Ciro Gomes rompe com PDT e pede desfiliação
O ex-ministro Ciro Gomes deixou oficialmente o Partido Democrático Trabalhista (PDT) nesta sexta-feira (17). O pedido de desfiliação foi encaminhado ao presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, em carta protocolada nesta manhã.
Candidato à Presidência da República pelo partido em 2018 e 2022, Ciro vinha se mostrando insatisfeito com a aproximação do PDT com o PT, especialmente após a nomeação de Carlos Lupi para o comando do Ministério da Previdência Social e o alinhamento com o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT) — reduto político do ex-ministro.
“A política não pode ser um balcão de negócios nem uma troca de favores. O PDT perdeu seu rumo histórico e se afastou do trabalhismo de Brizola”, teria dito um aliado próximo de Ciro sobre a decisão.
Trajetória e rompimento político
Ex-governador do Ceará e ex-ministro dos governos Itamar Franco e Lula, Ciro Gomes se filiou ao PDT em 2015, com o objetivo de reconstruir o projeto nacional desenvolvimentista de Leonel Brizola.
Nas eleições de 2018, ficou em terceiro lugar, com cerca de 12,4% dos votos válidos. À época, Ciro chegou a defender Lula, que estava preso, e apoiou Fernando Haddad (PT) no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL).
Entretanto, em 2022, o pedetista rompeu com o PT e lançou uma candidatura crítica tanto a Lula quanto a Bolsonaro, defendendo o que chamou de “terceira via progressista”. O distanciamento se aprofundou após o partido demonstrar apoio a iniciativas do governo petista e articulações regionais no Nordeste.
Próximos passos
Ciro Gomes ainda não anunciou seu novo destino político. Nos bastidores, ele é cotado para disputar o governo do Ceará em 2026, retomando protagonismo regional.
Fontes próximas afirmam que ele tem mantido conversas com lideranças do PSDB e do União Brasil, partidos que buscam nomes de peso para ampliar sua presença no Nordeste.
A desfiliação marca o rompimento definitivo entre Ciro e o PDT, encerrando um ciclo de quase uma década de militância na sigla.
