Chapa puro sangue: coragem ou confissão?
Vender a chapa fechada como “força” é piada pronta. Chapa puro sangue não é ousadia — é isolamento. É admitir que não confia na base, que não quer dividir poder e que prefere fechar o cerco a correr riscos eleitorais.
E risco maior não existe do que afastar aliados estratégicos em troca de uma blindagem que só interessa a dois nomes. A política baiana sabe ler sinais: quando o grupo fecha demais, é porque teme o que pode vir de fora.
O roteiro do medo
Seu Valente não afirma, não acusa, não sentencia. Observa. E o que se observa é um roteiro clássico:
1. Fecha a chapa.
2. Reduz o debate.
3. Garante o foro.
4. Espera os próximos capítulos.
Capítulos esses que, segundo se cochicha nos corredores, podem ganhar novos personagens a partir de futuras delações premiadas. Atenção: hipótese política, não manchete policial. Mas em política, hipótese bem fundamentada costuma virar realidade mais cedo do que se imagina.
E a base? Que se vire.
Nesse jogo, a base aliada vira figurante. O partido vira instrumento. E o eleitor, espectador desconfiado. Quando a eleição deixa de ser disputa de ideias e passa a ser corrida por proteção, a democracia vira coadjuvante.
O problema é que eleição não garante silêncio. E foro privilegiado não compra lealdade eterna. O custo dessa escolha pode vir em forma de base esfarelada, voto perdido e aliados pulando do barco antes da tempestade.
Chapa puro sangue pode até sair do papel.
Mas sai cheirando a medo, não a vitória.
E medo, em política, não inspira voto — provoca reação.
Seu Valente segue atento. Porque quando o poder decide se proteger antes de governar, é sinal de que algo muito maior está rondando o cenário.
Assinado,
Seu Valente
O velho ranzinza que já viu muita “estratégia” nascer como defesa e morrer como confissão.
