Augusto Castro se posiciona contra medidas que ameaçam a lavoura cacaueira
O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), oficializou a adesão ao movimento liderado por produtores de cacau do Sul da Bahia em defesa da lavoura cacaueira, setor historicamente estratégico para a economia regional. A mobilização ocorre em meio a uma crise que combina queda expressiva nos preços internacionais da amêndoa e o aumento da importação de cacau africano por indústrias instaladas em Ilhéus.
O cenário gerou forte preocupação entre agricultores, cooperativas e gestores públicos, que veem riscos econômicos e sanitários para a produção local.
Importação de cacau e riscos fitossanitários
No centro do debate está a Instrução Normativa nº 125, editada em 2021 pelo Ministério da Agricultura. Segundo lideranças do setor, a norma teria flexibilizado critérios de defesa agropecuária, permitindo a entrada de amêndoas importadas sem o rigor técnico necessário para impedir a introdução de pragas exóticas.
“Tal medida, se efetivada nos moldes atuais, implica riscos reais de introdução de doenças que podem destruir a produção nacional”, afirmou o prefeito.
Para Augusto Castro, a ameaça sanitária pode comprometer décadas de reconstrução da cacauicultura baiana após crises anteriores.
Críticas ao argumento das indústrias
O gestor também rebateu a justificativa apresentada por indústrias moageiras, que alegam insuficiência de cacau nacional para atender à demanda. Segundo ele, os produtores locais têm investido em modernização tecnológica, mas enfrentam entraves estruturais.
“O produtor se esforça na modernização tecnológica, mas sofre com a falta de assistência técnica e crédito”, destacou Castro, defendendo políticas públicas que fortaleçam a produção interna em vez de ampliar a dependência de importações.
Ampliação da coalizão política
Para reforçar a pressão institucional, Augusto Castro defende a formação de uma frente ampla envolvendo entidades representativas e consórcios regionais. Além do apoio à Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, o prefeito propõe uma atuação conjunta da Amurc, do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Litoral Sul (CDS-LS) e do Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (CIMA).
A estratégia é levar o tema ao Governo Federal e ao Congresso Nacional, com articulação direta junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), buscando a revisão das normas e o restabelecimento de critérios mais rigorosos para a importação de cacau.
Mercado instável e impacto regional
Após atingir recordes históricos em 2024, o mercado do cacau atravessa um período de forte volatilidade. A queda nos preços internacionais, impulsionada pelo excesso de oferta na Costa do Marfim, somada à concorrência direta do cacau africano no mercado interno, tem reduzido a margem de lucro dos produtores baianos.
“Para preservar a sanidade da lavoura e soerguer nossa economia, precisamos que as vozes do Sul da Bahia sejam ouvidas em Brasília. É hora de união absoluta entre os entes políticos e os produtores”, concluiu o prefeito.
