terça-feira, 19 maio 2026
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

CEO da Riachuelo prevê demissões após fim da taxa das blusinhas: “Não tem milagre”

André Farber, CEO da Riachuelo, afirmou que o fim da taxa sobre compras internacionais de até US$ 50 pode tornar a concorrência insustentável para o varejo nacional e provocar cortes de funcionários.

CEO da Riachuelo diz que fim da taxa das blusinhas pode provocar demissões e afetar o varejo brasileiro.

CEO da Riachuelo alerta para risco de demissões

A decisão do governo federal de encerrar a chamada “taxa das blusinhas” já provocou reação entre representantes do varejo brasileiro.

O CEO da Riachuelo, André Farber, afirmou que a companhia poderá demitir funcionários caso a medida seja mantida.

Fique ligado! Participe do nosso canal do WhatsApp! Quero Participar

Executivo diz que competição ficou insustentável

Segundo André Farber, o cenário criado após a revogação da alíquota de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 tornou a concorrência “insustentável” para as empresas nacionais.

“Se a gente chegar à conclusão que esta decisão de acabar com a taxa das blusinhas será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas. Não tem milagre”, declarou o executivo, em entrevista ao NeoFeed.

Riachuelo tem cerca de 450 lojas no Brasil

Atualmente, a Riachuelo possui cerca de 450 lojas espalhadas pelo país e emprega aproximadamente 33 mil pessoas.

No primeiro trimestre deste ano, a varejista registrou receita líquida de R$ 2,3 bilhões, resultado que representa crescimento de 6,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Varejo diz ter sido pego de surpresa

A revogação da taxa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de 12 de maio.

De acordo com Farber, a decisão ocorreu sem diálogo prévio com o setor varejista.

O CEO afirmou que entidades importantes do segmento, como a Associação Brasileira de Varejo Têxtil (Abvtex) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), não foram consultadas antes da medida.

Entidades alertaram para impacto econômico

Nos bastidores, representantes do varejo já vinham alertando sobre os possíveis impactos econômicos do fim da cobrança sobre compras internacionais.

Um manifesto assinado por cerca de 50 entidades afirmou que a medida poderia colocar em risco aproximadamente R$ 100 bilhões em investimentos no país.

Farber critica diferença tributária entre empresas

Durante a entrevista, André Farber criticou a diferença tributária entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras, como Shein, Shopee, Temu e AliExpress.

Segundo ele, enquanto companhias nacionais arcam com uma carga tributária que pode chegar a até 90% sobre determinados produtos, plataformas internacionais conseguem operar pagando taxas menores.

“Estamos vivendo uma situação maluca. Existia uma assimetria tributária, que era de 40%, e agora chegou a 60%”, afirmou.

Executivo cita exemplo de casaco vendido no Brasil

O CEO da Riachuelo citou como exemplo um casaco vendido pela varejista por R$ 100.

Segundo ele, o produto acaba sendo impactado por impostos de importação, Pis/Cofins e ICMS ao longo da cadeia, o que aumenta a diferença de custos entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.

Riachuelo avalia operar no modelo cross-border

Outra possibilidade analisada pela Riachuelo é adotar o mesmo modelo utilizado por gigantes asiáticas: o cross-border.

Nesse sistema, os produtos são enviados diretamente do exterior para o consumidor final.

Farber afirmou que a empresa poderia abrir uma operação fora do Brasil para importar mercadorias em pequenos pacotes, reduzindo os custos tributários.

“Nada nos impede de fazer cross-border. Eu instalo uma empresa lá na Ásia, começo a trazer e mandar no formato de pequenos pacotes, que pagam muito menos impostos”, disse.

Mudança pode afetar operações no Brasil

Apesar da possibilidade de aderir ao cross-border, o executivo alertou que uma mudança desse tipo poderia provocar desmobilização de operações no Brasil.

Segundo Farber, esse cenário ampliaria o risco de demissões e afetaria a estrutura nacional da companhia.

Governo justificou fim da taxa como forma de ampliar acesso

O governo federal justificou o fim da taxa afirmando que a medida poderia ampliar o acesso da população a produtos mais baratos e aumentar as opções de consumo.

Farber, no entanto, rebateu o argumento e afirmou que não há equilíbrio tributário entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

“Se quer dar mais acesso, tem que reduzir a carga tributária. O que não é razoável é beneficiar uma parte e não outra”, declarou.

Mercado financeiro reagiu à decisão

Após a revogação da taxa das blusinhas, ações da Riachuelo, Lojas Renner e C&A registraram queda na B3.

De acordo com relatório do BTG Pactual, a retirada da cobrança deve ampliar ainda mais a diferença de preços entre varejistas nacionais e plataformas estrangeiras.

No acumulado de 2026, as ações da Riachuelo já acumulam queda de 11%, enquanto o valor de mercado da companhia está estimado em R$ 4,2 bilhões.

COMPARTILHE ESTE POST:

Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
MAIS NOTÍCIAS

Mais populares