Michel Temer critica polarização e aponta desgaste do eleitor brasileiro
O ex-presidente Michel Temer afirmou que o eleitor brasileiro está cansado da disputa política entre Lula e Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista à Veja, publicada na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira (23).
“Ou superamos o passado ou não teremos futuro”, afirmou Temer ao comentar o cenário político atual. Para ele, a polarização excessiva empurrou o país para um “atoleiro político” e dificulta a construção de soluções institucionais mais estáveis.
Ex-presidente defende superação do confronto ideológico
Na entrevista, Michel Temer comparou o ambiente atual com o período em que esteve no comando do Palácio do Planalto. Segundo ele, sempre houve oposição no Brasil, mas sem o nível de radicalização observado nos últimos anos.
“No meu tempo havia oposição, mas não havia essa radicalização de posições”, declarou.
Para Temer, superar esse histórico recente de embates pessoais é essencial para que o país volte a discutir projetos concretos de desenvolvimento.
Proposta de pacto político e disputa de projetos
Ao longo da conversa com a revista, o ex-presidente defendeu a construção de um pacto político contra a polarização. Ele avalia que a insistência no embate entre Lula e Bolsonaro impede o amadurecimento do debate eleitoral.
“É um momento em que os candidatos podem lançar projetos para o país. Se isso acontecesse, ao invés da disputa Lula e Bolsonaro, teríamos uma disputa de projetos para chegar ao poder”, afirmou.
Temer reconheceu que a ideia pode parecer ingênua, mas insistiu que a saída passa pela moderação.
“O ideal seria o centro e a centro-direita terem um programa para o país para se opor a outro programa, e daí nós melhoramos as relações políticoeleitorais-administrativas no país”, explicou.
Governadores como alternativa ao atual cenário
Michel Temer revelou ainda que já foi procurado por governadores que demonstram intenção de disputar a Presidência da República. Segundo ele, a todos fez a mesma recomendação: foco em propostas e afastamento da lógica de confronto pessoal.
Entre os nomes citados como possíveis candidatos estão Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Jr..
“Qualquer um deles que vier a ser candidato representa muito adequadamente o meu pensamento. O eleitorado está cansado dessa disputa de nome contra nome”, concluiu.
Flávio Bolsonaro e a centro-direita
Questionado pela Veja sobre a possibilidade de a candidatura do senador Flávio Bolsonaro unir a centro-direita, Temer avaliou que, caso ele chegue a um segundo turno, seu nome tende a se consolidar como opção desse campo político.
Para o ex-presidente, nesse cenário, Flávio Bolsonaro poderia reunir apoio do centro, da centro-direita e até da “direita radical”.
Críticas de Lula e resposta de Temer
Michel Temer também comentou declarações do presidente Lula, que costuma chamá-lo de “golpista”. Segundo Temer, esse tipo de fala tem como objetivo agradar a militância petista, embora ele demonstre incômodo com o tratamento recebido.
“Conheço bem o presidente Lula. Sempre me dei muito bem com ele e ele comigo. Mas ele faz isso para agradar a uma ala do PT. Não deveria fazê-lo”, afirmou.
Na sequência, Temer citou indicadores de seu governo para relativizar as acusações. “Muita gente diz que, como fizemos grandes reformas, como recuperamos as estatais, como reduzimos juros, como recuperamos o PIB, como reduzimos inflação — se foi golpe, foi golpe de sorte”, disse.
“Não me incomodo minimamente mais com isso. Compreendo essas coisas e, com toda a franqueza, fico acima dessas palavras inteiramente inadequadas”, completou.
