Prestadores denunciam atraso de quase cinco meses
Motoristas e proprietários de veículos que atuaram em obras de pavimentação e sinalização viária em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, denunciam um impasse financeiro que já dura quase cinco meses.
O grupo foi contratado pela Liga Engenharia, integrante do Consórcio Vitória da Conquista, vencedor da licitação da gestão da prefeita Sheila Lemos (União Brasil).
Segundo os trabalhadores, os serviços foram prestados e as obras concluídas, mas os pagamentos ainda não foram realizados.
Obras tinham aporte de R$ 160 milhões do Finisa
O projeto contava com aporte de R$ 160 milhões provenientes do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento, o Finisa 3, operado pela Caixa Econômica Federal.
As obras foram iniciadas em março do ano passado e, de acordo com relatos obtidos pelo portal A TARDE nesta terça-feira (8), já foram totalmente finalizadas.
Apesar disso, os prestadores afirmam que os recursos não chegaram à ponta da cadeia de trabalho.
Falta de pagamento afeta pequenos empresários
A falta de pagamento tem pressionado pequenos empresários do setor de transporte, que dependem dos repasses para manter suas operações.
Sob condição de anonimato, o dono de uma frota de veículos relatou dificuldades para honrar o salário dos motoristas contratados.
Segundo ele, a situação financeira se agravou com a demora nos pagamentos.
“Já teve ocasião que eles pagaram com um cheque pré-datado e o cheque voltou sem fundo. A situação tá tão difícil que eu tô comprando as coisas, não tô pagando aos motoristas porque não tô recebendo também”
Denúncia já havia vindo à tona em 2025
O cenário de inadimplência não é novo e reflete uma crise recorrente na infraestrutura do município.
Em março de 2025, caçambeiros, caminhoneiros, motoristas de vans e operadores de máquinas já haviam tornado pública uma denúncia semelhante sobre a paralisação dos haveres.
Na época, a Liga Engenharia justificou os atrasos alegando que a Prefeitura de Vitória da Conquista não estava efetuando o repasse das medições da obra.
Trabalhadores dizem que justificativa permanece a mesma
Um ano após o primeiro alerta, a justificativa apresentada aos trabalhadores permanece a mesma.
Enquanto isso, segundo os relatos, o endividamento dos prestadores de serviço continua aumentando.
Os trabalhadores afirmam que a falta de regularização dos pagamentos compromete a manutenção dos veículos, o pagamento de funcionários e a continuidade das atividades empresariais.
Corte na Saúde amplia críticas à gestão municipal
Além das denúncias envolvendo obras de infraestrutura, a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026 em Vitória da Conquista acendeu um alerta na rede pública de saúde do município.
O plano orçamentário foi desenvolvido pela gestão da prefeita Sheila Lemos e aprovado pela maioria dos vereadores na Câmara Municipal.
A nova peça orçamentária promoveu um corte de R$ 72 milhões na Secretaria da Saúde.
Contingenciamento passa de R$ 130 milhões
O corte na Saúde integra um contingenciamento global que supera R$ 130 milhões nos cofres municipais.
A decisão gerou reação de setores da oposição e também críticas populares.
Parlamentares e moradores passaram a questionar as prioridades da gestão, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pela rede municipal de atendimento.
Vereadora critica falta de estrutura na saúde
Em pronunciamento na Câmara Municipal, a vereadora Viviane Sampaio (PT) criticou os impactos das reduções sobre a assistência básica prestada à população.
A parlamentar também questionou a capacidade administrativa da atual gestão.
“Nós temos uma saúde que carece de competência administrativa. Até material de escritório está faltando nas unidades. Até a coleta de laboratório na zona rural foi suspensa por falta de material”, denunciou a parlamentar.
Reduções podem afetar serviços essenciais
Entre os principais problemas apontados estão a falta frequente de insumos operacionais e medicamentos fundamentais na rede pública.
Também foram citadas a paralisação e retração no agendamento de consultas especializadas, procedimentos cirúrgicos eletivos e exames de diagnóstico.
Outro ponto levantado envolve dificuldades na contratação de novos serviços hospitalares e travamento na convocação de agentes comunitários de saúde e de combate a endemias.
População questiona prioridades da prefeitura
Nas ruas, moradores demonstram insatisfação com as carências no atendimento municipal.
Parte da população contesta a escala de prioridades na aplicação dos recursos públicos.
As críticas citam a diferença entre a falta de verbas na saúde e os investimentos destinados ao calendário festivo da cidade.
Moradores criticam gastos com festas
Um morador ouvido pelo jornal A TARDE, sob condição de anonimato, criticou a realização de festas enquanto a cidade enfrenta dificuldades em áreas essenciais.
“A festa de São João foi realizada, mesmo com a cidade já pedindo socorro. Festa vale mais que a saúde? Não é isso que Conquista precisa e sim de saúde de qualidade, pois só quem precisa sabe”, declarou.
Outro morador também criticou a arrecadação local e a gestão dos recursos.
“A Saúde não está boa por conta da incompetência da prefeita, que cobra impostos e mais impostos. A cidade arrecada tanto e nunca tem dinheiro.”
Caso aumenta pressão sobre gestão de Vitória da Conquista
As denúncias de atraso no pagamento de prestadores de serviço e as críticas ao corte na Saúde ampliam a pressão sobre a Prefeitura de Vitória da Conquista.
Enquanto trabalhadores cobram repasses por serviços já executados, moradores e vereadores questionam a condução orçamentária da gestão municipal.
O caso segue gerando cobrança por respostas sobre os pagamentos, a execução dos recursos do Finisa e os impactos das decisões orçamentárias nos serviços públicos.
Por:Rodrigo Tardio
www.atarde.com.br