Operação Gênesis mira grupo investigado por 15 homicídios na Bahia e mobiliza mais de 300 policiais em três estados.
A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na madrugada desta terça-feira, 16, a Operação Gênesis, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por envolvimento em pelo menos 15 homicídios cometidos entre 2025 e 2026.
A ação mobiliza mais de 300 policiais civis, distribuídos em 80 equipes, e alcança endereços em três estados: Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A ofensiva busca cumprir medidas judiciais contra integrantes apontados como lideranças, gerentes financeiros e executores do grupo investigado.
As apurações foram conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por meio da Coordenação de Operações e Inteligência (COI). Segundo a Polícia Civil, os crimes investigados não são tratados como episódios isolados.
De acordo com a investigação, os homicídios fariam parte de uma estratégia de disputa pelo controle do tráfico de drogas em áreas de Salvador, especialmente nos bairros de Águas Claras e Cajazeiras V.
A Polícia Civil aponta que a organização criminosa atuava de forma estruturada na disputa por território. O grupo investigado teria como foco o controle do tráfico de drogas em regiões estratégicas da capital baiana.
As investigações indicam que a atuação criminosa estava concentrada principalmente nos bairros de Águas Claras e Cajazeiras V. A polícia afirma que o grupo usava métodos organizados para tentar ampliar sua influência nessas localidades.
Segundo os elementos reunidos ao longo da investigação, o grupo utilizava armamento de alto poder ofensivo e mantinha monitoramento constante das forças de segurança. A prática, conforme a Polícia Civil, fazia parte da estratégia para proteger suas atividades e dificultar ações policiais.
A organização também é investigada por promover execuções de integrantes de grupos rivais e de pessoas apontadas como contrárias aos seus interesses. As informações fazem parte do conjunto de provas reunido pelo DHPP durante cerca de dois anos de investigação.
A Operação Gênesis tem como alvos lideranças, gerentes financeiros e executores da organização criminosa. O objetivo da Polícia Civil é desarticular a estrutura do grupo e interromper o ciclo de violência ligado à disputa pelo tráfico de drogas.
As medidas judiciais são cumpridas em diferentes pontos da Bahia e também em outros estados. A amplitude da operação indica, segundo a polícia, que o grupo possuía conexões fora da capital baiana.
Na Bahia, a ofensiva alcança os bairros de Águas Claras, Sussuarana e Nova Sussuarana, em Salvador. Também há cumprimento de medidas nos municípios de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, e Retirolândia, no interior do estado.
As diligências foram organizadas para ocorrer de forma simultânea, com o objetivo de evitar fuga de alvos e garantir maior efetividade no cumprimento das ordens judiciais.
Fora da Bahia, a Operação Gênesis também cumpre mandados em cidades do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. No Rio, as diligências acontecem em Nova Iguaçu e Macaé.
Em Santa Catarina, os alvos estão nos municípios de Camboriú e Itapema. A atuação em três estados reforça a dimensão da investigação e a suspeita de ramificação da organização criminosa para além do território baiano.
A Operação Gênesis é consequência direta da Operação Saigon, deflagrada em setembro de 2023 contra o mesmo grupo. Na época, a Polícia Civil já investigava a atuação da organização em Salvador e sua relação com homicídios e tráfico de drogas.
Ao longo de cerca de dois anos, os investigadores reuniram novos elementos probatórios que embasaram a atual fase da ação. Esse material foi utilizado para sustentar os pedidos de medidas judiciais cumpridas nesta terça-feira.
Com a nova etapa da investigação, a Polícia Civil pretende enfraquecer a estrutura da organização e consolidar provas relacionadas aos homicídios atribuídos ao grupo. A operação também busca reduzir a atuação armada em comunidades afetadas pela disputa entre grupos criminosos.
A Operação Gênesis segue em andamento e novas informações podem ser divulgadas pelas autoridades ao longo do dia, conforme o cumprimento dos mandados e o avanço das diligências.
