. Há registros do culto à divindade na Bahia desde o período da colonização. Em Salvador, a festa completa 104 anos em 2026, consolidando-se como um dos eventos religiosos mais antigos do calendário cultural da cidade.
O historiador Rafael Dantas explica que a celebração foi fortemente influenciada pela relação histórica de Salvador com o mar. Segundo ele, a tradição teve início no século XX, quando pescadores do bairro do Rio Vermelho passaram a oferecer presentes à orixá, pedindo proteção, sabedoria e fartura.

“Os homens sempre tiveram esse vínculo com o mar de uma forma muito forte. Então esse respeito e saudação aos mares ajudam a compreender essa própria história de Salvador”, afirma o estudioso.

Oferendas, rituais e participação popular

Até hoje, milhares de pessoas se dirigem ao caramanchão, estrutura que reúne os balaios com os presentes, para realizar pedidos e agradecimentos. Por volta das 16h, as oferendas são levadas ao mar pelos pescadores do bairro. Outros devotos preferem fazer a travessia em embarcações próprias, lançando flores diretamente nas águas do Rio Vermelho.
Na multidão, muitos turistas vivenciam a festa pela primeira vez. É o caso de Patrícia Catarina, moradora de Curitiba, que se emocionou ao acompanhar a celebração.

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“É emocionante. Eu estou conhecendo a Umbanda e é nela que eu me fortaleço todos os dias. Na Bahia que eu me encontro”, afirmou.

De acordo com estimativa da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), cerca de 40% do público presente na festa é formado por turistas, o que reforça a importância do evento também para o turismo religioso e cultural da cidade.

Fiéis antigos mantêm devoção ano após ano

O dia 2 de fevereiro também é marcado pela presença de devotos que frequentam a festa há muitos anos. Anália Santana participa da celebração há pelo menos uma década e relata ter atendido a um “chamado” espiritual.
“Eu recebi uma mensagem por sonho, sonhei três dias que eu tinha que vir aqui no mar trazer flores e levar até o presente. Então faço isso. É um prazer vir receber essa energia que só tem na festa de Iemanjá”, contou ao Bahia Notícias.
A cada ano, a festa de Iemanjá reafirma sua força simbólica e religiosa, mantendo viva uma tradição centenária que une fé, cultura e identidade no litoral de Salvador.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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