Quem é Wellington César, o estrategista baiano indicado para o Ministério da Justiça
Dez anos depois de protagonizar um dos episódios mais inusitados da política brasileira, Wellington César Lima e Silva volta ao centro das decisões nacionais. O jurista baiano, que em 2016 ficou conhecido por comandar o Ministério da Justiça por apenas 11 dias, surge novamente como indicado para assumir a pasta, agora com maior experiência política, técnica e com a confiança direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Conhecido nos bastidores como “Wellington, o Breve”, ele deixa a advocacia-geral da Petrobras para retornar ao ministério que marcou sua trajetória pública. Antes disso, construiu carreira sólida no Ministério Público da Bahia (MP-BA), onde ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça por dois mandatos, com apoio político do senador Jaques Wagner, além de Rui Costa e Sidônio Palmeira, figuras centrais do grupo político baiano alinhado ao governo federal.
Formação acadêmica e trajetória jurídica
Nascido em Salvador, Wellington César sempre demonstrou forte inclinação para a área acadêmica. Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1988, e concluiu mestrado em ciências criminais pela Universidade Candido Mendes. Também cursou doutorado em direito penal e criminologia na Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha, tendo integralizado os créditos, embora não tenha concluído a tese.
Ele ingressou no Ministério Público em 1991. Em 2010, mesmo não sendo o mais votado da lista tríplice, foi escolhido pelo então governador Jaques Wagner para chefiar o MP-BA. Dois anos depois, foi reconduzido ao cargo, permanecendo à frente da instituição até 2014, quando foi sucedido por Márcio Fahel.
Mesmo nos cargos mais altos do Ministério Público, manteve o perfil de professor e estudioso. Pessoas próximas descrevem Wellington César como alguém avesso a discursos inflamados, com preferência pela análise de dados, criminologia moderna e soluções estruturais.
A passagem relâmpago pelo Ministério da Justiça em 2016
Em 2016, indicado pela então presidente Dilma Rousseff, Wellington César enfrentou um impasse jurídico que marcou sua curta passagem pelo Ministério da Justiça. Uma decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu que membros do Ministério Público que ingressaram na carreira após a Constituição de 1988 ocupassem cargos no Executivo sem exoneração definitiva.
Diante da escolha entre o ministério e sua carreira no MP, Wellington optou pela instituição. Pediu demissão após 11 dias no cargo e retornou à Bahia, mantendo atuação técnica e discreta até deixar oficialmente o Ministério Público em janeiro de 2023.
Retorno ao governo Lula e passagem pela Petrobras
Com a posse de Lula para o terceiro mandato, Wellington César assumiu a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, função estratégica dentro do Palácio do Planalto. Posteriormente, foi indicado para o cargo de advogado-geral da Petrobras, reforçando sua posição de confiança dentro do governo federal.
Agora, seu nome volta a ser citado para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em um momento de desafios institucionais e pressão por resultados concretos na área.
Segurança pública como eixo central
A segurança pública deve ser um dos principais focos da nova gestão. Há especulações sobre um eventual desmembramento do Ministério da Justiça para criação de um Ministério da Segurança Pública, mas essa hipótese pode perder força diante da experiência de Wellington César na área.
Durante sua gestão no MP-BA, ele foi responsável por projetos que integraram polícias, Judiciário e Ministério Público, rompendo o isolamento institucional. Defendeu uma estratégia com menos foco no pequeno traficante e maior atenção à lavagem de dinheiro das grandes facções, além do uso de tecnologia para mapear e prever manchas criminais, modelo aplicado em comitês interinstitucionais na Bahia.
Perfil técnico e desafio político
Wellington César chega como a aposta de Lula para uma gestão sem discursos de efeito e com foco em resultados estruturais. O desafio será provar que um perfil acadêmico e técnico consegue enfrentar a complexidade e a brutalidade da segurança pública brasileira.
A expectativa agora é pela oficialização da indicação e definição da data de posse. Desta vez, diferentemente de 2016, o jurista baiano não deve ter um mandato breve, com previsão de permanência ao menos até o fim do atual governo.
