quarta-feira, 28 janeiro 2026
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“Quando o medo assume o volante, a política perde o rumo”

Pronto. O ato foi consumado — ao menos nos bastidores onde a verdade costuma circular antes do release oficial. O time do PT na Bahia flerta abertamente com a chapa “puro sangue”. Não por convicção, não por projeto, muito menos por apelo popular. É desespero mesmo. Desespero de quem quer garantir foro privilegiado para duas figuras centrais do tabuleiro: o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil Rui Costa. Quando a prioridade vira proteção jurídica, meu amigo, o projeto político já foi rebaixado a plano de fuga.

Chapa puro sangue: coragem ou confissão?

Vender a chapa fechada como “força” é piada pronta. Chapa puro sangue não é ousadia — é isolamento. É admitir que não confia na base, que não quer dividir poder e que prefere fechar o cerco a correr riscos eleitorais.
E risco maior não existe do que afastar aliados estratégicos em troca de uma blindagem que só interessa a dois nomes. A política baiana sabe ler sinais: quando o grupo fecha demais, é porque teme o que pode vir de fora.

O roteiro do medo

Seu Valente não afirma, não acusa, não sentencia. Observa. E o que se observa é um roteiro clássico:

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1. Fecha a chapa.
2. Reduz o debate.
3. Garante o foro.
4. Espera os próximos capítulos.

Capítulos esses que, segundo se cochicha nos corredores, podem ganhar novos personagens a partir de futuras delações premiadas. Atenção: hipótese política, não manchete policial. Mas em política, hipótese bem fundamentada costuma virar realidade mais cedo do que se imagina.
E a base? Que se vire.

Nesse jogo, a base aliada vira figurante. O partido vira instrumento. E o eleitor, espectador desconfiado. Quando a eleição deixa de ser disputa de ideias e passa a ser corrida por proteção, a democracia vira coadjuvante.
O problema é que eleição não garante silêncio. E foro privilegiado não compra lealdade eterna. O custo dessa escolha pode vir em forma de base esfarelada, voto perdido e aliados pulando do barco antes da tempestade.

Chapa puro sangue pode até sair do papel.
Mas sai cheirando a medo, não a vitória.
E medo, em política, não inspira voto — provoca reação.
Seu Valente segue atento. Porque quando o poder decide se proteger antes de governar, é sinal de que algo muito maior está rondando o cenário.

Assinado,
 Seu Valente

O velho ranzinza que já viu muita “estratégia” nascer como defesa e morrer como confissão.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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